O potencial de Goiás para atrair investimentos e ampliar relações comerciais também chamou a atenção de representantes estrangeiros que participaram do Sustainable Finance Summit 2026. Embaixadores de países como Chipre, Etiópia, Indonésia e Países Baixos estiveram em Goiânia e apontaram o agronegócio, a sustentabilidade e a tecnologia como áreas com espaço para ampliar a aproximação com o Estado.

Para o embaixador do Chipre, Vassílios Philippou, a relação com Goiás já começa a ultrapassar o campo diplomático e cultural. Segundo ele, uma das iniciativas é a parceria firmada com entidades empresariais goianas para aproximar investidores dos dois lados.“Tomamos algumas iniciativas. Assinamos um MOU (memorando de entendimento) com a Fecomércio e a Fieg”, afirmou.

O diplomata também citou uma missão empresarial que deve levar cerca de 25 empresários goianos ao Chipre, em outubro, em parceria com a Invest Cyprus, agência responsável pela promoção de investimentos no país.

Embaixadores presentes no evento. Da esquerda para direita, representante dos Países Baixos, do Catar, da Indonésia, da Etiópia e do Chipre. Foto: Tiago Vechi

A aproximação também envolve instituições de ensino e ações culturais. Para Philippou, a intenção é construir uma relação que combine negócios, intercâmbio de conhecimento e cultura entre Goiás e o país europeu.

Agronegócio aproxima Goiás da Etiópia e da Indonésia

A agricultura aparece como um dos principais pontos de convergência entre Goiás e a Etiópia. O embaixador etíope Leulseged Tadese destacou que a relação entre os dois países ganhou força nos últimos anos e que o Estado tem potencial para ampliar essa cooperação, especialmente nos setores agrícola e sucroenergético.

“Particularmente, estamos trabalhando com a Câmara de Comércio de Goiás e com a nossa comunidade de negócios para fortalecer as ligações entre a Etiópia e Goiás, particularmente no setor agrícola e no setor do açúcar”, disse.

De acordo com o embaixador, empresários goianos já começaram a visitar a Etiópia e a embaixada trabalha para ampliar esse movimento nos dois sentidos. Um dos facilitadores apontados por ele é a existência de voos diretos entre São Paulo e a capital etíope, Adis Abeba. “Nós estamos aqui para promover a Etiópia como uma destinação de negócios”, disse Tadese.

A avaliação é semelhante à do embaixador da Indonésia, Andhika Chrisnayudhanto. Ele afirmou que a boa relação bilateral entre Brasil e Indonésia também se reflete na aproximação com Goiás e destacou a intenção de ampliar tanto o comércio quanto o intercâmbio cultural.

Segundo o diplomata, a embaixada já participou de atividades realizadas no Estado e mantém diálogo com o governo goiano. A expectativa é transformar essa aproximação em novas oportunidades comerciais e de cooperação.

Carne brasileira enfrenta barreira europeia

A relação com o mercado europeu avança, porém, ainda passa por obstáculos regulatórios. O embaixador dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, destacou a importância de Goiás para o setor agrícola e lembrou que produtos goianos chegam ao mercado europeu por meio da infraestrutura logística de Rotterdam.

Questionado sobre as dificuldades enfrentadas pela carne brasileira em entrar na União Europeia, o diplomata afirmou que o cumprimento das exigências sanitárias europeias é fundamental para a ampliação do comércio.

“A União Europeia não quer muito antibiótico em diversos produtos, especialmente na carne. Se você quer entrar no mercado europeu, tem que cumprir com as normas europeias”, afirmou.

Para Gierveld, a solução para as divergências depende da capacidade brasileira de atender aos padrões exigidos pelo bloco. “Espero que o Brasil consiga cumprir com essas normas. Espero que a solução seja encontrada”, disse.

Tecnologia como aliada do campo

Além dos diplomatas, empresários estrangeiros também enxergam no agronegócio goiano um mercado para soluções tecnológicas voltadas à produtividade e à sustentabilidade.

É o caso do empresário Joseph Alexandre, de Orlando, na Flórida, que atua no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial e machine learning e está ampliando a atuação da sua empresa, Perto Costa, em Goiás. Com mais de 25 anos de experiência na área de software, ele afirma ter escolhido o Estado justamente pela força do agronegócio.

“Eu percebi que Goiás é o coração do negócio agro no Brasil”, afirmou.

Joseph Alexandre, empresário de tecnologia vindo de Orlando | Foto: Tiago Vechi/Jornal Opção

A aposta do empresário está no uso de inteligência artificial para melhorar a eficiência das propriedades rurais. Entre as possibilidades estão o uso de dados de satélite para acompanhar a produção, sistemas de previsão e ferramentas capazes de monitorar pastagens e o consumo de água.

Uma das aplicações citadas por ele é o acompanhamento das condições da pastagem para determinar se há alimento suficiente para o gado, permitindo ajustar o manejo antes que a área seja excessivamente explorada.

“Existem múltiplas áreas, especialmente nas fazendas, para aplicar tecnologia de AI para a sustentabilidade”, afirmou.

Para o empresário, a combinação entre tecnologia e agronegócio pode reduzir o consumo de recursos naturais ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade. Entre as possibilidades estão o monitoramento do gado, da pastagem e do uso da água.

O movimento reforça uma mudança na forma como a sustentabilidade é tratada pelo setor produtivo: além de uma exigência ambiental e regulatória, práticas capazes de reduzir desperdícios e aumentar a eficiência começam a ser apresentadas também como oportunidades de negócio.

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