Minhas primeiras impressões ao chegar a Cuba
18 abril 2026 às 21h00

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Lúcia Pedreira
Em Cuba
Deixei para falar das minhas primeiras impressões sobre Cuba depois de conhecer um pouco do país, uma ilha que vi do alto das nuvens cercada pelo mar caribenho, de águas azul turquesa. Imagem linda, emocionante, me levou a admirar ainda mais o planeta Terra.
Depois de sair do aeroporto, vi a singeleza do lugar do lado de fora, incluindo as velhas cadeiras que servem de assento para quem aguarda uma condução.
O primeiro passo foi comprar o chip para acessar a internet. Edy, Charles, Vaninha e eu fomos direto nos apropriar da pecinha que nos colocaria conectados ao mundo.

Não houve dificuldade. Sim, o avanço tecnológico funciona na ilha. É só um detalhe para se adaptar à maneira da comunicação.
Deveras que o serviço de wi fi não está disponível em restaurantes, museus, hostel, pousadas e casas de aluguel. O chip funciona bem, principalmente nas ruas, praças e outros ambientes.
Chegamos à nossa primeira hospedagem, um hostel no bairro Vedado. O prédio, confesso, não me pareceu acolhedor para quem passou várias horas de voo. Sentimento pequeno-burguês, com certeza.
Nas padarias só se vende pão
Mas achei-o também instigante, uma construção antiga, forte, onde certamente guarda muitas lembranças. Já me senti dentro da história do país. Próxima ao prédio, uma padaria, com várias pessoas na fila. Nas padarias só se vende pão, a preço subsidiado pelo governo. A quantidade é limitada.

Depois de deixar as bagagens, fomos andar pelas ruas, sem destino.
Escolhemos um lugar para a primeira refeição. Eu e Charles, como bons andarilhos que somos, seguimos em uma longa caminhada até nos depararmos com a famosa Avenida Malecón, que tem 8km de extensão. Uma outra realidade surgiu à minha frente, uma riqueza arquitetônica inabalável e, ao mesmo tempo, decadente.
Ali, se concentram duas Havanas: uma com prédios modernos, alguns até sofisticados, e outros com fachadas antigas, em arte nouveau, carecendo de restauração.
A diversidade de Havana
Nos dias seguintes, descobrimos que Havana é repleta de diversidade, construções audaciosas, outras pobres — com varais de roupas nas janelas —, e monumentos majestosos.
Além da Praça da Revolução, encontramos uma obra magnífica em homenagem ao segundo presidente da ilha, José Miguel Gomez, figura importante na guerra contra a Espanha. Os revolucionários, no entanto, contestam seu legado por causa das ações contra a comunidade afro-cubana.
Em Vedado, há restaurantes para todos os gostos dos turistas. Poucos cubanos frequentam os estabelecimentos, possivelmente por causa dos preços. O governo também fornece ajuda para aquisição de produtos básicos, em mercados estatais, me explicou Ariel, especialista em bebidas. Conclui que o auxílio hoje não é suficiente.
Nos dias seguintes, mais andanças, passamos por muitos monumentos, hospitais de grande porte — que enfrentam a falta de medicamentos — e faculdades. Enfim, o pequeno país (menor do que o Estado de Goiás), quase isolado do mundo, por conta do embargo, resiste.
Apesar da contínua crise econômica, o povo é alegre e acredita que sem o bloqueio dos EUA a vida será melhor.
Lúcia Pedreira, jornalista, é colaboradora do Jornal Opção.

