Falta de vagas nas unidades públicas de saúde, rotina estressante e alto custo do tratamento são alguns dos obstáculos enfrentados por pais de pacientes

Neurologista Hélio Van der Linden

O neuropediatra e neurofisiologista Hélio van der Linden Júnior ministra, em Goiânia, palestra sobre os desafios para o diagnóstico e tratamento de crianças dentro do espectro autista (TEA).

“Para se ter ideia, a estimativa de pessoas com autismo no País é de aproximadamente 2 milhões. O número tem crescido cada vez mais e é necessário que o poder público volte sua atenção para esses pacientes e seus familiares”, defende.

O evento será realizado neste sábado (2/12), a partir das 8h30, a convite do Centro de Intervenções e Estudos Neuro Comportamentais (CIEC) e da clínica T.O Kids.

A palestra é gratuita e versa sobre “O impacto do autismo na família: uma jornada de desafios e descobertas”. E van der Linden tem autoridade, não somente científica, para discorrer sobre o assunto. É que ele também é pai de uma criança com TEA.

“Esse compartilhar de experiências é muito importante, pois um diagnóstico de autismo provoca profundas mudanças nas famílias. Há o impacto emocional, que não pode de forma nenhuma ser menosprezado. Existem vários estudos, inclusive, que comprovam que os pais diretamente envolvidos nos tratamentos de seus filhos estão mais sujeitos a problemas como depressão e estresse”, exemplifica. “Os parentes do paciente precisam de orientações, de apoio terapêutico. Só quem vive uma rotina com um filho especial sabe dos obstáculos a serem vencidos dia após dia”.

Um dos pontos altos da discussão será o impacto financeiro do tratamento às famílias que não conseguem por meio da rede pública de Saúde. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) – órgão norte-americano próximo do que representa, no Brasil, o Ministério da Saúde -, as intervenções intensivas comportamentais custam de 40 mil a 60 mil dólares por ano por criança com autismo.

“No Brasil, dados e pesquisas ainda são escassos, mas se fizermos a equivalência dessa estatística, teríamos o custo de 10 a 16 mil reais por mês, considerando o valor do dólar de R$ 3,20. E vale lembrar que estamos falando apenas dos gastos com as terapias baseadas na Análise do Comportamento (ABA), sem citarmos outras que também se fazem necessárias para esses pacientes”, destaca.