O deputado federal Gustavo Gayer, do PL, considerado uma das figuras mais destacadas do bolsonarismo, disse em entrevista exclusiva ao Jornal Opção que os candidatos da direita a cargos majoritários, incluindo ele próprio, podem ser alvos de operações policiais como uma forma de represália ou até de “moeda de barganha”, segundo ele, em uma suposta estratégia do Supremo Tribunal Federal (STF) de autoblindagem.

Questionado sobre qual desfecho acredita que terá o julgamento sobre a abertura, ou não, de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Gayer, que é uma das apostas do PL para o Senado no pleito eleitoral deste ano, disse que a questão “deve terminar em pizza”, e que a tendência do STF é prever qual será a nova composição do Senado – Casa com poder de alterar a composição da Corte.

“Eles vão ver como vai ser a próxima composição do Senado, se realmente vai ser eleita uma maioria de direita. E aí, a partir disso, vão decidir as próximas manobras. Eles podem muito bem ir para cima dos senadores eleitos. Podem tentar ir para cima dos candidatos. Assim, eles vão fazer de tudo para sobreviver. Estão em modo de sobrevivência, e ficou bem claro que eles não estão nem tentando esconder mais as suas tensões”, afirmou.

O bolsonarista revelou ainda acreditar na possibilidade de ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes de começarem a “fazer buscas e apreensões contra candidatos ao Senado, candidatos da direita, líderes da direita e pessoas próximas à ala da Justiça, para usar isso como ferramenta de barganha” para evitar uma investigação, ou afastamento, de Alexandre de Moraes.

Leia também: Crise no STF pode afetar andamento do código de ética e investigação do caso Master

“Qual o objetivo? ‘Se vocês vierem para cima da gente, se vocês continuarem nessa história, a gente vai para cima dos seus amigos’. Então, há uma possibilidade do Flávio Bolsonaro sofrer busca e apreensão, do [Alfredo] Gaspar, do Van Hatten, do Dallagnol, eu, dos candidatos ao Senado, sermos alvos”, concluiu.

O Supremo Tribunal Federal vive, hoje, uma das piores crises de sua história. Um julgamento em curso – agora paralisado – pode decidir o destino de Moraes e também de André Mendonça. No primeiro dia da discussão no Plenário, houve bate-boca, xingamentos e gritos de “Mentira!” entre os ministros.

O estopim veio com a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O material aproximou o ex-dono do Banco Master do ministro Alexandre de Moraes, e colocou sob suspeita procedimentos adotados pelo relator do caso, André Mendonça, além de dividir os integrantes da corte.

Moraes chegou a pedir que Mendonça fosse investigado e disse que o ministro e colega está a serviço do grupo político que tentou dar um golpe de Estado no Brasil.