Governo Federal impõe sigilo sobre encontros de Bolsonaro com pastores goianos

Esquema de corrupção que derrubou o ministro da Educação, liga pastores a Bolsonaro em, pelo menos, três encontros

A Presidência da República se recusou a divulgar informações das reuniões e visitas ao Palácio do Planalto feitas pelos pastores goianos Arilton Moura Gilmar Santos ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Os religiosos são apontados como pivôs do escândalo de propinas no Ministério da Educação (MEC). De acordo com a agenda oficial do presidente, os pastores se reuniram com Bolsonaro ao menos três vezes, no Palácio do Planalto, e uma, no MEC, com a presença do então ministro da Educação, Milton Ribeiro. Porém, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) se recusou a informar as visitas dos religiosos registradas nas portarias do Planalto que possam ter ficado fora da agenda.

Os registros de visitas dos pastores ao gabinete de Bolsonaro foram recusados mesmo depois de veículo de comunicação ter solicitado os dados referentes às entradas e saídas dos referidos pastores através da Lei de Acesso à Informação (LAI). Quando se visita o Palácio do Planalto, as pessoas precisam se identificar com documentação e dizer para qual gabinete irão. Caso seja autorizado pelos responsáveis das áreas, a entrada é permitida. Durante a tramitação dos pedidos via LAI, o GSI apresentou um parecer alegando que não poderia fornecer a informação por questões de segurança. “Do exposto, fica clara a impossibilidade do fornecimento dos dados pessoais solicitados para outros fins que não a segurança na Presidência da República”, afirma a resposta oficial ao pedido. A Presidência da República não quis se pronunciar sobre o caso.

Em Goiás

Os senadores goianos ligados ao segmento evangélico, Luiz do Carmo (PSC) e Vanderlan Cardoso (PSD) são contra as investigações sobre os supostos esquemas de corrupção do MEC. Segundo eles, se trata de uma proposta eleitoreira. Dentre os representantes goianos no Senado Federal, apenas o deputado Jorge Kajuru (Podemos) é a favor do requerimento que propõe a abertura das apurações.

Luiz do Carmo se posiciona contra as investigações argumentando que se trata de uma CPI política com objetivo de “sangrar” o presidente, que tens fins eleitoreiros, já que estariam com medo de “enfrentar o presidente no voto normal”, e ainda pode “parar o Brasil de novo”. Bolsonaro foi ligado ao caso porque, em um áudio, Milton Ribeiro diz que “a prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor GIlmar” por uma orientação que o presidente teria dado em relação a “questão do Gilmar”. Segundo ele, o pastor vendeu facilidades para os prefeitos, mas o presidente e o ministro não sabiam de nada. Ele acredita que as investigações do caso devem ficar a cargo do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia FederaL (PF), pois CPI deve ter como foco coisas graves e a crise no MEC, para o senador, é coisa “muito pequena.”

O prefeito de Bonfinópolis, município da região metropolitana de Goiânia, deu detalhes das abordagens dos pastores ligados à Igreja Ministério Cristo para Todos. Segundo ele, Arilton Moura e Gilmar Santos chegaram a cobrar propina de R$ 15 mil para viabilizar a construção de uma escola com 12 salas, orçada em R$ 7 milhões, no município.

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