Após cuidar de pacientes, enfermeira de Goiânia enfrenta câncer de mama e faz campanha por tratamento
08 setembro 2026 às 12h10

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Suellen Karlla Soares Barbosa precisou recalcular toda rota de sua vida aos 40 anos após receber o diagnóstico de um câncer de mama. Enfermeira, ela atuou por 12 anos no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage Siqueira (Hugol), em Goiânia, tratando de pacientes que ficavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na enfermaria do setor de queimados.
Além de enfermeira, Suellen também é mãe de um menino de 7 anos. Ao Jornal Opção, Suellen contou que sempre realizou o autoexame das mamas, mas, no ano passado, após encerrar o período de amamentação do filho, percebeu um pequeno caroço na mama direita.
Como ela já conhecia bem o próprio corpo por já realizar o autoexame com frequência, assim que percebeu, buscou ajuda médica. “Eu conhecia bem a minha mama, as duas mamas. Na direita, surgiu um carocinho bem pequenininho, menos de um centímetro. Já de início, procurei atendimento e fui fazer exames para poder ver o que poderia ser”, relatou.
Naquele primeiro momento, Suellen realizou ultrassonografia e mamografia. Como o nódulo ainda era muito pequeno, não havia indicação para biópsia ou punção. A orientação médica foi acompanhar a alteração e repetir os exames seis meses depois. Foi durante esse período de acompanhamento que a situação mudou.
Ao repetir os exames, seis meses depois, Suellen descobriu que o nódulo havia crescido rapidamente. A mudança fez com que os médicos solicitassem uma biópsia. O resultado apontou um carcinoma ductal invasivo, um tipo de câncer que se origina nos ductos mamários e invade o tecido ao redor.
Na sequência, ela passou por um exame de imuno-histoquímica, responsável por identificar características do tumor e auxiliar na definição do tratamento. O resultado apontou um câncer de mama triplo negativo. “Foi um impacto. Eu, que sou da área da saúde, que tanto cuido dos pacientes, agora estou do outro lado. Eu estou na posição de profissional que cuida e me vi do outro lado”, afirmou.
Apesar do impacto do diagnóstico, Suellen diz que tem buscado forças na família, nos amigos, nos colegas de profissão e nas mensagens que recebe de pessoas que passaram pela sua vida durante os anos em que trabalhou como enfermeira. Ela conta que antigos pacientes e familiares de pessoas que cuidou ao longo da carreira passaram a procurá-la depois que souberam da doença. “Eu sempre falava para os pacientes: ‘Você vai se curar, você vai sair dessa’. Agora é a minha vez”, contou.

O tratamento de Suellen começa nesta quarta-feira, 9, no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia. A quimioterapia será realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, segundo ela, o tratamento indicado pelos médicos também inclui imunoterapia.
De acordo com Suellen, a imunoterapia é considerada importante para aumentar as chances de resposta ao tratamento do câncer de mama triplo negativo. O problema é que o medicamento possui um custo elevado e, neste momento, ela ainda não conseguiu acesso à medicação pelo SUS. “Eu estou fazendo pelo SUS e não tenho plano de saúde. O SUS cobre a quimioterapia. Porém, a imunoterapia é uma medicação de alto custo”, explicou.
Segundo ela, o custo estimado para a realização do tratamento com a medicação chega a aproximadamente R$ 35 mil por semana. Em algumas clínicas particulares, conforme os orçamentos recebidos por Suellen, o valor pode chegar a R$ 79 mil, R$ 80 mil ou até R$ 90 mil. Diante da necessidade de iniciar o tratamento rapidamente, ela decidiu pedir ajuda pelas redes sociais enquanto tenta obter a medicação por meio da Justiça.
Suellen já procurou a Central de Medicamentos de Alto Custo Juarez Barbosa, em Goiânia, mas recebeu uma negativa. Agora, busca alternativas para conseguir a imunoterapia, inclusive por meio de uma ação judicial. “Tem um relatório médico que fala que eu preciso fazer a imunoterapia juntamente com a quimioterapia. Eu vou fazer a quimio amanhã e até hoje eu não tenho ainda a imunoterapia”, afirmou.
