A paralisação dos servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia chegou, nesta quarta-feira, 2, ao seu 13º dia consecutivo, gerando apreensão entre pais e responsáveis que levam suas crianças aos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) sem qualquer previsão de quando o movimento será finalizado. Enquanto o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) afirma que a gestão municipal se “fechou para o diálogo”, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria de Educação, afirma que a rede segue em funcionamento e que monitora o cumprimento da decisão judicial que exige a manutenção de, no mínimo, 70% dos servidores administrativos em atividade em cada unidade educacional.

Segundo a presidente do Sintego, Ludmylla Morais, a categoria não deseja a paralisação, mas foi levada a ela diante da falta de avanço nas negociações. “A prefeitura semana passada puxou pra trás a negociação e nós estamos tentando, de todas as formas, destravar a negociação e retomar a mesa para avançar e resolver a situação”, afirmou a dirigente em entrevista ao Jornal Opção. Ela ressaltou ainda que a intenção do sindicato sempre foi resolver o impasse por meio do diálogo, mas que “frente à intransigência da administração atual, nós não tivemos outra saída que não a greve”.

De acordo com Ludmylla, a paralisação é restrita aos servidores administrativos efetivos da rede municipal. “Temporários não estão em greve, estão trabalhando e atendendo normalmente. E professores e professoras estão atendendo normalmente, claro que dentro da possibilidade, uma vez que não tem merendeira fazendo merenda, a pessoal dá limpeza, embora garantindo aquilo que a justiça preconiza, a gente sabe que o funcionamento não está normal. O atendimento não está normalizado”, explicou.

A principal reivindicação da categoria, conforme aprovado em assembleia realizada em 10 de agosto, é a atualização da tabela de vencimentos, um direito que, segundo o sindicato, deveria ter sido pago desde 2011. “Nós não estamos pedindo nenhuma novidade, nós não estamos pedindo nada a mais”, enfatizou a presidente. 

No entanto, a proposta apresentada pela Prefeitura prevê o parcelamento dessa atualização até 2030, o que, na avaliação dos grevistas, representa um alongamento excessivo e além do atual mandato. “Nós queremos avançar na proposta e estamos abertos à negociação, ao diálogo, estamos prontos para a hora que a Prefeitura quiser”, disse Ludmylla, que informou ter estado com a secretária de governo, Sabrina Garcez, para pedir mobilização junto ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, em busca de uma solução.

Em nota enviada ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Educação (SME) rebateu as críticas e afirmou que a paralisação total está restrita a apenas seis unidades educacionais. “A rede segue em funcionamento durante a greve dos servidores administrativos. A paralisação total está restrita a apenas seis unidades educacionais. Nas demais unidades, o atendimento permanece em funcionamento, e a Secretaria monitora diariamente a situação para assegurar o cumprimento da decisão judicial e a continuidade dos serviços em toda a rede”, diz o comunicado.

A SME ressaltou ainda que permanece em vigor a decisão judicial que determina a manutenção de, no mínimo, 70% dos servidores administrativos em atividade em cada unidade educacional, e que as equipes da secretaria acompanham a situação para garantir o atendimento às crianças, estudantes e famílias. A pasta também informou que, desde o início das negociações, a Prefeitura realizou várias reuniões e apresentou propostas com aumento dos salários iniciais, reestruturação dos níveis da carreira e ganho real de até 12,5% ainda em 2026. “A última proposta foi rejeitada, e a greve foi mantida. Após o encerramento das possibilidades de negociação dentro dos limites legais e financeiros do município, as propostas foram retiradas”, esclarece a nota.

Diante da continuidade da greve e do descumprimento da decisão judicial, o município ajuizou ação no Tribunal de Justiça de Goiás para pedir a declaração de ilegalidade do movimento grevista. O pedido também requer a aplicação das medidas judiciais cabíveis para assegurar o cumprimento da decisão que determina a manutenção do percentual mínimo de servidores em atividade. A ação, conforme informou a SME, segue em tramitação no Tribunal de Justiça.

A secretária de Governo da Prefeitura de Goiânia, Sabrina Garcez, afirmou ao Jornal Opção que a administração municipal ainda vai analisar internamente a situação e que, neste momento, não há uma nova proposta ou articulação para um acordo. Segundo ela, a negociação com a categoria está interrompida desde que as propostas apresentadas anteriormente foram retiradas da mesa pela Prefeitura. “Ficamos de discutir isso internamente. Eu e o doutor Wilson, que é chefe de gabinete da Procuradoria, recebemos um relatório há alguns dias. Vamos tratar agora internamente, porque não tem nenhuma decisão, nenhuma articulação. A última proposta da Prefeitura já tinha atendido cerca de 80% dos pedidos. As propostas foram retiradas da mesa de negociação pela Prefeitura. Então, nós precisamos restabelecer essa negociação que, por enquanto, ainda está interrompida”, declarou.

O histórico do movimento revela que a insatisfação dos servidores administrativos da Educação não é recente. A categoria acumula cerca de 15 anos sem uma reestruturação salarial capaz de corrigir as perdas da carreira, e a pauta inclui a criação de um plano de carreira, tema que vem sendo discutido por diferentes gestões, mas sem uma solução definitiva. 

A proposta de reestruturação apresentada pela atual administração, com impacto financeiro estimado em R$ 62,6 milhões até 2030, previa a elevação do piso do nível I para R$ 1.640, com implantação gradual de uma nova tabela de vencimentos, além de progressões e antecipação da data-base. O pacote incluía ainda o pagamento de auxílio-locomoção e o abono integral dos dias paralisados, sem prejuízo à remuneração e demais vantagens. Mesmo assim, a proposta foi rejeitada pela categoria, que mantém a greve.

O Sintego, por sua vez, reitera que deseja resolver a situação e que aguarda uma nova postura da Prefeitura para retomar as negociações. “Nós queremos resolver, o Sintego sempre quis e sempre quer resolver”, concluiu Ludmylla Morais.

Confira nota completa da Secretaria Municipal de Educação (SME):

“A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME) informa que a rede segue em funcionamento durante a greve dos servidores administrativos. A paralisação total está restrita a apenas seis unidades educacionais. Nas demais unidades, o atendimento permanece em funcionamento, e a Secretaria Municipal de Educação (SME) monitora diariamente a situação para assegurar o cumprimento da decisão judicial e a continuidade dos serviços em toda a rede.

A SME esclarece que permanece em vigor a decisão judicial que determina a manutenção de, no mínimo, 70% dos servidores administrativos em atividade em cada unidade educacional. O cumprimento desse percentual é obrigatório e deve ser observado individualmente em cada unidade. As equipes da secretaria acompanham a situação e adotam as providências necessárias para garantir o atendimento às crianças, aos estudantes e às famílias.

Desde o início das negociações, a Prefeitura de Goiânia realizou várias reuniões e apresentou propostas com aumento dos salários iniciais, reestruturação dos níveis da carreira e ganho real de até 12,5% ainda em 2026. A última proposta foi rejeitada, e a greve foi mantida. Após o encerramento das possibilidades de negociação dentro dos limites legais e financeiros do município, as propostas foram retiradas.

Com a continuidade da greve e o descumprimento da decisão judicial, o município ajuizou ação no Tribunal de Justiça de Goiás para pedir a declaração de ilegalidade do movimento grevista. O pedido também requer a aplicação das medidas judiciais cabíveis para assegurar o cumprimento da decisão que determina a manutenção de, no mínimo, 70% dos servidores em atividade em cada unidade educacional. A ação segue em tramitação no Tribunal de Justiça.

Secretaria Municipal de Educação”

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