Goiás tem só 66% de cobertura na 2ª dose contra sarampo e acende alerta
25 agosto 2026 às 18h13

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Goiás não registra casos confirmados de sarampo em 2026, mas a circulação do vírus em outras regiões do Brasil e no exterior mantém as autoridades de saúde em alerta. A preocupação aumenta diante da cobertura vacinal abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde, principalmente para a segunda dose da tríplice viral.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), os últimos casos confirmados da doença no Estado ocorreram em 2020. Atualmente, a cobertura da primeira dose da tríplice viral está em 86,19%, enquanto a segunda alcança apenas 66,91%. O imunizante protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Diante do risco de reintrodução do vírus, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) reforça a necessidade de atualização da caderneta de vacinação, especialmente entre crianças.
A infectologista do HDT Marina Roriz explica que pessoas que ainda não receberam as doses recomendadas devem procurar uma unidade de saúde para completar o esquema vacinal. Neste momento, porém, não há orientação para aplicação de uma dose adicional em quem já está com a vacinação completa.
“É intensificando a necessidade das crianças manterem as carteiras de vacinação em dia, vacinando os grupos que têm a recomendação de fazer a vacina. A gente não teve ainda aquela recomendação de fazer uma dose extra, mas pelo menos as pessoas que ainda não receberam a vacina, que têm indicação de receber, precisam receber”, afirmou ao Jornal Opção.
A diretora técnica e infectologista do HDT, Thais Safatle, também destaca que a orientação vigente em Goiás segue o calendário de vacinação de rotina do Ministério da Saúde. A estratégia é diferente da adotada em alguns municípios de São Paulo, onde uma dose adicional passou a ser oferecida em determinadas situações.
Cobertura da segunda dose está em 66,91%
A baixa cobertura da segunda dose é um dos principais pontos de atenção. A meta de 95% é considerada necessária para ampliar a proteção coletiva e reduzir as chances de circulação do vírus.
No calendário infantil, a tríplice viral é aplicada em duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Para adultos, a recomendação depende da idade e do histórico vacinal. Pessoas entre 20 e 29 anos devem ter duas doses, enquanto aquelas de 30 a 59 anos devem receber uma dose caso não tenham comprovação de vacinação anterior. O imunizante está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mesmo sem casos confirmados, regiões com maior concentração populacional são consideradas mais vulneráveis à rápida disseminação do vírus caso ele volte a circular.
“Sempre a gente vai ter um maior alerta nos lugares onde a população é mais densa, tem mais densidade populacional, especialmente na área central do Estado”, explicou Marina.
A Região Metropolitana de Goiânia, por concentrar grande número de pessoas, está entre as áreas onde uma eventual transmissão poderia avançar de maneira mais acelerada.
“É uma doença altamente transmissível. Então, onde tiver mais gente, é o maior risco mesmo dela se disseminar”, afirmou a infectologista.
Uma pessoa com sarampo pode infectar outras 10
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida principalmente por secreções respiratórias expelidas por pessoas infectadas. Segundo Marina Roriz, o potencial de disseminação exige atenção.
“Uma pessoa com sarampo pode contaminar outras 10 pessoas. Então, isso é muito alto considerando a possibilidade de contaminação na população”, afirmou.
Entre os principais sintomas estão febre alta, coriza, vermelhidão nos olhos, dor de cabeça, mal-estar e manchas avermelhadas na pele. Em crianças, também pode ocorrer irritabilidade.
“A doença aparece geralmente com sintomas de coriza e hiperemia da conjuntiva, com uma conjuntivite mesmo, e as pintinhas na pele, que são as mais comuns. A característica que todo mundo lembra: as pintinhas vermelhas na pele”, detalhou.
A médica também orienta que pessoas com sintomas evitem ambientes coletivos, como escolas, para diminuir o risco de transmissão.
“Quem estiver doente, perceber que está apresentando febre, não mandar para a escola, por exemplo, é uma atitude que a gente devia manter para sempre, para todas as doenças, não só para o sarampo, mas também para as outras”, disse.
Estado mantém monitoramento
A SES-GO mantém monitoramento para identificar eventuais casos suspeitos de sarampo. O trabalho é realizado em conjunto com as secretarias municipais de saúde e a rede de vigilância epidemiológica.
O acompanhamento inclui análises semanais durante as reuniões do Comitê de Monitoramento de Eventos (CME), responsável por avaliar indicadores e cenários relacionados a doenças e outros agravos relevantes para a saúde pública.
Também está em andamento em Goiás a Campanha Nacional de Multivacinação 2026, voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes de até 14 anos. Entre os pontos de atenção está o risco de reintrodução do sarampo diante de registros da doença no Brasil e em outros países.
Goiás tem estrutura para eventual caso
Apesar da ausência de casos confirmados neste ano, Marina afirma que Goiás possui estrutura para responder a uma eventual ocorrência da doença.
“Sim, a gente tem hospitais preparados, a gente tem equipe que já está recebendo treinamento, e a gente tem vacina para fazer vacinação de bloqueio, principalmente nesses casos”, afirmou.
A vacinação de bloqueio é uma das estratégias utilizadas após a identificação de um caso para tentar interromper a transmissão entre pessoas que tiveram contato com o paciente ou estão próximas da área afetada.
A infectologista ressalta, porém, que evitar a circulação do vírus por meio da vacinação continua sendo a principal estratégia para impedir o avanço da doença e uma eventual pressão sobre a rede de saúde.
“Quanto menos casos, menor o risco da gente ter um problema maior na estrutura de saúde”, afirmou.
Para o HDT, manter altas coberturas vacinais é fundamental para reduzir a possibilidade de circulação do vírus e proteger principalmente crianças, adolescentes e pessoas mais vulneráveis a complicações.
“Dentro do que a gente tem se programado, eu acho que a gente está preparado, sim”, concluiu Marina Roriz.
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