HPV: apenas 32% das meninas de 11 a 13 anos receberam segunda dose da vacina em Goiás

Secretaria Estadual de Saúde culpa boatos de efeitos colaterais pela baixa procura. Gerente de Imunizações do órgão, Clécia Vecci, alerta a importância da imunização: “é preciso tomar todas as doses para estar protegida”

Foto: Manuella Brandolff / Fotos Públicas

Foto: Manuella Brandolff / Fotos Públicas

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, apenas 32,34% da população alvo da vacinação contra o papiloma vírus humano (HPV) – meninas entre 11 e 13 anos – foi imunizada com a segunda dose da vacina. Após dois meses do início do período de imunização, 49.671 doses foram aplicadas, ante um total do público alvo de 153.583. O percentual é muito inferior aos 99,61% conseguidos na primeira dose da vacina, quando 152.229 meninas foram imunizadas, de um total de 152.823.

Gerente de Imunizações da Secretaria Estadual de Saúde, Clécia Vecci, explica que o principal motivo deste baixo índice se dá, principalmente, pelo surgimento de boatos acerca da vacina. “Muitas meninas ficaram com medo após casos de reações adversas terem sido divulgados. Um deles, supostamente ocorrido em Bertioga (SP), onde três meninas da mesma sala de aula passaram mal”, lamenta ela.

Com efeito, a profissional garante que não há qualquer motivo para preocupação. “Qualquer pessoa está sujeita à uma reação adversa. Mas, a maior parte delas são de origem psicológica, nervosa”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção Online. “Em Goiás, foram notificados eventos adversoso esperados, como dores locais e, nos casos mais extremos, desmaios. Contudo, reforço, a maioria das vezes estes são frutos de reações nervosas”, assegurou.

De acordo com Clécia, é indispensável que a adolescente tome todas as doses da vacina: “o HPV causa doenças graves e é o terceiro tumor mais frequente na população feminina. É, ainda, a terceira causa morte da população feminina”. Ela explica que a vacinação continua em todo o Estado e, quem ainda não tomou, deve procurar um posto de vacinação: “a vacina é usada em outros Países e tem eficácia comprovada”.

Ações

Gerente de Imunizações da SES (Foto: reprodução / Facebook)

Gerente de Imunizações da SES (Foto: reprodução / Facebook)

Ela explica, ainda, que as ações da secretaria vão ser reforçadas para que haja uma melhora nos índices. “Na última semana realizamos um seminário com profissionais da Saúde e entidades científicas para discutir os eventos adversos e a importância da vacinação”, lembrou. “Queremos reforçar as ações nos municípios, por meio de parcerias com as unidades de Saúde e as prefeituras, garantindo que todas as dúvidas das meninas sejam solucionadas”, acrescentou.

Clécia Vecci destacou que novas campanhas de conscientização estão sendo estudadas pela secretaria e ações na mídia deverão ser realizadas também. “O próprio Ministério da Saúde já entrou em alerta”, finalizou.

Dados nacionais

De acordo com levantamento do MiS, 2,2 milhões de meninas com idade entre 11 e 13 anos receberam o reforço da imunização do HPV. O número representa 45% do público-alvo, formado por 4,9 milhões de adolescentes. Após apresentar os dados, a pasta ressaltou que, embora a vacina faça parte do Calendário Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) e esteja disponível durante todo o ano nos postos de vacinação, as adolescentes devem seguir o cronograma de intervalo previsto entre uma dose e outra.

O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Ele também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença, sendo 32% infectadas pelos tipos 16 e 18.

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