Goiânia sedia 2º edição de encontro para debater autismo

Na sede da OAB-GO, profissionais e pais discutirão temas como seletividade alimentar, terapias mais eficazes e comunicação funcional 

Patrícia Beltrão Braga, uma das palestrantes do evento | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A partir desta sexta-feira (7/4), Goiânia sedia o 2º Encontro Goiano de Autismo, a ser realizado no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás.

Neste ano, o evento contará com a presença de palestrantes de outros estados e discussões acerca de pesquisas que estão sendo encampadas por especialistas brasileiros que buscam entender o mecanismo biológico do autismo.

Profissionais das áreas da Saúde e da Educação, estudantes e professores, além de pais e da sociedade em geral se reúnem para discutir um transtorno cuja prevalência tem aumentado muito nos últimos anos.

Segundo o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, atualmente a cada 45 crianças, uma está no espectro do autismo. A título de comparação, a estimativa no Brasil dos casos de Síndrome de Down, embora não oficial, aponta a proporção de 1 para 700. Seriam cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down e 2 milhões de autistas no país.

“O autismo tornou-se uma pauta urgente de saúde pública. As unidades do SUS não conseguem absorver a demanda de pacientes e, mesmo que todos os pais conseguissem custear o tratamento particular, que precisa ser intensivo e pode durar toda a vida, não há profissionais suficientes para atender essa parcela da população”, alerta o neuropediatra Hélio van der Linden Júnior, um dos organizadores do encontro.

Conferências

“O que esperar de terapias baseadas na Análise do Comportamento Aplicada?” Esse é o tema que abre o primeiro dia de conferências e que será conduzido pela pós-doutora em Psicologia Comportamental para Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) pelo Centro Médico de Nebraska (EUA), Ana Carolina Sella, também professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Além de workshops para pais e profissionais, que foram realizados nos dias 5 e 6 de abril, o evento prevê uma série de palestras e mesas-redondas, que vão abordar temas variados, como atrasos no desenvolvimento da linguagem, seletividade alimentar, mercado de trabalho, direitos dos pacientes, TEA na vida adulta, moradia independente, entre outros.

Células-tronco

Outro destaque do 2º Encontro Goiano de Autismo é a participação da professora da Universidade de São Paulo (USP) Patrícia Beltrão Braga, que coordena o projeto “A fada do dente” ao lado do neurocientista brasileiro Alysson Muotri, do Instituto Salk, na Califórnia (EUA).

O trabalho busca estudar os mecanismos biológicos envolvidos no TEA por meio de dentes de leite coletados de crianças com autismo por todo o Brasil. “Deles são extraídas células que podem ser transformadas em células-tronco semelhantes às embrionárias e posteriormente diferenciadas em neurônios”, sintetiza. Além do projeto, Patrícia vai falar sobre “Modelando o cérebro para entender o autismo”.

O 2º Encontro Goiano de Autismo é uma de parceria entre o Instituto Goiano de Análise do Comportamento (Igac), representado pela psicóloga Leana Bernardes; o Centro de Intervenções e Estudos Neuro Comportamentais (Ciec), sob comando da neuropsicóloga Raquel Borges Magalhães; e o neuropediatra e neurofisiologista Hélio van der Linden Júnior.

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