O anúncio foi feito pelo secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Cruz. Polícia Federal foi acionada para investigar crime

O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Cruz, que assumiu a pasta com a exoneração do ministro Sarney Filho, que reassumiu o mandato de deputado federal (PV-MA) para participar da votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, anunciou nesta quarta-feira (26/10) que os focos de incêndio no interior do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás estão prestes a ser controlados.

“As linhas de incêndio já estão sendo controladas. As condições climáticas estão nos permitindo atuar também à noite, ou seja, 24 horas por dia”, afirmou Cruz.

De acordo com o secretário, uma das três linhas de incêndio enfrentadas na região do parque nacional já tinha sido completamente debelada nesta manhã. Uma segunda frente de trabalho estava prestes a apagar totalmente as chamas da segunda linha, ao mesmo tempo que procura evitar que as brasas e o calor deem início a novos focos de incêndio.

“Estamos centrando esforços para conseguir conter o incêndio na terceira linha, que fica fora dos limites do parque nacional”, explicou Cruz. Esse é um dos  maiores incêndios que já atingiram a unidade de conservação desde a sua criação, em 1961.

Cerca de 200 brigadistas e bombeiros se revezam noite e dia. Ainda assim, até a manhã desta quarta-feira (25/10), as autoridades ambientais calculavam que mais de 60 mil hectares de vegetação já tinham sido consumidas pelas chamas. Além da morte de animais, isso significa que aproximadamente 25% dos 240 mil hectares totais do parque foram atingidos. Um hectare corresponde às medidas de um campo de futebol oficial.

Além dos brigadistas e bombeiros, cerca de 100 voluntários participam da operação coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que conta com cinco aviões-tanque do próprio instituto, um avião Hérculos C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), e quatro helicópteros e veículos.

Para Cruz, apesar dos estragos, a operação pode ser considerada “exitosa” se forem levadas em conta as “condições climáticas bastante severas” que os brigadistas e voluntários estão enfrentando em toda a região.

“Pode parecer um paradoxo, mas o incêndio que está ocorrendo é o maior da história. As condições climáticas estão bastante severas, não só no Cerrado, mas no país inteiro. As temperaturas estão elevadas, o clima está muito seco, a estiagem foi muito maior que em anos anteriores e os ventos estão mais fortes”, comentou Cruz.

De acordo com o coordenador-geral de Proteção do ICMBio, Luiz Felipe de Luca, o total de áreas destruídas pelo fogo em todo o país está muito próximo aos dados do ano passado, mesmo 2017 tendo sido “um ano crítico”. Em 2016, 1,1 milhão de hectares foram devastados pelas chamas. Este ano, o levantamento já aponta um resultado próximo a um milhão de hectares queimados. O ICMBio é uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente,

“Possivelmente, o número no final do ano vai ser superior [ao de 2016], mas deve ficar próximo, porque, historicamente, o período crítico já está próximo do fim nas áreas de maior incidência de incêndios e, mesmo que ocorram novos incêndios, eles deverão ser de menor monta”, disse Luca.

O ministro confirmou as informações de que há indícios de que o incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criminoso.

“Existem fortes indícios de que o incêndio foi criminoso. Testemunhos informais de moradores revelam que motoqueiros foram vistos levando galões de gasolina. Isso é uma variável difícil de contermos”, disse o Cruz, assegurando que o ministério já solicitou ao Ministério da Justiça que a Polícia Federal investigue o caso.

Por motivo de segurança, o parque permanece interditado para visitação, por tempo indeterminado. (Com informações da Agência Brasil)