Guardas municipais agridem paciente com dor renal em UPA de Goiânia. Veja vídeo

Jornal Opção flagra momento em que Ana Paula Mendes dos Santos é detida por integrantes da GCM, ação registrada em fotos pela reportagem

Ao questionar motivo da prisão, a paciente Ana Paula Mendes foi retirada da unidade de saúde e presa por guardas civis metropolitanos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Uma paciente foi agredida por guardas civis metropolitanos (GCM) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Itaipu, no Residencial Itaipu, em Goiânia. O ato violento aconteceu na tarde desta quarta-feira (28/3) quando a mulher questionou a demora no atendimento. Com dores renais e suspeita de pedra nos rins, Ana Paula Mendes dos Santos, de 25 anos, teve o braço torcido e o rosto pressionado ao chão. O Jornal Opção flagrou o momento em que a moça, aos gritos de dor, foi colocada primeiro no banco detrás da viatura e, depois, no porta-malas.

A reportagem chegou minutos depois de a jovem ter sido levada para um corredor próximo à sala onde estava o corpo de um paciente. Desesperada e algemada, Ana Paula avisa aos guardas que sente muita dor. “Tá doendo, tá doendo”, reclamava.

No vídeo da prisão arbitrária, outros pacientes tentam ajudá-la. “É um absurdo isso, é um absurdo”, repetia a sobrinha Maria Angélica. “É uma falta de vergonha na cara. Solta ela, ela está com cólica de rins.”

 

Maria Angélica descreveu que a tia foi levada à força para os fundos da unidade. “Ana Paula estava sentada no chão, com dores. Prenderam a cabeça dela no chão. Pedimos para soltarem, mas os guardas tiraram a gente de perto”, contou.

Sem atendimento

Na unidade, pacientes e acompanhantes indignados contaram que aguardavam desde cedo por um médico. Logo após a agressão, Maria Lúcia Fidelis de Souza, de 55 anos, que acompanhava a mãe, Aldizina Souza, de 83 anos, decidiu procurar outra unidade. “Esperamos muito e nada. Minha mãe está passando mal há três dias. Não sabemos o que fazer”, revelou Maria.

A idosa chegou à unidade às 10 horas da manhã, conforme verificou a reportagem na ficha da paciente. Sem atendimento, Aldizina saiu da unidade às 16h45. A direção da UPA Itaipu informou que contava com três médicos: um cirurgião, clínico geral e um pediatra. Sem saber explicar o motivo de a idosa ter ido embora, a diretora concluiu: “Ela foi porque quis”.

Detida

Já na Central de Flagrantes, para onde foi levada, Ana Paula continuou a reclamar de dores. “Os policiais me deram medicamentos, mas ainda dói muito. Preciso de um médico, moço”, disse. De acordo com um policial civil, a paciente foi detida por desacato a autoridade e desobediência.

Liberada sem pagar fiança, Ana Paula disse que irá no final da noite ao Cais Nova Era, em Aparecida de Goiânia. “Ainda dói muito a barriga. Estou muito machucada por causa das agressões. Por isso decidi procurar um médico depois da delegacia.” A jovem não prestou queixa contra os guardas municipais.

Até o início da noite desta quarta-feira, a prefeitura não respondeu à reportagem. Veja abaixo sequência de fotos do momento em que a paciente é retirada do banco da viatura e colocada no porta-malas do veículo da GCM:

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Paulo henrique

Cara de piriguete drogada..

Luciano Almeida

Essa é a “saúde regular” propalada pelo prefeito Iris Machado? Porque o prefeito não é “tratado” na rede municipal, mas por particulares? A resposta está aí. A truculência desses “guardas” é um reflexo da arrogância do prefeito. Despreparo, incompetência e incapacidade são as “virtudes” do prefeito e das suas criaturas – enquanto a população sofre com a omissão, o descaso, a negligência e o descompromisso dos “servidores públicos” – e a saúde é caótica.

Adelman Araújo Filho

Isso é um absurdo para o povo goiano. Uma vergonha que vai ganhar o mundo manchando mais uma vez a imagem do nosso Brasil. A gestão municipal e este polical municipal tem quer responsabilizados e punidos