Laboratório que não fez exame em professor com rastafári diz que cabelo estava “quebradiço”

Segundo representante da clínica, resultados deram inconclusivos por causa da qualidade do cabelo. Foi solicitado, então, coleta de pelos, mas Pedro teria negado

O professor de Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás (UFG) Pedro Barbosa denunciou ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) que sofreu preconceito ao tentar realizar exame toxicológico no laboratório Citocenter, em Goiânia.

Como sua carteira nacional de habilitação (CNH) é da categoria D, ele tem que realizar exame toxicológico, que alerta para o uso de drogas. Segundo ele, porém, por seu cabelo ser rastafári, o procedimento foi negado.

De acordo com uma representante do local, que não quis se identificar, o laboratório na capital funciona apenas para coleta de amostras. “O primeiro exame foi feito em Minas Gerais, mas o resultado deu inconclusivo por que o cabelo estava quebradiço. Fizemos o favor da recoleta para que ele não precisasse viajar de Goiânia”, disse.

Segundo ela, o laboratório de Minas Gerais enviou o material para os Estados Unidos e os resultados não foram obtidos por causa da qualidade do cabelo. Diante dessa informação, optaram por não coletar seu cabelo mais uma vez.

“Oferecemos para ele a opção de retirar pelo do braço ou da pernas, mas ele se negou, dizendo que ninguém iria tocá-lo”, afirmou a representante do laboratório.

Questionado, o professor negou o fato. “Eu sabia disso por documento do laboratório, mas não me falaram nada, só negaram meu cabelo sem explicações”, alegou.

O Jornal Opção tentou contato com os advogados do laboratório, mas eles não atenderam as ligações.

Após publicação da matéria, a empresa Psychemedics, que pega o material coletado pelos laboratórios credenciados, explicou que “no caso do doador apresentar “dreads”, apliques e ou extensões tais como “mega hair” não há como realizar a análise do mesmo, uma vez que além dele não ser desembaraçado, muitas vezes está trançado junto com outros materiais tais como cabelos artificiais ou de terceiros, colas, etc.”

Veja a nota na íntegra:

Para a análise toxicológica por amostra de cabelo, é necessário que o doador possua cabelo ainda preso ao couro cabeludo livre de quaisquer substâncias e desembaraçado, que possua o comprimento mínimo de 3,0 a 3,9 cm de comprimento.

No caso do doador apresentar “dreads”, apliques e ou extensões tais como “mega hair” não há como realizar a análise do mesmo, uma vez que além dele não ser desembaraçado, muitas vezes está trançado junto com outros materiais tais como cabelos artificiais ou de terceiros, colas, etc.

Dessa forma, não há como efetuar a análise de cabelo cuja origem não se pode atestar (pode ter cabelos artificiais ou de terceiros dentro da trança, aplique, “mega hair”).

Contudo, não há qualquer impedimento para que o doador se submeta a análise de pelo corpóreo, desde que o mesmo tenha um comprimento mínimo de 2 cm e obtenha um laudo de exame toxicológico que também atenderá as exigências do Denatran.

Assessoria Psychemedics

Entenda o caso

Como o Jornal Opção adiantou, o professor Pedro Barbosa tentou fazer exame toxicológico para atualização de sua CNH categoria D. “Estava de férias em Uberlândia e, ao fazer o teste, avisei que meu cabelo é natural. No dia de entrega do resultado, me ligaram para avisar que eu teria que repetir o exame por ter cabelo sintético, o que não é verdade”, disse o professor.

Já em Goiânia, onde reside e trabalha, Pedro foi orientado a procurar a mesma rede de laboratórios onde tinha realizado o primeiro teste para repetir a coleta, mas foi impedido. “Procurei então pela médica do laboratório que afirmou que não tinha autorização para fazer coleta em cabelo rastafári”, acrescentou. Segundo ele, a profissional não deu justificativa para o impedimento.

Incomodado, então, Pedro prestou queixa ao Ministério Público alegando preconceito. Segundo ele, uma investigação foi aberta, solicitando justificativa do laboratório, que tem sede em São Paulo, mas até o momento nenhuma resposta foi dada.

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