Hospedagem via aplicativos cai no gosto dos goianos. Saiba quais são as vantagens

Para quem se hospeda é uma forma de poupar, para quem oferece o espaço é uma maneira de ganhar um extra e para ambos é uma boa troca de experiência

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Na hora de se hospedar hoje em dia as opções vão bem além dos hotéis tradicionais. Quem não conhece, precisa saber que aplicativos de hospedagem existem e já fazem muito sucesso entre os usuários. As opções ficam mais baratas para quem procura e se torna uma fonte extra de renda para quem anuncia. Isso porque os aplicativos permitem que o anunciante alugue um quarto extra ou compartilhado em sua própria casa.

É o que acontece com o estudante de medicina, Valdir Mendes, de 33 anos, que aluga um quarto em sua casa, no Setor Sul, de vez em quando. Como ele não tem renda fixa, e só recebe ajuda dos pais, decidiu alugar um quarto usando o aplicativo Airbnb, um dos mais conhecidos atualmente. “Alugo o quarto de hóspedes e, além disso, a única coisa que divido com o hospedeiro, quando há um, é o café da manhã. Esse esquema, além de quebrar um galho financeiramente, faz com que eu conheça pessoas diferentes e troque experiências”, conta.

Outra adepta aos aplicativos é a professora de inglês Natália Vieira, de 26 anos. Ela usa o couchsurfing, um estilo de hospedagem que também virou aplicativo de hospedagem e tem como diferencial oferecer sua residência a viajantes sem nenhum tipo de troca, apenas pela experiência de conhecer novas culturas em geral, línguas e costumes.

No couchsurfing, explica Natália, “cada um tem seu perfil e é possível escolher hospedar outros viajantes ou não”. Neste caso, explica a professora, tanto viajantes quanto hospedeiros prezam bastante por informações mais detalhadas nos perfis, assim como recomendações de experiências anteriores.

“Conheci o aplicativo ano passado quando fiz uma viagem a Buenos Aires e fiquei um mês usando dois aplicativos de hospedagem: o Couchsurfing e o Worldpackers (trabalho em troca de hospedagem). Usei o Couchsurfing por uns dias, e o Worldpackers a maior parte do tempo da viagem, quando troquei hospedagem por aulas de inglês”, relembrou a professora que achou a experiência extremamente satisfatória a ponto de abrir as portas da própria casa.

Se há pessoas que usam ocasionalmente para ganhar um dinheiro extra, outras que apenas oferecem sua casa para troca de experiência, outros usam os aplicativos tendo um foco exclusivamente financeiro. É o caso do administrador Inimá Ferreira, que aluga 16 imóveis entre flats e galpões apenas por aplicativos na capital.

“No caso dos flats, o rendimento é maior e os valores ficam, em média, de 150 a 200 reais a diária, dependendo da quantidade de pessoas. Aplicativos como Airbnb ou OLX ajudam sempre, são rápidos e muitos conhecem. Então a oferta chega mais rápido para quem procura, além disso, alugar por curtos períodos de tempo é financeiramente melhor”, revela.

Airbnb é a maior plataforma de compartilhamento de lares e experiências de viagens do mundo

Valdir, Natália e Inimá são apenas três de milhares que já utilizam estes aplicativos em Goiás e no Brasil. Um estudo do Airbnb, por exemplo, mostrou que hoje, em todo território nacional, já são mais de 167 mil anúncios, sendo que 71% são referentes a imóveis inteiros, 27% a quartos privativos e 2% a quartos compartilhados. Já em Goiás, dados de abril de 2018 mostraram que existem 1.500 anfitriões e cerca de 400 na capital.

Atualmente, o Airbnb é a maior plataforma de compartilhamento de lares e experiências de viagens do mundo, com cerca de cinco milhões de lugares para hospedagem em 81 mil cidades em 191 países. De acordo com a plataforma, a atividade realizada entre hóspedes e anfitriões é o aluguel de temporada, que está prevista e regulamentada pela Lei do Inquilinato. O aluguel não é uma prestação de serviço, e a locação por temporada não é um “meio de hospedagem” como um hotel ou pousada.

Apesar dos números, das facilidades e da legalização, o advogado e diretor da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB, Caio Cesar Mota, alerta sobre riscos dessas modalidades que devem ser bem analisadas antes do fechamento do negócio. “Alugar um apartamento via Airbnb ou através de outro aplicativo dá sim possibilidades de ganhos maiores para os proprietários de imóveis, boas trocas de experiência e não existe nada de ilegal nisso, desde que não infrinja, por exemplo, as normas do condomínio em que vai acontecer”, afirma.

Em lugares como Nova York, Berlin, Miami, leis de zoneamento já têm sido trabalhadas a fim de proibir locações com curtos períodos de tempo para barrar este método de hospedagem. Em Miami, a regulação imputou prazo mínimo de seis meses de locação.

“No Brasil ainda são poucas ações a fim de regular a operação do Airbnb, então, surgem as primeiras preocupações, vez que os condomínios residenciais, via de regra, não estão aptos a operarem dessa forma, o que pode gerar perturbação ao sossego dos vizinhos e insegurança, podendo gerar conflitos”, complementa Caio.

O advogado conclui, portanto, que para evitar maiores transtornos, em especial com relação aos métodos pouco convencionais e seguros de locação, é importante que os próprios condôminos se antecipem, regulando a relação com os moradores, estabelecendo, se necessário, limites para que não seja comprometida a segurança da edificação e da coletividade.

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