Lula lidera 1º turno, mas fica a 2,5 pontos de Flávio Bolsonaro em empate técnico no 2º turno, aponta Futura
11 agosto 2026 às 09h56

COMPARTILHAR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da disputa pela Presidência da República no primeiro turno das eleições de 2026, mas o cenário se mostra apertado diante do senador Flávio Bolsonaro (PL). É o que aponta pesquisa Futura Inteligência/100% Cidades divulgada nesta terça-feira (11). No cenário estimulado com a maior lista de candidatos, Lula registra 38,8% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 34,1%.
A diferença de 4,7 pontos percentuais entre os dois cai para apenas 2,5 pontos em uma eventual disputa de segundo turno. Nesse cenário, Lula soma 46,5%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O levantamento foi realizado entre 3 e 7 de agosto, com 2 mil eleitores, e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08109/2026.
Lula e Flávio concentram disputa no primeiro turno

No cenário estimulado apresentado pela pesquisa, Lula aparece com 38,8%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34,1%. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5,9%; Renan Santos (Missão), com 3,6%; e Romeu Zema (Novo), também com 3,6%.
Augusto Cury registra 1,2%; Rui Costa Pimenta, 0,8%; Samara Martins, 0,7%; Cabo Daciolo, 0,4%; Edmilson Costa, 0,1%; e Hertz Dias não pontua.
Ninguém, branco ou nulo somam 6,2%, enquanto 4,8% não souberam ou não responderam.
O resultado mostra uma eleição fortemente concentrada nos dois nomes que lideram a corrida. Juntos, Lula e Flávio alcançam 72,9% das intenções de voto nesse cenário.
A pesquisa também mostra que a disputa ainda não está completamente consolidada. Embora 62,6% dos entrevistados afirmem já ter um candidato definido para a Presidência, 20,1% ainda estão indecisos. Outros 6,8% dizem que não pretendem votar ou votarão em branco, enquanto 6,5% afirmam ter preferência, mas ainda não ter certeza.
Lula mantém vantagem no voto espontâneo
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula também aparece na frente, mas com uma diferença menor em relação a Flávio.
No cenário espontâneo, o presidente registra 36,8%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28,2%.
O levantamento mostra ainda Renan Santos com 3%, Ronaldo Caiado com 2,4% e Romeu Zema com 1,7%. Jair Bolsonaro, que está inelegível e não aparece como candidato no cenário estimulado, é citado espontaneamente por 0,5% dos entrevistados.
Outros nomes somam 3,2%. 7,2% dizem votar em ninguém, branco ou nulo, e 16,5% não sabem, não responderam ou estão indecisos.
A diferença entre Lula e Flávio no voto espontâneo é de 8,6 pontos percentuais, superior à registrada no cenário estimulado. O dado indica que, quando os nomes são apresentados, a distância entre os dois principais candidatos diminui.
Segundo turno mostra disputa no limite da margem de erro
O principal dado da pesquisa, porém, aparece na simulação de segundo turno.
Em um eventual confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista teria 46,5%, contra 44% do senador. Outros 7,4% afirmam que votariam em branco, nulo ou em ninguém, enquanto 2,1% não sabem, não responderam ou estão indecisos.
Como a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, a diferença de 2,5 pontos entre os dois candidatos está dentro do intervalo estatístico. Por isso, o levantamento aponta para empate técnico.
O cenário é diferente quando Lula enfrenta outros nomes da oposição. Contra Ronaldo Caiado, o presidente aparece com 45,3%, ante 39,2% do governador de Goiás. Contra Romeu Zema, Lula marca 46,5%, contra 39,8%. Já diante de Renan Santos, o petista chega a 47,3%, contra 33,3%.

