O presidente Lula da Silva (PT) tem intensificado as agendas voltadas às mulheres nos últimos meses, com um objetivo de acenar ao eleitorado feminino na expectativa de reverter a recente queda de vantagem nas intenções de voto entre este público, segundo as mais recentes pesquisas divulgadas.

Somente nos primeiros meses do ano, Lula se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres.

Segundo auxiliares do Planalto, a esposa do presidente teve forte influência na ampliação da presença do tema na agenda presidencial e nos discursos de Lula.

Entre os episódios mais recentes dessa influência esteve a realização do Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os três Poderes logo após a repercussão de uma série de crimes dessa natureza no país.

A pesquisa realizada em março, o presidente, em um cenário de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente tinha o apoio de 50% das mulheres contra 37% de Flávio

Em abril, essa diferença de 13 pontos virou empate técnico, com 47% dos votos nesse segmento para o petista contra 43% do filho de Jair Bolsonaro (PL), A margem de erro é de três pontos percentuais nesse cenário.

Ao mesmo tempo, as ações de Lula vêm em um mandato marcado por uma sequência de falas machista, conforme já foi antecipado pelo Jornal Opção.

Dentre as frases que podem ser consideradas ofensivas, declarações consideradas misóginas é a mais extensa.

  • em março de 2024, Lula disse que mulheres sem profissão dependem do pai para comprar “batom e calcinha”;
  • em julho do mesmo ano, ao comentar uma pesquisa sobre violência doméstica depois de jogos de futebol, disse que “se o cara for corintiano, tudo bem”;
  • em agosto de 2024 disse que mulher sem profissão corre o risco de o “marido agredi-la”;
  • em outubro de 2024, o presidente disse que “é a mulher que sabe as coisas que têm dentro da geladeira”;
  • em março do ano passado, ao anunciar Gleisi Hoffmann como ministra, a chamou de “mulher bonita”;
  • em abril do ano passado, se referiu a Kristalina Georgieva, que é diretora-geral do FMI, como “uma mulherzinha”.

Outro fator que chama atenção é que, apensar dos eventos e medidas voltadas às mulheres, os ministérios de Lula são majoritariamente compostos por homens. Após saídas de ministras para disputarem as eleições, a participação feminina ficou ainda menor, passando de 10 para 8, entre as 38 pastas.

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