Laudos apontam que viaduto da Leste-Oeste com a Castelo Branco não oferece risco à população e que vias laterais não afetarão rampas com problemas
30 junho 2026 às 19h23

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A estrutura existente sobre a Avenida Castelo Branco que deveria ser o viaduto da Leste-Oeste não oferece risco à população, conforme estudos técnicos que foram solicitados pela própria Prefeitura de Goiânia. De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), várias partes do viaduto foram avaliadas por engenheiros técnicos, respnsáveis pelas Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), que formalizam o registro de obras ou serviços de engenharia perante o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).
A obra do complexo viário teve início em maio de 2023 e foram paralisadas em dezembro de 2024. Os trabalhos chagaram a ser retormadaos em outubro do ano passado e foram suspensos dois meses depois, permecendo assim até os dias atuais. O assunto veio à tona após o prefeito Sandro Mabel (UB) anunciar, nesta terça-feira, 30, a abertura das vias laterais como uma forma de desafogar o trânsito na região, principalmente no horário de pico.
Para chegar ao resultado, os técnicos consistiram na análise de toda documentação e projetos disponibilizados, concomitante com a realização de vistorias tátil-visual em toda área do viaduto. De acordo com documento, não há presença de patologias na estrutura e os ensaios de esclerometria – que é um procedimento não destrutivo para medir a dureza superficial de materiais, principalmente o concreto – demonstraram que os pilares e vigas pré-moldadas apresentam resistência à compressão superior ao especificado em projeto (40 MPa).

Apesar disso, o relatório destaca que há locais que foram encontrados valores de fck inferiores ao que constavam no projeto. Fck é a sigla para Resistência Característica à Compressão do Concreto, que é a medida fundamental que define a capacidade do concreto de suportar cargas e esforços de compressão antes de se romper. No projeto, foi estimada em 40 MPa, mas, na prática, foi registrada um valor de 29,6 MPa. Mesmo assim, as verificações de cálculo provaram que a armadura existente é suficiente para atender aos Estados Limites Últimos (ELU) e de Serviço (ELS).

O relatório também destacou que não há necessidade de reforço estrutural e foi avaliada com uma vida útil mínima de 50 anos, seguindo o exigido pela norma BR 15.575. Em alguns pontos, o estudo mostra que a vida útil pod ultrapassar um século.
Segundo a superintendente de Obras e Serviços de Infraestrutura da Seinfra, Flávia Ribeiro Dias, os locais onde os resultados de fck foram abaixo do previsto em alguns ensaios são a fundação e as placas de concreto das rampas. Já a parte estrutural aparente, que é formada por pilares, vigas e tabuleiro, atingiu a resistência prevista em projeto e não oferece risco à população.
“Na fundação foram encontrados alguns corpos de prova com resistência um pouco abaixo do que estava previsto no projeto, mas isso não compromete a estrutura. Na mesoestrutura, que compreende os pilares, vigas e o tabuleiro do viaduto, não foi encontrada nenhuma irregularidade. As resistências foram alcançadas corretamente. Hoje não existe risco para quem trafega embaixo do viaduto, porque essa estrutura não está comprometida.”
Contenção de rampas de acesso precisa ser refeita
Um dos laudos destacou que as placas de concreto que foram utilizadas na contenção das rampas de acesso também não contam com a resistência exigida. Por mais que não sejam responsáveis por suportar a carga do viaduto, elas são responsáveis pela estabilidade do aterro e, por isso, precisão ser refeitas ou receber outra solução no campo da engenharia.
“Nas placas de concreto das rampas foram observadas várias amostras que não chegaram à resistência correta. Do jeito que está hoje, não é possível continuar. Aquilo terá que ser refeito, revisto ou receber uma solução técnica.”
Flávia reforçou que o relatório foi elaborado por empresas especializadas em estruturas, seguindo todas as normas técnicas e com as ARTs registradas no Crea. A empresa será notificada e poderá apresentar documentos para constestar as conclusões dos estudos.
“Esse laudo que nós temos é um laudo validado pela Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria em Estrutura. Então, são empresas muito conceituadas, o laudo é sólido. Nós estamos notificando a empresa sobre esse laudo e esperamos que ela, provavelmente, deve contrapor. Às vezes, apresentar algum outro tipo de laudo e, somente após essas discussões, que vamos poder ter uma definição”, destaca.
Como vai ser daqui pra frente?
Flávia desta que, com base nesses laudos, a Prefeitura irá notificar a empresa responsável pela obra para que ela apresente sua defesa técnica. Paralelo a isso, conforme noticiado pelo Jornal Opção, o prefeito Sandro Mabel (UB) fez uma enquete nas suas redes sociais para ouvir a população sobre a solução no local e o resultado será a abertura das vias laterais do complexo viário. Isso será possível, segundo Flávia, porque elas não irão utilizar as rampas consideradas problemáticas e não impõem carga sobre a estrutura do viaduto.
“Agora precisamos abrir o contraditório para a empresa. Ela poderá apresentar sua defesa e eventualmente outro laudo. O prefeito determinou a abertura imediata das vias laterais porque elas não comprometem as rampas nem a estrutura do viaduto.”
A previsão é de que os trabalhos das vias laterais sejam entregues, no máximo, em 90 dias e serão feitos pela própria Seinfra. Já a retomada das obras e a conclusão do viaduto irão depender do desfecho das discussões técnicas, da defesa da empresa e, eventualmente, de processos judiciais e de uma nova licitação.
“A conclusão do viaduto em si depende desse trâmite que provavelmente entrará na Justiça e vamos depender desse desenrolar para fazermos uma nova licitação e concluí-lo”, reforça.
Sobre a possibilidade de demolição, que foi cogitada pelo próprio prefeito durante lançamento das obras das alças laterais, Flávia afirma que não é melhor solução e lembra que a engenharia dispõe de diversas técnicas de reforço estrutural. Para ela, a eventual demolição só será considerada caso todos os estudos comprovem que não existe outra solução viável para garantir a segurança e a durabilidade da obra.
“Nunca a demolição é a melhor solução. A engenharia tem várias alternativas de reforço e estabilização. Se os estudos comprovarem que não existe outra solução técnica, aí essa hipótese pode ser analisada, mas não há o que falar nisso neste momento”, finaliza.



