Luziânia quer parque industrial nos moldes do Daia e mira empresas pela logística
17 agosto 2026 às 09h28

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Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, pretende transformar sua localização estratégica em uma vantagem para atrair novos investimentos. A prefeitura discute com o Governo de Goiás e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) a criação de um parque industrial no município, em uma estrutura inspirada no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). A proposta é usar a proximidade com Brasília e o acesso à BR-040 para atrair indústrias, centros de distribuição e empresas de diferentes regiões do país.
A possibilidade foi apresentada pelo prefeito Diego Sorgatto (UB) durante entrevista ao Jornal Opção. Segundo ele, a administração municipal já conversa com o governador Daniel Vilela (MDB) sobre a implantação do empreendimento e a busca por uma área que possa receber o parque. A proposta envolve uma parceria com a Codego e pode exigir a desapropriação do terreno.
“Em relação ao avanço da industrialização, ele me falou, inclusive, sobre uma parceria que podemos desenvolver com a Codego para buscar uma área, realizar a desapropriação e viabilizar a implantação de um parque industrial”, afirmou Sorgatto.
A intenção é criar uma estrutura capaz de ampliar a participação de Luziânia na atração de empresas e gerar empregos e renda. O prefeito compara o projeto, guardadas as proporções, ao Daia, em Anápolis, um dos principais polos industriais de Goiás.
Para Sorgatto, a localização de Luziânia pode ser um dos principais argumentos para convencer empresas a se instalar no município. A cidade está às margens da BR-040, importante corredor rodoviário que conecta diferentes regiões do país, e fica próxima à capital federal.
“Estamos a 40 minutos da capital federal e do aeroporto de Brasília”, destacou o prefeito. Na avaliação dele, essa posição permitiria ao município disputar empreendimentos interessados em instalar centros de distribuição, filiais, novas empresas ou unidades industriais.
O prefeito afirma que a estratégia é aproveitar a infraestrutura logística existente para buscar investimentos de empresas do Sul, Norte e Nordeste. A expectativa é que a instalação de novos empreendimentos tenha impacto não apenas na geração de empregos, mas também na arrecadação municipal e no desenvolvimento econômico da região.
Disputa por investimentos
A aposta de Luziânia ocorre em um momento em que municípios goianos buscam ampliar a capacidade de atração de investimentos industriais e logísticos. A localização próxima a Brasília coloca o município em uma posição diferente de outros polos industriais do Estado, especialmente por permitir acesso rápido ao mercado consumidor do Distrito Federal.
A comparação com Anápolis também aparece justamente nesse aspecto. Sorgatto afirma que, embora o projeto de Luziânia seja proporcionalmente menor, a cidade possui condições logísticas que podem ser competitivas.
“Na minha avaliação, temos condições logísticas muito favoráveis para que empreendimentos do Sul, do Norte ou do Nordeste possam instalar aqui um centro de distribuição, uma filial, uma nova empresa ou uma nova indústria”, disse.
A prefeitura pretende trabalhar em conjunto com o governo estadual para viabilizar a estrutura e criar condições para que empresas encontrem no município uma alternativa para instalação de unidades produtivas ou logísticas.
Infraestrutura é outro desafio
Apesar da aposta na industrialização, o próprio prefeito reconhece que Luziânia ainda enfrenta desafios de infraestrutura. Entre as prioridades apontadas por ele estão obras de pavimentação, drenagem e macrodrenagem, algumas com custos estimados entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões.
Sorgatto afirma que a prefeitura está contratando uma assessoria para buscar uma operação de crédito que permita acelerar esses investimentos. Segundo ele, a receita corrente do município não é suficiente para executar obras desse porte na velocidade desejada.
A infraestrutura urbana, portanto, aparece como uma das condições para o crescimento planejado pelo município. Além de preparar áreas para novos empreendimentos, a administração terá de ampliar a estrutura viária e de serviços para acompanhar eventual aumento da atividade industrial.
Próximos passos
Ainda não foram apresentados publicamente detalhes como a área que receberia o parque, o valor necessário para implantação, o número de empresas que poderiam ser instaladas ou uma estimativa de empregos. Também não há, na entrevista, um cronograma definido para o início das obras.
O prefeito, porém, afirma que as conversas com o governo estadual estão avançadas e relaciona o projeto à estratégia de desenvolvimento econômico de Luziânia. Para ele, a industrialização está entre as duas principais pautas que pretende levar ao próximo governo estadual, ao lado da melhoria da infraestrutura.
A expectativa da administração é transformar a localização de Luziânia em um ativo econômico. Com a BR-040 como principal eixo de ligação e a proximidade com Brasília, o município pretende deixar de ser apenas uma cidade integrada à dinâmica do Distrito Federal para ampliar sua capacidade de atrair empresas e gerar oportunidades dentro do próprio território.


