Gestão Iris se nega a comentar fraude na aprovação do Nexus

Por meio de nota, assessoria de comunicação da Seplanh disse apenas que irá se manifestar sobre o assunto na Justiça

A Prefeitura de Goiânia se recusa a dar um posicionamento sobre o resultado da perícia grafotécnica, que constatou que houve falsificação nas assinaturas contidas no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do Nexus Shopping & Business, o gigantesco empreendimento em construção no encontro das avenidas 85 e D, no Setor Marista.

Mesmo diante da oportunidade de cassar as licenças que já foram dadas ao projeto, a gestão Iris optou por não participar da discussão ou comentar o caso publicamente. Por nota, a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação disse apenas que irá se manifestar sobre o assunto na Justiça.

Além disso, a Consciente Construtora e a JFG Incorporações, responsáveis pelo Nexus, disseram que “as empresas não irão se manifestar ao Jornal Opção“, mesmo tendo sido avisada sobre o resultado da perícia primeiramente pela publicação. Outros jornais receberam comunicado em que as empresas alegam “laudo inconclusivo”.

Nota na íntegra da prefeitura sobre caso de falsificação de assinaturas para liberação do Nexus | Foto: Reprodução

Na última segunda-feira (17/7), o Jornal Opção divulgou em primeira mão que o relatório da Polícia Científica do Estado de Goiás, realizado por peritos e que analisou todas as 278 fichas de entrevistas que teriam sido feitas com moradores da região, confirmou que há pelo menos 37 comprovadamente assinadas por uma única pessoa.

Em entrevista exclusiva, a delegada-adjunta da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Lara Menezes, responsável pelo inquérito criminal, explicou que os técnicos dividiram os formulários do Nexus em três grupos “A”, “B” e “C”. No primeiro, foram separadas 18 assinaturas com altíssima probabilidade de terem sido feitas por uma mesma pessoa. Já no segundo, 17 rubricas de um mesmo punho e, no terceiro e último, duas.

Além da perícia grafotécnica, a própria Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente realizou, durante os últimos meses, diligências nos supostos imóveis visitados pela empresa responsável pelo Estudo de Impacto de Vizinhança, a Construtora Milão. O resultado: dos 32 endereços contidos nos relatórios da pesquisa de opinião, apenas dois confirmaram aos policiais que realmente assinaram. A maioria absoluta nunca sequer foi entrevistada.

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