Goiás já realizou 30 transplantes de órgãos e 118 de córneas neste ano

Estado realiza transplantes de rins, fígado, córneas, medula óssea e músculo esquelético

A família de Wictor Fonseca Rodrigues, de apenas 20 anos, que faleceu nesta terça-feira, 10, após dois dias internado vítima de um acidente na Avenida T-9, em Goiânia, decidiu pela doação de órgãos do estudante após constatação da morte encefálica. A atitude irá beneficiar outras cinco pessoas no estado, que aguardam na fila de transplantes.

Atualmente, a fila de espera por transplantes de órgãos em Goiás conta com 1.552 pessoas. Em nível nacional, a estimativa é de 50 mil. De acordo com a gerente de transplantes da Secretaria Estadual de Saúde, Katiúscia Freitas, o maior desafio da Central Estadual de Transplantes é a recusa familiar da pessoa falecida pela decisão da doação.

A pandemia da Covid-19 gerou prejuízos em relação aos procedimentos, sendo o impacto maior em 2021. Em 2019, quando o Brasil ainda não estava com casos de Covid-19, o transplante de órgãos ou tecidos alcançou a marca de 842 em Goiás. Já em 2020, o total ficou em 571, representando uma queda de 32%. Em 2021, com uma pequena recuperação, tem-se 642 transplantes. No ano passado, foram realizados 120 transplantes renais, 12 hepáticos, 33 de medula e 477 de córneas. Já em 2020, foram 199 transplantes renais, 10 hepáticos, 35 de medula e 327 de córneas. O baixo número no transplantes de córneas se deu pelo fato de que essas cirurgias ficaram suspensas por seis meses por não serem consideradas de urgência.

A doação de órgãos só pode ser feita mediante a morte encefálica, que é a definição legal de morte, sendo a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro, dessa forma, após a notificação, a equipe médica e a família precisa seguir algumas etapas, sendo possível o acompanhamento de um médico de confiança da família e com a permanente fiscalização da Central de Transplantes, sob uma legislação rigorosa. “É um processo muito seguro e sério. Após a notificação, é realizado exames para constatar a morte encefálica. Depois disso, o pessoal da doação de órgãos entra junto com a equipe médica para fazer uma abordagem dessa família, sabendo, claro, o melhor momento para falar, visto que é uma situação triste”, afirma Katiúscia.

A gerente conta que a recusa familiar chegou em 62% dos casos em 2021 e um dos principais motivos para a negativa é a desinformação. “As pessoas desconhecem o processo e isso foi impactado pela pandemia, com a redução de palestras sobre o assunto e treinamentos presenciais para as equipes hospitalares”. A gerente conta que o trabalho de capacitação multidisciplinar está voltando agora e é feita uma preparação para todas as etapas necessárias, como o acolhimento da família, como pode ser explicada a morte encefálica – já que é algo complexo – e também uma sensibilização para a comunidade acadêmica e à população em geral para que se tirem dúvidas em relação a doação.

A enfermeira destaca que a doação só pode ser efetivada mediante autorização da família. “Não importa se a pessoa possui documentos que conste a informação ou até mesmo tatuagem no corpo sobre a decisão. Se a família não autoriza, não podemos doar os órgãos”, afirma. Katiúscia acrescenta que por isso é necessário a conversa desse tema em casa. “A pessoa precisa manifestar essa vontade em vida, para que a família esteja ciente e disposta a fazer a doação”.

Katiúscia destaca ainda que o processo de doação é sigiloso. “A família doadora não pode saber quem será o receptor. Podemos dizer só para qual localização vai o órgão”. Mesmo que os transplantes sejam feitos pela rede particular de saúde, todos os transplantados precisam seguir a fila do Sistema Único de Saúde (SUS).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.