Enquanto tenta conseguir o medicamento pelo SUS, Suellen e familiares organizam uma campanha para arrecadar dinheiro e possibilitar a compra das primeiras doses da imunoterapia. Mesmo com a arrecadação, ela explica que o processo não é imediato. É necessário solicitar a medicação a um laboratório particular, que precisa realizar a compra antes que o medicamento seja disponibilizado para aplicação.
Por isso, a primeira sessão de quimioterapia pode ocorrer sem a imunoterapia. Inicialmente, estão previstos 17 ciclos de imunoterapia, com uma aplicação a cada três semanas.
“Minha vida é uma vida muito ativa”
O tratamento também deverá mudar completamente a rotina de Suellen. Ela trabalhava em uma escala de 12h por 36h no Hugol e tinha uma segunda atividade profissional, da qual já precisou se afastar. Acostumada a uma rotina ativa e ao cuidado diário de pacientes graves, ela agora precisará adaptar a própria vida à nova realidade. “Não vou mentir que está ruim para mim, porque minha vida é uma vida muito ativa”, afirmou.
Ainda assim, Suellen diz que não está enfrentando essa fase sozinha. Familiares, amigos, profissionais da saúde, antigos pacientes e até pessoas que nunca a conheceram pessoalmente têm se mobilizado para ajudá-la.
As mensagens chegam pelas redes sociais, muitas vezes de desconhecidos que ouviram falar de sua história e decidiram contribuir de alguma maneira. “São muitas pessoas que estão em prol de me ajudar. Eu quero ser testemunha viva disso para poder até ajudar outras pessoas depois”, declarou.
Para Suellen, a própria experiência também mudou sua maneira de enxergar o paciente que está diante de uma doença grave. Durante 12 anos, ela esteve ao lado de pessoas que enfrentavam dores, procedimentos e longos períodos de internação por causa de queimaduras. Agora, é ela quem precisa atravessar um processo igualmente longo. “Eu lido com dor 24 horas por dia. São pacientes muito graves, pacientes queimados. É um processo longo também, um processo demorado. O câncer também é um processo. Vai ser um processo doloroso”, afirmou.
Ela sabe que o tratamento poderá provocar mudanças físicas importantes, inclusive por causa da cirurgia que deverá ocorrer posteriormente. Ainda assim, prefere olhar para a possibilidade de cura. “É algo impactante, mas a gente tem que ter fé. Tem que olhar para frente e acreditar que depende da gente estar bem também para ter um tratamento e alcançar a cura.”
Uma campanha que pretende ir além da própria história
A campanha criada para ajudar Suellen tem como objetivo arrecadar recursos para custear a imunoterapia e outras despesas relacionadas ao tratamento. Para ela, no entanto, a mobilização não deve terminar quando conseguir vencer a própria doença. Suellen espera transformar a experiência em uma oportunidade para ajudar outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.
O desejo ganhou ainda mais força com a proximidade do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização e à prevenção do câncer de mama. “Eu quero estar bem mesmo para poder conseguir fazer campanha, para ajudar outras pessoas. Eu sei que não é fácil. Mas quantas pessoas não têm esse apoio todo? Quantas pessoas estão precisando de ajuda?”, questionou.
Suellen acredita que pequenas contribuições podem fazer diferença quando muitas pessoas se unem em torno de uma mesma causa. “Se todo mundo ajudar com um pouquinho, a gente consegue fazer muita coisa. A união faz a força”, afirmou.
A enfermeira também deixa um agradecimento a todos que têm participado da mobilização, seja por meio de doações, orações, mensagens ou compartilhamentos. “Eu quero agradecer a todos que, de uma forma ou outra, estão me ajudando. Seja em oração, contribuição, emocionalmente, com mensagens ou divulgando o meu caso”, disse.
Como ajudar
Quem quiser contribuir com o tratamento de Suellen pode fazer uma doação por meio da campanha criada pela família. O dinheiro será utilizado para auxiliar nos custos relacionados ao tratamento contra o câncer de mama. Acesse o link clicando aqui.
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