Segundo o juiz Paulo César Alves das Neves, publicação apenas informou o fato, levando em consideração a repercussão nacional do caso e a liberdade de informação

O pedido de indenização feito por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, assassino confesso do cartunista Glauco, para que fosse indenizado pelo uso de fotografias pessoais em matérias da revista Isto É foi julgado improcedente pela Justiça. Segundo o juiz Paulo César Alves das Neves, a publicação apenas informou o fato, levando em consideração a repercussão nacional do caso e a liberdade de informação.

Cadu, como é conhecido Carlos Eduardo, sofre de esquizofrenia. De acordo com seu pai, Carlos Grecchi Nunes, a reportagem “A Igreja enfrenta seus demônios” trouxe prejuízo à imagem do filho com a publicação de foto sem consentimento dos responsáveis.

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O juiz rejeitou as sustentações afirmando que “as informações e imagens divulgadas são verdadeiras e fidedignas ao ocorrido e, além disso, são de interesse público”. “O conteúdo da matéria e a publicação não tiveram o condão de ofender a honra da parte autora”, justificou.

Além disso, o juiz Paulo César entendeu ser justificável a veiculação e a abordagem do assunto nos meios de comunicação de massa, já que uma das vítimas fatais da tragédia era pessoa bastante conhecida. “Nesse sentido, em razão da posição social ocupada pelo cartunista, o direito de informação sobre a sua vida deve ser analisado sob um viés mais estrito, quando observado conjuntamente com o direito fundamental da liberdade de informação, somado, ainda, à configuração do interesse público. Diante das circunstâncias, o direito da parte autora também sofre certa mitigação, justamente, em razão de ter praticado crime em face de pessoa reconhecidamente célebre”.

Assassinato de Glauco

Em 2010, o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vila Boas, ganhou repercussão nacional. Cadu, confessou ter praticado o duplo homícidio no sítio da vítima, na cidade de Osasco, em São Paulo. Na época, o acusado frequentava uma igreja de doutrina religiosa baseada no Santo Daime, fundada pelo próprio cartunista. Segundo os autos do processo, no dia do crime Cadu estava sob efeito de maconha e haxixe.

Após confessar o crime, Cadu chegou a ficar preso no presídio de Catanduvas, no Paraná, mas foi diagnosticado com esquizofrenia e transferido para uma unidade de saúde de Curitiba. A Justiça então o considerou inimputável, ou seja, incapaz de responder criminalmente pelos seus atos. Depois disso, a família do acusado, que mora em Goiânia, conseguiu transferi-lo para uma clínica da capital.

Em agosto do ano passado, a juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções Penais, decidiu que o assassino confesso do duplo homicídio poderia receber alta da clínica psiquiátrica onde estava internado em Goiânia. No entanto, deveria continuar tendo acompanhando psiquiátrico.

Prisão em Goiânia

Nesta segunda-feira (3/9), Cadu foi preso junto com Ricardo Pimenta Júnior, em Goiânia, pelo latrocínio de Mateus Morais Pinheiro, de 21 anos, pela tentativa de latrocínio de Marcos Vinícius Lemes D’Abadia, de 28, e assalto a mão armada a uma farmácia. Os suspeitos estavam em dois carros roubados. Um dos automóveis pertencia à vítima de latrocínio.

A polícia identificou os dois suspeitos após um delegado flagrar os veículos em atitude suspeita. De acordo com informações da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), houve perseguição e troca de tiros. Ricardo se entregou e Cadu, mesmo ferido, conseguiu fugir. A polícia conseguiu prendê-lo durante tentativa de assalto a uma farmácia, logo depois da perseguição.

A PM informou que há a suspeita de que o segundo automóvel roubado, um Honda City, seja o mesmo utilizado durante tentativa de latrocínio de Marcos D’Abadia. O crime ocorreu na última quinta-feira (28), no setor Bueno, e o profissional segue em estado grave.

Nesta terça-feira, o delegado responsável pelo caso, Thiago Damaceno, afirmou que a dupla pode integrar uma organização criminosa especializada em roubos de veículos que atua em Goiânia.