Após 14 anos foragido, um homem condenado pelo homícidio do instrutor de autoescola, Eduardo Henrique Cruvinel Cabral, ocorrido em Rio Verde, em 2011, foi preso no Paraguai. A ação foi possível graças ao sistema de integência da Polícia Civil e o compartilhamento de informações com outras forças de segurança.

Segundo o delegado Danilo Fabiano, Vargas Quintiliano da Costa foi condenado a 24 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado. Na época, a motivação do crime seria o fato do homem suspeitar que a então esposa estaria tendo um caso extraconjugal com o instrutor, o que não foi confirmado à época. Mas, em 2012, ele conseguiu fugir da Casa de Prisão Provisória de Rio Verde, juntamente com outros quatro detentos. Como o homem ainda não constituiu advogado, não foi possível pedir um posicionamento da defesa.

Segundo o delegado, desde a fuga, a corporação passou a realizar buscas para localizar o condenado, mas, durante anos, não possível encontrar pistas concretas sobre o homem, principalmente porque ele teria passado a utilizar identidades falsas.

Momento em que o homem chega à delegacia em Rio Verde

Tecnologia foi aliada crucial para a investigação

Nos últimos anos, os investigadores passaram a utilizar bancos de dados de identificação para tentar encontrar possíveis registros do foragido, o que ganhou força depois de novas informações de que ele estaria utilizando documentos falsos. O confronto das digitais existentes em Goiás e no Pará confirmou que se tratava do mesma pessoa. Entretanto, no estado nortista, ele utilizada o nome de Daniel.

“Começamos, nos últimos anos, a fazer um confronto das digitais, porque surgiu uma informação de que ele poderia estar utilizando identidade falsa. Nesses confrontos, conseguimos identificar que ele tinha uma identidade no Pará. Confrontamos o banco de dados de Goiás com o banco de dados da Polícia do Pará e verificamos que era a mesma pessoa. Só que ele utilizava o nome de Daniel”, destaca Danilo Fabiano.

Apesar disso, os policiais descobriram que o homem já não estava mais no Pará há quatro anos. Diante da possibilidade de ele não estar mais em território brasileiro, a corporação goiana pediu apoio à Polícia Federal, para quem foi compartilhada as informações.

“A gente pediu o apoio da Polícia Federal porque havia uma possibilidade de ele ter saído do país. A Polícia Federal nos prestou auxílio, perguntando aos demais países vizinhos, como Paraguai e Bolívia. Foi quando descobrimos que ele era cidadão paraguaio.”

Drones captaram Vargas Quintiliano no Paraguai

Uma equipe da Polícia Civil goiana foi ao Paraguai e teve êxito em encontrar e prender o condenado na última quinta-feira, 13. “Foi um trabalho de muita persistência e também utilizando recursos de tecnologia. Foi um trabalho coordenado da Polícia Civil, além do apoio da Polícia Federal.”

Além do confronto das digitais, outro fator crucial para determinar que era o preso era Vargas Quintiliano foi o fato do homem não ter o penúltimo dedo do pé direito. “Na hora que chegam até ele no Paraguai, não só pelas imagens do rosto, mas também pela confirmação da deficiência que ele tinha no pé, foi possível constatar que realmente era o Vargas.”

A ausência de um dedo no pé direito foi crucial para identificar o foragido | Foto: divulgação/PC

Vargas Quintiliano foi recambiado a Goiás, chegando em Rio Verde na noite desta sexta-feira, 14, e já se encontra no presídio da cidade. Segundo Danilo Fabiano, o homem vai iniciar agora a cumprir pena pela morte do instrutor e também responderá por outro crime. “Agora vamos dar início a uma investigação contra ele também por uso de documento falso”, explica o delegado.

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