O principal nome de oposição a Ronaldo Caiado, Gustavo Mendanha, ainda segue sem partido e construção de alianças políticas competitivas

A indefinição político-partidária de Gustavo Mendanha pode ser resumida em “dramática e preocupante”, segundo a cientista política Ludmila Rosa. Há 6 meses das eleições, um dos principais nomes de oposição a Ronaldo Caiado (União Brasil), ou talvez o principal, segue com formação incerta de alianças políticas e enfraquecimento de base.

Mesmo ocupando a terceira vaga na maioria das pesquisas de intenção de voto, Mendanha ultrapassa o tucano Marconi Perillo (PSDB) na corrida eleitoral para o Executivo goiano, visto que Perillo tende a ir para o Senado Federal. A disputa pelo governo de Goiás, segundo Rosa, será difícil para o aparecidense. “De um lado, temos Caiado, que é razoavelmente bem avaliado, possui a máquina pública na mão, com aglutinação de partidos – a chapa de Caiado tem o maior partido do país, o União Brasil e o segundo maior, o MDB de Daniel Vilela -, e uma base consolidada na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego)”, afirma. Ludmila acredita que a decisão pelo comando do governo de Goiás em 2023 ficará entre Caiado e Mendanha.

Sobre historicamente Goiás ser um estado conservador e o bolsonarismo ser um peso forte, ela ressalta que as eleições deste ano terão uma pegada diferente. “As pessoas estão buscando políticos mais experientes, com capacidade de diálogo e sem extremismos”. Esse alerta acende a luz para o pré-candidato rumo ao PL de Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Major Vítor Hugo (por enquanto no PSL). “Não acredito que um candidato que tenha assimilação direta com o Bolsonaro vá se emplacar apenas por isso”, diz Ludmila. A cientista política afirma que mesmo com o esforço em costurar com o partido nacionalmente, sua candidatura em Goiás não emplaca. Vítor Hugo está na faixa de 3%.

Sobre a dança do aparecidense em se esquivar para achar um tom, Ludmila destaca que é uma jogada perigosa. “Mendanha quer sinalizar ao eleitor bolsonarista, mas ele não conseguirá os votos do bolsonarista raiz, pois esse já tem o Major Vitor Hugo (PSL) para ‘chamar de seu’. Essas pessoas votam pelo alinhamento ideológico. A preocupação é que dessa forma [acenando ao Bolsonaro], Mendanha não absorve o eleitor progressista e não capta aqueles mais radicais”. Ela comenta também sobre o fato de Caiado já ter se posicionado com um forte marcador de distinção de mandato em relação ao projeto político de Bolsonaro.

O alinhamento de Mendanha e Marconi também não pode trazer benefícios a curto prazo. O espaço que o PP abriu para o Gustavo se fecha a partir desta aliança. Rosa afirma que, neste caso, “as coisas começam a ficar remotas”. Ela explica que por mais que o partido tenha aberto este espaço para Mendanha, caso Marconi Perillo bata o pé e decida lançar seu nome ao Senado Federal, “quem em sã consciência abriria mão de quase ¼  do eleitorado para se aliar com um candidato que ainda está amargando na casa de um único dígito?”, se referindo ao presidente do partido, Alexandre do Baldy.

Porém, ao criar uma chapa com Marconi, pode não ser a solução. Ludmila diz que não faz parte do perfil de Marconi e nem do PSDB goiano os gestos de atração ao público conservador. “Dificilmente o PSDB fará uma chapa pura com Marconi ao Senado e Mendanha para o Governo Estadual. O partido não tem força política para isso”, afirma. Ela ressalta que Mendanha precisa ainda desconstruir os acenos a Bolsonaro caso escolha caminhar ao lado de Marconi, entretanto, “até que ponto isso é coerente? Esvazia de um lado e de outro”. O mesmo acontece com um possível apoio do PT, condicionado ao apoio mútuo para Lula (PT).

Questionada sobre o que poderá acontecer, Ludmila afirma que Mendanha pode entender o processo eleitoral de 2022 como uma forma de alavancar seu nome ou de realmente ter a convicção de que existe uma janela de oportunidade para seu crescimento nas pesquisas, apesar de nos bastidores, isso parecer uma possibilidade miúda.