Funcionária de Flávio Bolsonaro, irmã de milicianos presos, assinava cheques de campanha em seu nome

Valdenice de Oliveira estava lotada no gabinete do filho o presidente, quando era deputado estadual, e foi usada para manter dinheiro do fundo eleitoral nas contas do PSL

Dois cheques, ao menos, foram assinados por Valdenice Meliga em nome de Flávio Bolsonaro: um de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil | Foto: Reprodução Revista IstoÉ

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entregou as contas de sua campanha ao Senado para a servidora Valdenice de Oliveira Meliga, lotada em seu ex-gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. De sua confiança, ela assinou, ao menos, dois cheques para pagar dívidas de sua campanha ao Senado: um no valor de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil. Flávio assinou uma procuração para Valdenice cuidar das contas e entregou à Justiça Eleitoral.

A Operação “Quarto Elemento” desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro revelou que Valdenice Meliga era irmã de dois milicianos presos: os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Primeiro escândalo envolvendo o “01” do presidente Jair Bolsonaro.

Valdenice assinou o cheque de R$ 5 mil à empresa Alê Soluções e Eventos para pagar serviços de contabilidade da campanha de Flávio. A empresa pertence a Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira, que também era lotada no gabinete do então deputado na Alerj, com salário de R$ 5,1 mil. Durante a campanha, Alessandra também desempenhou a função de primeira tesoureira do PSL.

A reportagem da Revista IstoÉ revelou que sua empresa realizou a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do PSL no Rio Janeiro, uma forma de receber de volta parte dos recursos da verba eleitoral em uma conta de confiança. Ela recebeu, ao todo, R$ 55 mil de todas as campanhas para que prestou serviços. Da campanha de Flávio, ela cobrou R$ 5 mil.

Das pessoas que se candidataram a um cargo pelo PSL no Rio de Janeiro, mais de 95% conquistaram menos de dois mil votos. Candidatas do PSL ouvidas por ISTOÉ relataram que, ao fim, os únicos gastos que efetivamente fizeram na campanha foram com a empresa de Alessandra e o escritório de advocacia de Gustavo Botto, também envolvido no emaranhado.

Karen Valladares, candidata pelo PSL, obteve 2,5 mil votos no RJ e recebeu do partido R$ 2,8 mil para a campanha. Ela pagou às duas empresas e com o que sobrou contratou duas pessoas para cuidar das suas redes sociais. “Foi praticamente uma troca. O valor que a gente recebeu, praticamente teve que devolver. Nem deu para fazer campanha”, diz ela, ouvida por ISTOÉ.

Flávio Bolsonaro divulgou uma nota nesta sexta-feira por meio da assessoria de imprensa. Ele repudiou a a reportagem da revista ISTOÉ e afirmou que a matéria “faz uma ilação irresponsável” na tentativa de fazer ligação com “candidaturas irregulares e a milícia carioca para denegrir sua imagem”.

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