Fraudes nas merendas em Goiás: empresas são investigadas por manipular licitações e fornecer alimentos de baixa qualidade a escolas
08 outubro 2026 às 09h35

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Um esquema de fraudes que teria desviado recursos públicos e comprometido a qualidade da alimentação oferecida a estudantes da rede estadual de Goiânia foi alvo de operação policial nesta quinta-feira, 8. Empresários do ramo alimentício são suspeitos de se associar para manipular quatro pregões eletrônicos realizados em 2023 pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), cujo objetivo era contratar o fornecimento de gêneros alimentícios para as escolas estaduais da capital.
A investigação aponta que o grupo teria vencido as licitações com preços abaixo do custo para, em seguida, compensar a diferença na execução dos contratos. Para desarticular o esquema, o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou a Operação Sem Recreio. A ofensiva recebe apoio da Polícia Militar do Estado de Goiás e da Vigilância Sanitária municipal. Ao todo, os agentes cumprem 17 mandados de busca e apreensão.
Ao Jornal Opção, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás esclarece que não foi alvo da Operação Sem Recreio, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), e acompanha o andamento das investigações. A Secretaria informa que os contratos em questão foram executados e que a alimentação escolar foi fornecida aos estudantes. A própria Secretaria instaurou procedimento administrativo e aplicou sanção a uma empresa por descumprimento de exigências contratuais, conforme informado ao Ministério Público.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Goiânia. As diligências ocorrem em endereços residenciais e comerciais situados em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Pontalina. A investigação alcança oito pessoas físicas e nove pessoas jurídicas.
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Conforme as apurações, as empresas investigadas não disputaram entre si, como manda a legislação. Ao contrário, uniram-se em consórcio e apresentaram propostas com valores, em média, 50% abaixo do estimado pela administração pública. Para os investigadores, esses preços não cobririam o custo dos produtos.
Com essa manobra, o grupo venceu todos os 32 lotes em disputa e passaram a atender as 110 escolas estaduais de Goiânia, que foram divididas entre as empresas participantes do consórcio. O valor estimado dos quatro pregões somava cerca de R$ 25 milhões, mas os contratos foram adjudicados por aproximadamente R$ 12 milhões.
Há indícios de que, para compensar a diferença, o grupo recorria a irregularidades na execução dos contratos. Entre elas estão notas fiscais com valores superiores aos dos produtos efetivamente entregues, faturamento em duplicidade, entregas incompletas e fornecimento de alimentos de baixa qualidade ou impróprios para consumo.
A investigação também identificou empresas sem estrutura compatível com o volume dos contratos e o uso de pessoas interpostas nos quadros societários.
Em um dos contratos, a própria Seduc apurou, em procedimento administrativo, prejuízo de cerca de R$ 58 mil e aplicou sanção às empresas. Segundo o Gaeco, há indícios de que, depois da sanção, parte dos investigados passou a atuar por meio de outras empresas.
Os fatos podem configurar, em tese, os crimes de organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em licitação ou contrato e falsidade ideológica, previstos no Código Penal.
O que diz a Seduc
A Secretaria de Estado da Educação de Goiás esclarece que não foi alvo da Operação Sem Recreio, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), e acompanha o andamento das investigações.
A Secretaria informa que os contratos em questão foram executados e que a alimentação escolar foi fornecida aos estudantes. A própria Secretaria instaurou procedimento administrativo e aplicou sanção a uma empresa por descumprimento de exigências contratuais, conforme informado ao Ministério Público.
A Secretaria considera inadmissível qualquer tentativa de fraude no fornecimento da alimentação escolar e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A pasta também adota as medidas necessárias para garantir a continuidade do serviço, sem prejuízos aos estudantes da rede estadual de Goiânia.
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