Desaparecido há quase nove meses, a família do biólogo João Vaz da Silva, conhecido como João Planta, cobra das autoridades respostas sobre as investigações do sumiço do jovem. Ele desapareceu no dia 7 de dezembro de 2025, em Alto Paraíso de Goiás, após ser chamado por dois homens em sua casa para ajudar a desatolar um carro.

Ao Jornal Opção, a mãe de João, Marli Albino da Silva Carneiro, diz que até hoje não houve uma informação concreta das autoridades sobre o paradeiro do filho. No dia 7 de setembro, o desaparecimento completa dez meses.“Eu não tenho resposta nenhuma da autoridade. Eu não tenho resposta nenhuma. Eles nunca me deram informação nenhuma”, afirma à reportagem.

Já a defesa, composta por quatro advogadas, revelaram à reportagem que tiveram acesso ao inquérito, mas encontraram pontos que, na avaliação delas, ainda precisam ser esclarecidos. Um dos questionamentos envolve uma tentativa de homicídio sofrida por João em 2024, após uma briga entre vizinhos.

Segundo as advogadas, pessoas relacionadas ao episódio não teriam sido ouvidas durante a investigação sobre o desaparecimento. A defesa também questiona a situação de um homem apontado por uma pessoa que morava com João como sendo um dos responsáveis por chamá-lo para sair de casa no dia do desaparecimento. Conforme o relato apresentado pelas advogadas, o homem teria afirmado à polícia que não conhecia João. A defesa considera a versão questionável porque, segundo elas, ele morava próximo à residência do biólogo.

As advogadas também afirmam que existe no inquérito uma mensagem enviada pela pessoa que morava com João a um suspeito, questionando onde ele havia deixado o biólogo. Para a defesa, ainda não estão claros quais elementos foram apresentados pelo homem para afastá-lo da investigação. Outro ponto levantado é um pedido de quebra de sigilo telefônico. Segundo as advogadas, a família solicitou acesso ao procedimento, mas ainda não conseguiu consultar o conteúdo. “Pelo inquérito ser sigiloso, eu vejo que eles pecam no sentido de que, por exemplo, o João sofreu uma tentativa de homicídio em 2024. Essas pessoas nunca foram ouvidas”, afirma a defesa.

As advogadas dizem ainda que a intenção não é limitar a mobilização ao caso de João. O grupo iniciou um abaixo-assinado para pedir mudanças na forma como casos de pessoas desaparecidas são tratados no país.

A meta é chegar a 10 mil assinaturas para levar a discussão ao Congresso Nacional. Entre as propostas defendidas estão mecanismos para acelerar a quebra de sigilos, o cruzamento de informações e a criação ou ampliação de ferramentas de identificação de pessoas desaparecidas e de corpos não identificados.

Para a defesa, o tempo é um fator decisivo nesses casos. “Uma pessoa desaparecida, cada hora conta”, afirma.

Mãe diz não ter recebido informações

Marli afirma que a falta de informações tornou a espera ainda mais dolorosa. Segundo ela, a família chegou a receber a informação de que João teria ido para Brasília após pegar uma carona em um ônibus, mas ela contesta a versão. “Meu filho não está em Brasília, meu filho não foi para Brasília. Nada disso. Isso aí é uma versão mesmo”, diz.

A mãe também afirma acreditar que as autoridades não estão dando a atenção necessária ao caso. “Eu acredito que não. Eles não estão correndo atrás. […] Falaram: ‘Tem um caso do senhor aqui, até agora não resolveu. E o do seu filho vai mais para frente. Nós vamos investigar o caso’. Mas até hoje nada, nada de motivo”, relata.

João é natural de Porangatu, em Goiás, e viveu durante anos em Alto Paraíso. Segundo a família, ele morava sozinho e era conhecido por ajudar outras pessoas quando era solicitado. “Ele era calmo, ele era na dele, ele ajudava todo mundo. Ele era um bom filho”, conta Marli.

Foi justamente essa disposição em ajudar, segundo a mãe, que teria levado João a sair de casa no dia em que desapareceu. Ele teria sido chamado para ajudar a retirar um carro que estava atolado.

Enquanto aguarda respostas das autoridades, a família mantém a campanha pela localização de João nas redes sociais. A defesa afirma que a mobilização já alcançou milhares de pessoas e pretende ampliar a pressão por informações sobre o caso.

Para as advogadas, a intenção é fazer com que o desaparecimento de João também ajude a chamar atenção para outras famílias que enfrentam situações semelhantes. “Eles tentam nos calar com silêncio, e a gente continua procurando com amor”, afirma a defesa.

Marli também faz um apelo a quem possa ter qualquer informação sobre o filho. “Eu queria que, se as pessoas soubessem alguma notícia dele, dessem essa informação. E pedir para as autoridades tomarem mais cuidado mesmo com isso”, afirma.

A mãe diz que continua esperando descobrir o que aconteceu com João e pede que as investigações avancem. “Quero que eles falem onde está meu filho. O que é que você fez com ele?”, desabafa.

O Jornal Opção procurou a Polícia Civil de Goiás para saber quais diligências foram realizadas desde o desaparecimento, se há suspeitos investigados e quais são as informações oficiais mais recentes sobre o caso. Mas até o fechamento desta reportagem, não obteve respostas. O espaço permanece aberto para manifestação.

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