Mais da metade dos eleitores ainda não sabe em quem votar para presidente, aponta Quaest
17 agosto 2026 às 09h04

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Mais da metade dos eleitores brasileiros ainda não definiu em quem pretende votar para presidente da República em 2026. É o que mostra a pesquisa Quaest divulgada em agosto, que aponta 51% de eleitores indecisos na intenção de voto espontânea para o primeiro turno. Nesse tipo de levantamento, os entrevistados são questionados sobre sua preferência sem que uma lista de candidatos seja apresentada.
O percentual de indecisos supera, individualmente, todos os nomes citados na pesquisa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 25% das menções espontâneas, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) é citado por 19%. Outros nomes somam 3%, enquanto 2% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou não votar.
O resultado indica que, apesar de Lula e Flávio Bolsonaro concentrarem a maior parte das lembranças espontâneas dos eleitores, ainda existe um contingente expressivo que não associa seu voto a nenhum nome neste momento. A diferença entre os dois principais citados é de seis pontos percentuais, mas o grupo que ainda não escolheu um candidato representa mais que o dobro da preferência espontânea de Flávio.
Indecisão é maior entre jovens
A parcela de eleitores sem candidato definido varia de acordo com o perfil do eleitor. Entre aqueles de 16 a 34 anos, 60% se declararam indecisos na pesquisa espontânea. O índice cai para 48% entre os entrevistados de 35 a 59 anos e para 47% entre os que têm 60 anos ou mais.
A indefinição também é maior entre as mulheres. O levantamento aponta 59% de indecisas, contra 43% entre os homens. Lula é citado espontaneamente por 23% das mulheres e 29% dos homens, enquanto Flávio aparece com 15% e 22%, respectivamente.
Por escolaridade, o maior percentual de indecisos está entre os eleitores com ensino fundamental, com 56%. O índice é de 50% entre aqueles com ensino médio e de 45% entre os que possuem ensino superior.
Diferença regional
A pesquisa também mostra diferenças importantes entre as regiões. No Nordeste, Lula chega a 42% das menções espontâneas, enquanto Flávio Bolsonaro tem 15%. Ainda assim, 40% dos eleitores nordestinos não apontaram um candidato.
No Sudeste, os indecisos são 54%, com Lula registrando 20% e Flávio, 19%. No Sul, a parcela de indecisos chega a 55%, enquanto Flávio aparece com 27% e Lula com 13%. Já no Centro-Oeste/Norte, 53% não definiram um nome espontaneamente; Flávio tem 16% e Lula, 24%.
Quando os nomes são apresentados, cenário muda
A diferença entre a intenção espontânea e a estimulada mostra o tamanho do eleitorado que ainda pode ser alcançado durante a campanha. Quando os pesquisadores apresentam uma lista de candidatos aos entrevistados, Lula passa a ter 38%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%.
Nesse cenário estimulado, Renan Santos (Missão) aparece com 4%, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também com 4%, e o escritor Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) têm 2% cada. Samara Martins (UP) aparece com 1%, enquanto os demais nomes listados não alcançam 1%. Os indecisos somam 10% e 8% dizem que votariam em branco, nulo ou não votariam.
A pesquisa mostra, portanto, que a apresentação dos nomes reduz de 51% para 10% o contingente que não consegue indicar um candidato. O movimento evidencia que parte relevante dos eleitores ainda não consolidou uma escolha, embora consiga apontar uma preferência quando os principais nomes são apresentados.
Maioria dos que já escolheram diz ter voto definido
Outro dado do levantamento ajuda a dimensionar o grau de consolidação das intenções de voto. Entre os eleitores que já indicaram um candidato, 69% afirmam que a escolha é definitiva, enquanto 30% dizem que ainda podem mudar de ideia até a eleição.
O índice de votos considerados definitivos vem crescendo ao longo dos meses. Em março, 56% diziam ter uma escolha consolidada. O percentual passou para 57% em abril, 63% em maio e junho, 65% em julho e chegou a 69% em agosto.
O levantamento foi realizado pela Quaest entre 10 e 13 de agosto de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais domiciliares com eleitores brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