Flávio tem maior rejeição que Lula
A pesquisa também mostra que os dois principais candidatos carregam níveis elevados de rejeição.
Flávio Bolsonaro aparece com 47,1% de rejeição, enquanto Lula registra 45,9%. Ou seja, praticamente metade do eleitorado afirma que não votaria em cada um dos dois.
Na sequência aparecem Romeu Zema, com 16,3%; Cabo Daciolo, 15,8%; Renan Santos, 15%; Ronaldo Caiado, 13,9%; Rui Costa Pimenta, 12%; Samara Martins, 11,5%; Augusto Cury, 9,8%; Edmilson Costa, 9,5%; e Hertz Dias, 9%.
A combinação de alta intenção de voto e alta rejeição deixa evidente o grau de polarização da disputa entre Lula e Flávio.
Mulheres são mais favoráveis a Lula
Os cruzamentos da pesquisa ajudam a mostrar onde está a força eleitoral de cada candidato.
Na avaliação do governo, Lula apresenta desempenho melhor entre as mulheres. 52,4% das eleitoras aprovam o presidente, contra 43,7% que desaprovam. Entre os homens, o quadro se inverte: 56,7% desaprovam Lula, enquanto 41,6% aprovam.
A diferença também aparece na avaliação do governo por faixa etária. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, 58,6% aprovam Lula e 38,8% desaprovam. Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, a desaprovação chega a 61,1%.
Outro recorte relevante está no posicionamento em relação aos principais grupos políticos. Entre os eleitores que se identificam com o campo de Lula, 97,1% aprovam o presidente, enquanto entre os que se colocam ao lado de Bolsonaro apenas 3,9% aprovam sua administração.
Aprovação de Lula fica abaixo da desaprovação
A avaliação do presidente também apresenta um cenário dividido.
Segundo a pesquisa, 49,9% desaprovam Lula, enquanto 47,3% aprovam. Outros 2,9% não souberam ou não responderam.
Na avaliação qualitativa do governo, 43% classificam a administração como ruim ou péssima. Outros 39,5% consideram o governo ótimo ou bom, enquanto 17,1% avaliam como regular. Apenas 0,4% não souberam ou não responderam.
Os números indicam, portanto, um eleitorado dividido: a aprovação e a desaprovação estão próximas, mas a avaliação negativa do governo supera a positiva quando as categorias “ruim” e “péssimo” são agrupadas.
Lula é conhecido por quase três quartos do eleitorado
Entre os nomes colocados na pesquisa como possíveis candidatos à Presidência, Lula é disparado o mais conhecido.
72,6% dos entrevistados afirmam conhecer Lula como possível candidato. Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 58,2%.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é conhecido por 22% dos entrevistados, enquanto Romeu Zema registra 20%. Renan Santos aparece com 11,7%.
Os demais nomes têm índices de conhecimento inferiores a 3%.
O resultado ajuda a explicar parte da diferença entre os candidatos mais conhecidos e os demais: além de Lula e Flávio apresentarem maior exposição nacional, os outros pré-candidatos ainda enfrentam um cenário de baixo reconhecimento fora de seus grupos eleitorais.
Caiado aparece distante dos dois líderes
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aparece em terceiro lugar no cenário estimulado, com 5,9%, mas ainda distante dos dois primeiros colocados.
No voto espontâneo, Caiado tem 2,4%.
Apesar do desempenho nacional mais baixo, o governador aparece com uma das maiores taxas de conhecimento entre os nomes de terceira via. Ainda assim, apenas 22% dos entrevistados afirmam conhecê-lo como possível candidato.
O resultado representa um desafio para candidaturas que buscam romper a polarização entre petistas e bolsonaristas. Segundo a análise apresentada pela própria Futura, existe um contingente de eleitores interessado em alternativas, mas esse espaço ainda não se converteu de maneira significativa em intenção de voto.
Especialista vê disputa concentrada entre Lula e Flávio
Na análise da pesquisa, o diretor técnico da Futura, José Orrico, afirma que os resultados de agosto reforçam uma tendência já identificada em levantamentos anteriores: uma recuperação gradual de Lula, mas sem uma mudança brusca no cenário eleitoral.
Segundo Orrico, a melhora do presidente estaria relacionada principalmente à recuperação de parte do eleitorado que estava distante do governo, e não necessariamente a uma expansão significativa de sua base tradicional.
Já Flávio Bolsonaro, de acordo com o especialista, mantém um eleitorado bastante consolidado no campo bolsonarista, mas encontra dificuldades para avançar para além desse núcleo, especialmente entre as mulheres e segmentos nos quais Lula apresenta desempenho melhor.
Na avaliação de Orrico, embora exista um eleitorado interessado em alternativas à polarização, esse grupo ainda não demonstra força suficiente para alterar a dinâmica principal da eleição.
“A disputa segue fortemente concentrada entre Lula e Flávio”, é a síntese da análise apresentada pelo especialista no levantamento.
Eleitor ainda não está completamente decidido
Apesar da vantagem dos dois principais candidatos, a pesquisa mostra que parte significativa do eleitorado ainda pode mudar de posição.
Além dos 20,1% que afirmam estar indecisos sobre o candidato à Presidência, 6,5% dizem ter uma preferência, mas ainda não ter certeza. Outros 6,8% afirmam que não pretendem votar ou votarão em branco.
Somados, esses grupos representam uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não apresenta uma escolha completamente consolidada.
Ao mesmo tempo, 62,6% afirmam já ter um candidato definido e ter certeza do voto.
O cenário sugere que a disputa entre Lula e Flávio parte de bases eleitorais relativamente consolidadas, mas ainda há espaço para movimentação até a votação.
Polarização aparece também no perfil dos eleitores
Os cruzamentos da avaliação presidencial deixam clara a divisão política do eleitorado.
Entre os eleitores que se declaram do lado de Bolsonaro, 95,9% desaprovam Lula, enquanto somente 3,9% aprovam. No grupo identificado com Lula, ocorre praticamente o inverso: 97,1% aprovam o presidente e apenas 2,2% o desaprovam.
Entre os eleitores que dizem não se identificar com nenhum dos dois lados, 64,4% aprovam Lula e 34,2% desaprovam.
O dado indica que, embora a polarização entre os dois grupos políticos seja bastante consolidada, existe um eleitorado que não se identifica diretamente com nenhum dos polos e que pode ter peso importante na definição da eleição.
Pesquisa mostra cenário ainda aberto para 2026
Os números divulgados pela Futura desenham uma eleição presidencial marcada por forte polarização e pequena distância entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula lidera o primeiro turno com 38,8%, mas Flávio aparece logo atrás, com 34,1%. No segundo turno, a vantagem do petista cai para 2,5 pontos, dentro da margem de erro.
Ao mesmo tempo, os dois apresentam rejeição próxima de 50%, enquanto os demais candidatos ainda não conseguiram transformar níveis de conhecimento em intenção de voto suficiente para se aproximar da liderança.
O levantamento também mostra que Lula enfrenta uma avaliação de governo dividida, com desaprovação ligeiramente superior à aprovação. Ainda assim, o presidente mantém vantagem entre as mulheres e entre os eleitores mais velhos, enquanto Flávio tem desempenho mais forte entre homens e segmentos mais alinhados ao bolsonarismo.
A leitura feita pela Futura é de que a eleição permanece essencialmente concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, com pouca evidência, neste momento, de uma terceira candidatura capaz de modificar essa dinâmica.


