Justiça bloqueia R$ 376,4 milhões em ações do BRB ligadas a Daniel Vorcaro
27 fevereiro 2026 às 08h11

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A Justiça determinou o bloqueio de R$ 376,4 milhões em participações acionárias do Banco de Brasília (BRB) pertencentes ao empresário Daniel Vorcaro, ao ex-sócio do Banco Master, Maurício Quadrado, e ao fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
A decisão impede que os investigados vendam as ações enquanto tramitam as apurações sobre o caso. Segundo fato relevante divulgado pelo Banco de Brasília, o bloqueio foi comunicado ao agente de custódia, o Banco Bradesco, responsável por evitar qualquer tentativa de alienação dos ativos.
Na prática, a medida judicial congela as ações adquiridas pelos investigados como pessoas físicas, impedindo a negociação dos papéis no mercado. O montante bloqueado pode, eventualmente, ser utilizado para recompor o patrimônio da instituição financeira. O processo tramita sob sigilo.
O BRB é alvo de investigações relacionadas à compra de mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master com indícios de fraude. A estimativa inicial aponta para um possível prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões.
O impacto exato deve ser divulgado no balanço financeiro da instituição, previsto para março. A operação acendeu alerta no mercado financeiro e pressionou os indicadores de capitalização do banco público.
Operação Compliance Zero
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na negociação envolvendo o Banco Master. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por decisão judicial e posteriormente demitido.
As apurações ocorrem paralelamente à rejeição da compra do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, anunciada em 3 de setembro de 2025. O órgão regulador barrou a operação após mais de cinco meses de análise.
O negócio, anunciado em março de 2025, previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Banco Master pelo BRB. A transação era considerada estratégica pela direção da instituição.
No entanto, o modelo de captação do Master e a qualidade de parte dos ativos já vinham sendo questionados por analistas do mercado financeiro, aumentando a desconfiança sobre a viabilidade da operação.
Documentos revelam que o Ministério Público Federal (MPF) havia recomendado ao BRB que comprovasse a lisura e a veracidade dos ativos do Banco Master antes de concluir qualquer negociação.
O órgão alertou para o risco de passivos ocultos e ativos inflados, o que poderia comprometer recursos públicos e gerar prejuízos significativos ao banco estatal.
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