A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, no processo em que ele é acusado de tentativa de homicídio contra dois policiais civis. A decisão, assinada na última sexta-feira, 31, pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, substitui a prisão por uma série de medidas cautelares que o artista terá que cumprir. Oruam permanece foragido, já que outro mandado de prisão preventiva segue em vigor em uma investigação paralela por suposta lavagem de dinheiro.

Em sua fundamentação, a magistrada entendeu que não havia elementos suficientes para sustentar a acusação de tentativa de homicídio, uma vez que não foi possível comprovar que o cantor assumiu o risco de matar os agentes. O rapper passa a responder apenas por lesão corporal, ameaça, resistência, desacato e dano ao patrimônio público. 

Além de beneficiar Oruam, a juíza também absolveu sumariamente outros três acusados no mesmo processo: Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos, que agora poderão retirar suas tornozeleiras eletrônicas.

Relembre o caso

O processo contra Oruam teve origem em uma confusão ocorrida em 21 de julho de 2025, quando policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a antiga casa do cantor, no Joá, na Zona Sudoeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator. O jovem, que integrava a chamada “Equipe do Ódio”, ligada ao Comando Vermelho, havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade. 

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Oruam e outro acusado teriam assumido o risco de causar a morte dos agentes ao jogar pedras pesadas e volumosas contra o delegado Moysés Santana Gomes e o oficial Alexandre Alvez Ferraz.

O oficial de cartório sofreu ferimentos nas costas e no calcanhar esquerdo, enquanto o delegado precisou se esconder atrás de um carro da polícia para não ser atingido. “Ambos tiveram que se esconder e desviar dos constantes arremessos, os quais persistiram com elevada intensidade e com clara intenção de atingi-los”, diz trecho da denúncia assinada pelo promotor Eduardo Paes Fernandes. 

O adolescente, que estava em uma das viaturas, aproveitou a confusão para fugir enquanto Oruam e outros rapazes apedrejavam o carro. Vídeos da ocorrência foram gravados pelos próprios jovens e usados pela DRE para embasar o inquérito que levou à expedição do mandado de prisão contra o rapper.

Três dias depois da confusão, Oruam se entregou à polícia e permaneceu 50 dias preso em Bangu. Na ocasião, a prisão foi convertida em medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Contudo, no início deste ano, ele burlou o equipamento e acabou tendo outro pedido de prisão deferido, sendo considerado foragido desde fevereiro. 

A defesa do artista, comandada pelo advogado Thiago Lemos, informou que aguarda o julgamento de um pedido de habeas corpus para suspender essa segunda ordem de prisão, cuja análise está marcada para o próximo dia 12. Em junho, os advogados chegaram a pedir a revogação da prisão preventiva com base em laudos médicos que apontavam que o rapper havia sido diagnosticado com tuberculose pulmonar e enfrentava um quadro de saúde gravíssimo, mas o pedido foi negado à época.

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