“Há tendência de que o PSDB deixe o governo Temer”, diz presidente do partido em Goiás

Giuseppe Vecci confirmou a saída de Aécio da presidência do PSDB e disse que cúpula tucana aguarda confirmação de áudios para definir posicionamento sobre governo

Deputado federal Giuseppe Vecci, presidente do PSDB em Goiás | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O PSDB, um dos principais aliados do governo Temer, pode ser o primeiro partido a deixar a base aliada após divulgação do conteúdo da delação premiada de executivos da JBS que implicam de forma direta o presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Segundo o presidente da sigla em Goiás, deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB), existe a discussão sobre a debandada tucana, inclusive com a entrega de todos os cargos que o partido ocupa no primeiro escalão.

“Existe essa tendência dentro do partido, mas por enquanto temos apenas transcrições de supostos áudios de uma delação. Não tomaremos nenhuma decisão com base apenas nisso. Aguardamos a divulgação dos áudios ou algo mais concreto, para escolher o melhor caminho para continuarmos lutando por uma renovação na política”, afirmou.

Vecci confirmou o afastamento de Aécio Neves, também comprometido pelo conteúdo da delação, da presidência do partido. Assumirá no lugar dele o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que deve ser efetivado no cargo na próxima sexta-feira (19/5) ou na segunda, dia 22.

“Recebemos com tristeza toda essa situação, mas o partido entende que precisa continuar a discussão que vínhamos levantando antes, de renovação das práticas políticas, uma agenda de desenvolvimento da recuperação da economia, das questões sociais, de colocar o país nos trilhos. Isso está acima de tudo”, disse o deputado federal.

 A Delação

Na noite da última quarta-feira (17/5), o jornal O Globo publicou transcrição de áudios que fariam parte de uma delação premiada firmada entre Ministério Público Federal e executivos da JBS.

Aécio Neves foi gravado e denunciado por Joesley Batista, dono da holding J&F (que controla a JBS Friboi), em suposto esquema de pagamento de propina. Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, Aécio Neves aparece em áudio pedindo R$ 2 milhões a Joesley.

O dinheiro teria sido entregue a um primo do tucano e o encontro foi filmado pela Polícia Federal. A PF rastreou o trajeto do dinheiro e concluiu que foi depositado em uma empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Na manhã desta quinta-feira (18/5), o senador foi alvo de operação da Polícia Federal com base nas acusações feitas por executivos. Foram presos a irmão de Aécio, Andrea Neves, o primo de Aécio citado na delação e um procurador do Tribunal Superior Eleitoral.

Além disso, o STF autorizou buscas em endereços ligados ao senador em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, inclusive no gabinete dele no Senado Federal. Por decisão do Supremo, Aécio foi afastado do cargo de senador.

Temer
Na mesma delação, da qual também participaram Wesley Batista e outros cinco representantes da empresa, existe uma gravação de um encontro entre o presidente Michel Temer (PMDB) com Joesley na qual o presidente teria sugerido que se mantivesse o pagamento de uma mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que esses ficassem em silêncio.

Conforme a reportagem, Batista firmou delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e entregou gravações sobre as denúncias. Segundo o jornal, ainda não há confirmação de que a delação do empresário tenha sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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