“Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história”, diz Lula

Ex-presidente criticou a demora para vacinação contra Covid-19. “Não sigam nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde, tomem vacina porque ela é uma das coisas que pode livrar você da Covid

Foto: Reprodução / Instituto Lula

O ex-presidente Lula falou pela primeira vez desde a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que anulou todas as condenações relacionadas às investigações da Operação Lava Jato e que o condenaram. A entrevista coletiva foi transmitida pelas redes sociais do Instituto Lula na manhã desta quarta-feira, 10.

No começo de seu discurso, Lula relembrou o dia em que se entregou à Polícia Federal, em abril de 2018. “Faz quase três anos que eu saí da sede desse sindicato para ir me entregar à PF. Eu fui obviamente contra a minha vontade porque eu sabia que estavam prendendo um inocente. Me entreguei porque eu não achava certo um homem como eu aparecer na capa dos jornais como fugitivo”.

O ex-presidente disse que sempre teve convicção de que a “verdade viria à tona” e de que o dia que sua inocência seria anunciada chegaria. “Como eu tinha certeza das inverdades contadas sobre mim, eu decidi esclarecer tudo isso na sede da PF. Eu tinha tanta confiança e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil que eu tinha certeza que esse dia ia chegar, e ele chegou”, comemorou.

Mágoas?

Lula relembrou “amarguras e sofrimentos” que enfrentou durante os quase três anos desde a sua prisão. “Eu sei que a minha mulher morreu por conta da pressão. Eu fui proibido de visitar o meu irmão dentro de um caixão. Se tem um brasileiro que tem razão de ter profundas mágoas, sou eu”, disse.

No entanto, o ex-presidente afirmou que não guarda mágoas porque o sofrimento da população está acima de tudo que enfrentou. “Eu não tenho [mágoa] porque o sofrimento que as pessoas, que os brasileiros pobres estão passando é infinitamente maior do que ao que eu senti na sede da PF. Porque não existe nada pior para o pai de família do que acordar e não ter a certeza do café com pão com manteiga. É muito menor que a dor de quase 270 mil famílias que viram seus entes queridos morrerem e não puderam nem ao menos se despedir”, disse em referência à Covid-19.

Lula também criticou a demora do Governo Federal em vacinar a população contra o coronavírus. “Vacina não é uma questão de se ter dinheiro ou não, é questão de amar a vida ou a morte”. E afirmou que deve se vacinar na próxima semana e apelou para que a população faça o mesmo.

“Semana que vem se Deus quiser eu vou tomar a minha vacina, não me importa de que país, se é duas doses ou uma só. E quero fazer propaganda para a população: não sigam nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde, tomem vacina porque ela é uma das coisas que pode livrar você da covid. Mas mesmo tomando vacina, não ache que já pode tirar a camisa e ir pro boteco. Não, você precisa continuar usando máscara e álcool gel”.

“Quadrilha de Procuradores”

Por fim, Lula se disse vítima de uma “quadrilha de procuradores da Lava Jato” que tinham obsessão de condená-lo com o intuito de criar um partido político.

“Sou agradecido ao [ministro] Fachin porque ele cumpriu, tardiamente, uma coisa que a gente pedia desde 2016. A gente cansou de dizer, a inclusão do Lula e a inclusão da Petrobras na vida do Lula como criminoso, era a razão pela qual a quadrilha de procuradores da lava Jato e o Moro entendiam que a única forma de me pegar era me levar para a Lava Jato porque eu já tinha sido liberado de vários processos fora da Lava Jato porque eles queriam criar um partido político”.

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