Internações por uso de drogas crescem quase 40% em Goiás e batem recorde histórico; entenda os motivos
29 junho 2026 às 14h08

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As internações relacionadas ao uso de drogas em Goiás cresceram quase 40% entre 2024 e 2025, segundo dados exclusivos obtidos pelo Jornal Opção junto à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O avanço consolida uma tendência de alta observada desde o período pós-pandemia e reflete o aumento da demanda por atendimento especializado no estado.
Ao todo, foram registradas 3.538 internações em 2025, consolidando uma trajetória de alta iniciada em 2021. No mesmo período, a taxa de hospitalizações passou de 39,92 para 47,66 internações por 100 mil habitantes.
As internações motivadas pelo uso de múltiplas substâncias também voltaram a crescer a partir de 2023 e atingiram o maior patamar da série histórica em 2025, com 3.129 pacientes hospitalizados.
Somente no primeiro quadrimestre deste ano, entre janeiro e abril, já foram contabilizadas 885 internações. Entre as diferentes substâncias, os casos relacionados ao uso de cocaína registraram o crescimento proporcional mais expressivo, com alta de 39%, passando de 259 internações em 2024 para 360 em 2025.
A gerente de Saúde Mental da SES-GO, Nathália Silva, explica que esse crescimento não é um fenômeno exclusivo de Goiás, mas acompanha uma tendência observada em diversos países após a pandemia de Covid-19.

Segundo ela, parte desse aumento também está relacionada à ampliação da rede estadual de atendimento, com a expansão da oferta de leitos especializados e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), prevista nos pactos firmados entre o Estado e os municípios.
“Ampliamos a oferta de serviços, de leitos de internação e dos próprios CAPS. Isso consegue dar mais acesso às pessoas aos serviços para que elas sejam cuidadas”, afirma.
O perfil dos pacientes atendidos também revela desigualdades sociais. De acordo com Nathália, 65,5% das pessoas internadas são homens entre 30 e 39 anos. Além disso, 81% dos pacientes se autodeclaram pardos.
Para a gerente, esses dados evidenciam a necessidade de políticas públicas que considerem os impactos do racismo estrutural sobre a população vulnerável.
“Percebemos que o problema da droga não tem uma relação exclusivamente fisiopatológica. As drogas têm uma dimensão social ligada à falta de acesso a direitos e às vulnerabilidades relacionadas à raça e ao gênero”, destaca.
Na avaliação da gestora, enfrentar o problema exige ir além do tratamento clínico. Ela defende uma política de prevenção baseada no fortalecimento do acesso ao esporte, à educação, ao lazer e à cultura, oferecendo alternativas de convivência e desenvolvimento social.
“Precisamos fortalecer a educação e a cultura para que as pessoas também encontrem novas formas de prazer e de refúgio em outras situações que não estejam necessariamente relacionadas ao uso de drogas.”
A estratégia da secretaria também inclui ações de conscientização sobre os riscos associados ao consumo de substâncias psicoativas e orientações voltadas à redução de danos, com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre os efeitos e os riscos do uso dessas drogas.
Ao mesmo tempo, Nathália ressalta a importância de consolidar e ampliar a rede de atenção psicossocial em todo o Estado. Segundo ela, os 246 municípios goianos precisam colocar em prática os compromissos assumidos no âmbito da Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, pactuada em 2025. “O nosso desafio é fazer com que as gestões municipais assumam a responsabilidade de implementar os serviços de saúde mental que pactuaram”, afirma.
Entre as novidades previstas está a implantação dos Centros de Convivência e Cultura (Convive), iniciativa do Ministério da Saúde apoiada pelo Governo de Goiás que busca promover inclusão social, autonomia e fortalecimento da saúde mental por meio de atividades culturais, esportivas e comunitárias, reduzindo a dependência do atendimento exclusivamente hospitalar.
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