Extrema direita vence eleição estadual na Alemanha pela primeira vez após a guerra
08 setembro 2026 às 11h12

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O partido alemão de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, neste domingo, 6, alcançando cerca de 44% dos votos. Trata-se de um marco histórico para a legenda, pois é a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido dessa orientação chega tão perto de assumir o comando de um governo regional no país. Apesar da vitória nas urnas, a AfD não tem garantia de governo, já que dependerá de negociações parlamentares para formar maioria.
Enquanto a AfD comemora o desempenho, a União Democrata Cristã (CDU), do primeiro-ministro Friedrich Merz e do atual governador Sven Schulz, amargou uma derrota, conquistando apenas 18,5% dos votos. O chanceler Merz, que lidera a coalizão conservadora no governo federal, classificou o revés como “a pior derrota do partido em décadas” e afirmou, em pronunciamento nesta segunda-feira, 7, que “todos estão profundamente chocados” com o resultado.
De acordo com as projeções, outros partidos também garantiriam representação no parlamento estadual, como A Esquerda (9,5%), os Verdes (9%) e os sociais-democratas do SPD (8%). A legenda de Ulrich Siegmund teria assegurado 41 das 83 cadeiras disponíveis, ficando muito próxima da maioria absoluta, mas ainda dependente de acordos com outras siglas para viabilizar a governabilidade.
“O que precisamos na política é confiança”, declarou o candidato da AfD, que pode não se tornar ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador no Brasil, justamente pela falta de maioria consolidada. Siegmund precisará costurar alianças e negociar com outras legendas para viabilizar seu nome ao cargo de ministro-presidente.
Entre as principais bandeiras da AfD que impulsionaram o resultado estão o endurecimento das políticas de imigração e uma aproximação com a Rússia de Vladimir Putin. A sigla defende, inclusive, a adoção de políticas de “remigração”, termo utilizado para defender o retorno forçado de estrangeiros aos países de origem, além de regras mais rígidas para entrada e permanência no país. O partido também propõe mudanças no sistema educacional, como a separação de crianças refugiadas em turmas específicas e maior ênfase na cultura e identidade alemãs nas escolas.
A Saxônia-Anhalt, que possui pouco mais de 2 milhões de habitantes e integrava a Alemanha Oriental durante o período de divisão do país, é um dos principais redutos eleitorais da AfD nos últimos anos. A votação deste domingo foi estritamente estadual e, portanto, não altera a composição do governo federal alemão. A próxima eleição para o Parlamento Federal, que define o governo nacional, está prevista apenas para 2029.
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