A indústria de Goiás cresceu quase duas vezes mais que a média nacional no primeiro semestre de 2026 e abriu 19.942 vagas formais no período. Entre janeiro e junho, o estoque de trabalhadores do setor aumentou 4,77% no estado, enquanto a indústria brasileira registrou crescimento de 2,62%.

Os dados são da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin), da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), com base no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). O resultado colocou a indústria como o setor que mais gerou empregos formais em Goiás nos primeiros seis meses do ano.

Apesar do desempenho positivo, a expansão não ocorreu de forma uniforme entre os diferentes perfis profissionais. A maior parte das novas vagas foi destinada a funções diretamente ligadas à produção industrial, que registraram saldo positivo de 13.387 empregos.

Enquanto essas funções avançaram, profissionais especializados tiveram saldo negativo de 154 vagas. Já os cargos de alta gestão e gerência perderam 259 postos de trabalho no período.

Os dados de escolaridade também mostram concentração das contratações entre trabalhadores com formação intermediária. Pessoas com ensino médio completo tiveram saldo positivo de 13.639 vagas, enquanto trabalhadores com ensino superior incompleto registraram saldo negativo de 142 postos e aqueles com ensino superior completo, de 272.

Segundo a Gedin, o resultado não significa necessariamente que a indústria goiana esteja reduzindo a demanda por profissionais com maior escolaridade. Trabalhadores com ensino superior tendem a apresentar menor rotatividade e maior estabilidade no emprego, o que ajuda a explicar o saldo negativo registrado entre esses grupos.

Jovens puxam contratações

A faixa etária de 18 a 24 anos apresentou o maior saldo de empregos industriais no primeiro semestre, com 8.679 vagas. Na sequência, aparecem os trabalhadores de 30 a 39 anos, com 3.412 postos, e de 40 a 49 anos, com 2.987.

Os números apontam para uma renovação da força de trabalho industrial, especialmente entre os mais jovens. Ao mesmo tempo, os trabalhadores mais velhos permanecem por mais tempo nos empregos, com o tempo médio de permanência dos desligados aumentando conforme a idade.

Entre os trabalhadores de 18 a 24 anos, o tempo médio de emprego dos desligados foi de 9,3 meses. Na faixa de 40 a 49 anos, chegou a 19,7 meses, enquanto entre trabalhadores de 50 a 64 anos alcançou 26,9 meses.

Construção e transformação lideram

A expansão do emprego industrial foi puxada principalmente pela indústria de transformação e pela construção. Juntas, as duas atividades responderam por cerca de 89% das vagas criadas pelo setor em Goiás no primeiro semestre, com 10.022 e 7.792 postos, respectivamente.

Entre as atividades específicas, as obras de infraestrutura lideraram a geração de empregos, com 4.510 vagas e crescimento de 16,61% no estoque de trabalhadores. Em seguida, aparecem a fabricação de produtos alimentícios, com 4.060 postos, e a fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, com 3.819 vagas.

Juntas, essas três atividades responderam por aproximadamente 60% das novas vagas industriais abertas no estado durante o semestre. O resultado mostra que grandes obras, produção de alimentos e o setor de biocombustíveis estão entre os principais responsáveis pela expansão do mercado de trabalho industrial.

Outros segmentos também apresentaram crescimento expressivo. Eletricidade, gás e outras utilidades tiveram alta de 11,28% no estoque de trabalhadores, enquanto as indústrias extrativas cresceram 6,44% e as atividades de água, esgoto e gestão de resíduos avançaram 4,54%.

Interior ganha força

O crescimento da indústria também começa a aparecer com força fora dos grandes polos econômicos de Goiás. Goiânia teve o maior saldo absoluto, com 2.959 vagas, seguida por Santa Terezinha de Goiás, com 1.580, Anápolis, com 1.429, e Rio Verde, com 984.

Quando considerado o crescimento proporcional, porém, o cenário muda. Santa Terezinha de Goiás teve alta de 121,82% no estoque de trabalhadores industriais, enquanto Serranópolis cresceu 49,11%, Uruaçu 41,32%, Minaçu 34,72% e Rubiataba 22,05%.

Em Santa Terezinha, praticamente todo o saldo de empregos veio da construção de rodovias e ferrovias, responsável por 1.584 vagas. Já Uruaçu teve expansão associada à fabricação de álcool e à distribuição de energia elétrica, enquanto Serranópolis e Rubiataba foram impulsionadas pela fabricação de álcool.

Em Minaçu, o avanço do emprego industrial foi sustentado por obras de montagem industrial e pelo beneficiamento de minérios metálicos não ferrosos. Segundo a Gedin, os resultados mostram que o crescimento em municípios menores está diretamente relacionado à implantação ou expansão de empreendimentos específicos, principalmente nos setores de infraestrutura, mineração e biocombustíveis.

Ritmo de contratação diminui

Apesar do resultado positivo, o saldo de 2026 ficou abaixo do registrado nos dois primeiros semestres anteriores: foram 24.857 vagas em 2024 e 22.254 em 2025, contra 19.942 neste ano.

A Gedin, entretanto, avalia que a indústria goiana mantém um patamar elevado de geração de empregos. Desde 2022, o saldo tem permanecido próximo de 22 mil vagas por primeiro semestre, indicando uma estabilização após o período de recuperação econômica observado depois da pandemia.

No primeiro semestre, a indústria também ficou à frente dos demais grandes setores da economia goiana. Serviços registraram saldo de 13.421 vagas, enquanto a agropecuária teve 5.936 e o comércio, 2.816.

Para o segundo semestre, a economista da Gedin, Gabriela Parreira, prevê um ritmo menor de contratações devido ao comportamento sazonal do mercado de trabalho industrial. Segundo ela, mais importante do que observar apenas os saldos mensais é acompanhar a continuidade dos investimentos e da produção, fatores que sustentam a geração de empregos no médio e longo prazo.

O cenário do primeiro semestre, portanto, combina forte expansão do emprego industrial com concentração das novas vagas na base operacional. Os jovens de 18 a 24 anos foram os principais beneficiados, enquanto trabalhadores com ensino médio completo concentraram a maior parte das contratações.

Ao mesmo tempo, os cargos de alta gestão e gerência tiveram saldo negativo de 259 vagas, e os profissionais especializados registraram redução de 154 postos. O resultado mostra que, embora a indústria esteja abrindo quase 20 mil oportunidades em Goiás, o crescimento ocorre principalmente nas funções diretamente ligadas à produção, enquanto os cargos de maior qualificação apresentam maior estabilidade e menor rotatividade.

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