Goianienses contradizem secretária de Iris sobre prioridade na Saúde

Pacientes que utilizam o Sistema Único de Saúde em Goiânia reclamam do péssimo atendimento e da burocracia para conseguir consultas e exames

Mayara Carvalho

Apesar de a secretária de Saúde Fátima Mrué ter dito na última quinta-feira (19/10) que a gestão Iris está “totalmente focada e centrada no paciente”, essa não é a realidade em muitos dos postos de atendimento em Goiânia.

Marcilene Marque e o filho Silas Divino no Ciams Novo Horizonte

O Jornal Opção ouviu usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que aguardavam por atendimento no Ciams Jardim Novo Horizonte. Marcilene Marques, dona de casa, levou o filho para uma consulta com o urologista. Para conseguir um horário com esse especialista, ela esperou por quase dois anos. “É tudo muito lento, esperei quase dois anos por essa consulta e agora saio daqui com pedidos de exames que só Deus sabe quando vou conseguir fazer”, desabafa.

Já o senhor Iraci Antônio aguardava a esposa que estava na unidade para levar resultados de exames. Mesmo para esse atendimento básico, a espera já durava cerca de três horas: “Eu fui lá dentro saber porque minha esposa estava demorando tanto e ela disse que o computador estava com problema. Quando não é o médico que falta é o computador que não funciona”.

Ele conta ainda que recentemente se consultou com um cardiologista e que para conseguir a consulta, aguardou durante oito meses. “Quando me ligaram para falar que a consulta tinha saído eu nem me lembrava mais. Se fosse caso de morte eu teria morrido”, avalia.

Já no Cais do Bairro Goiá a situação era ainda pior. a comerciante Lorena Katiele estava em busca de atendimento para a mãe e para o filho de apenas cinco anos, ambos com pressão alta. Ela conta que antes de chegar lá procurou, sem sucesso, atendimento no Cais de Campinas. “Não conseguimos atendimento em Campinas porque lá tinham mais de 100 pessoas na nossa frente. Chegamos lá às 8 horas da manhã e saímos ás 16 horas sem pelo menos passar por uma triagem”, denuncia.

Lorena contou à nossa equipe que quando chegou no Bairro Goiá, o Cais estava sem energia, e por isso não sabia se conseguiria atendimento pelo menos para a mãe, já que não há pediatra na unidade. “Meu filho é obeso, está com a pressão 15 por 8 e tem apenas cinco anos. H

Alex Sandro com a enteada Rebeca Heloísa no Cais do Bairro Goiá

oje ele, infelizmente, vai ficar sem atendimento”, lamenta.

Foi com essa situação que o Alex Sandro se deparou ao chegar procurando atendimento para a enteada Rebeca Heloísa de 16 anos que se contorcia de dor. “Me sinto de mãos atadas porque a gente não pode fazer nada. Vamos de um lado para o outro em busca de socorro e ninguém faz nada”, diz revoltado.

A situação dos entrevistados pelo Jornal Opção apenas nesta sexta-feira (20/10) é a mesma de milhares de goianienses que procuram as unidades de Saúde da prefeitura, mas não conseguem atendimento. Apesar das declarações da secretária Fátima Mrué, a Câmara Municipal segue com a Comissão Especial de Inquérito que investiga o caos na área.

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