Extrema direita avança na Alemanha e pode conquistar governo estadual pela 1ª vez desde a guerra
06 setembro 2026 às 09h11

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A Alemanha poderá testemunhar um marco histórico neste domingo, 6, pois a extrema direita está muito próxima de conquistar, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o comando de um governo estadual. Isso porque os eleitores da Saxônia-Anhalt, no centro-leste do país, vão às urnas para decidir o novo Parlamento regional e, consequentemente, o próximo governador.
A revista “Der Spiegel”, uma das publicações mais influentes do país, estampou em sua capa a imagem do grande protagonista dessa disputa sob o título: “O homem mais perigoso da Alemanha”. Trata-se de Ulrich Siegmund, de 35 anos, atualmente deputado e que ganhou notoriedade nas redes sociais ao proferir ataques contra imigrantes, defender uma identidade nacional fechada e criticar a imprensa.
Segundo dados coletados em agosto, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) disparou nas pesquisas, somando 43% das preferências, contra apenas 22% da União Democrata-Cristã (CDU), que é o partido do atual chefe do governo estadual, Sven Schulze, e também do chanceler federal, Friedrich Merz.
Contudo, uma vitória nas urnas pode não se traduzir automaticamente na conquista do cargo máximo do Executivo regional. Isso acontece porque o governador é eleito pelo Parlamento estadual e, portanto, a sigla precisaria de uma maioria absoluta de cadeiras para garantir a nomeação de Siegmund. Porém, todos os demais partidos já descartaram qualquer possibilidade de coalizão com a AfD.
Embora esteja bem pontuado, o partido nunca conseguiu eleger um candidato no estado nem firmar alianças para comandar um governo regional, esta é a primeira vez desde 1945 que a sigla possui uma chance de chegar ao poder.
A Saxônia-Anhalt, que integrava a antiga Alemanha Oriental, possui cerca de 2,1 milhões de habitantes e ostenta um dos menores PIBs per capita do país, o que torna a eleição um termômetro para o chanceler Merz, que enfrenta rejeição popular devido à economia estagnada. Após a reunificação, em 1990, a região sofreu com o fechamento massivo de empresas, o êxodo populacional e profundas desigualdades em relação ao oeste alemão, um cenário que persiste até hoje. Esse sentimento de abandono e a desconfiança nos partidos tradicionais, consequentemente, abriram espaço para a ascensão da AfD.
O programa de governo da legenda prevê medidas nacionalistas, como o aumento das deportações de requerentes de asilo rejeitados e a formação de turmas separadas nas escolas para imigrantes e crianças com necessidades especiais. Além disso, a sigla pretende cancelar concessões de emissoras públicas e cortar verbas de projetos considerados “não alemães” ou “antialemães”, sem, no entanto, detalhar o que seria enquadrado nessa definição.
Desde 2023, o braço regional da AfD na Saxônia-Anhalt é classificado pelo serviço de inteligência estadual como uma organização extremista de direita.
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