Flexibilidade no emprego engaja profissionais e fomenta empresas

Pessoas que decidiram fugir da carteira de trabalho assinada e criaram seus próprios horários e métodos trazem mais resultados tanto para si quanto para a o mercado

Foto: Divulgação

Não é regra, mas quase todo trabalho prende o prestador de serviço a uma rotina de atividades e horários a serem rigorosamente cumpridos. Isso acontece porque a cultura evoluiu desta forma, mais focada em sistematizar a grande massa. Porém, muitos profissionais não conseguem se encaixar no modelo e acabam buscando sua própria forma de trabalhar, em lugares e horários diferentes e, também, de maneiras alternativas.

As pessoas que se encaixam nesse perfil, normalmente fogem da carteira assinada. São os autônomos, Microempreendedores Individuais (MEIs), freelancer e outros identificados como informais que, inclusive, crescem cada vez mais todo ano. Só de MEIs no Brasil, houve um crescimento de 14,4% em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com uma pesquisa da empresa de consultoria Serasa Experian.

Enquanto em 2017 foram criadas 138.187 novas empresas nesse segmento, em fevereiro deste ano foram 191.498 e, deste total, 82,5% são MEI – 158.038. Os Meis são uma forma de o profissional trabalhar como um empresário arrecadando menos dinheiro do que uma grande empresa arrecadaria e, consequentemente, pagando um imposto menor, cerca de R$ 50 por mês.

É o que faz a programadora, Mariana Sousa, que saiu de uma agência, onde ganhava salário fixo e precisava cumprir escala, mas decidiu se tornar MEI e trabalhar para seus próprios clientes, fazendo seu próprio horário. “Eu nunca quis montar uma empresa, mas também não achava justo ganhar um salário fixo sabendo que minha produção valia mais. Decidi me formalizar como microempreendedora e, agora, chego a faturar mais que o dobro de antes”, afirma a mulher que indica a área de tecnologia como um campo onde faltam profissionais e onde trabalho pode ser mais flexível e satisfatório.

Também existem outras formas de flexibilizar o trabalho, como fez o designer e professor Cleber Muniz, que tinha trabalho fixo há seis anos, atuando em agências e hoje tem seu próprio escritório de design, focado em estratégia para marcas. “Primeiro, eu trabalhei por muito tempo em empresas pra pegar experiência de mercado, mas sempre quis algo meu. Depois de me especializar, pegar mentorias com profissionais, comecei a lecionar e, com o passar do tempo, fui sentindo o momento certo de abrir meu próprio negócio” conta.

Mudanças

Designer e professor Cleuber Muniz | Foto: Reprodução

Usando os casos de Mariana e Cleber como exemplo, a mentora de carreira e coordenadora de MBA do Instituo de Pós Graduação (Ipog), Cyndia Bressan, lembra que independente de como o profissional decide mudar sua carreira e flexibilizar seu trabalho, é preciso estudar a questão sobre a identificação pessoal no que se faz, afinal, existem profissionais que não se dão tão bem no que atuam mesmo se tornando mais independentes.

“É importante pensar no quanto a atividade escolhida vai contribuir ou não para os objetivos da vida. Então, deve ser feita essa análise interna: se o trabalho não tão prazeroso for contribuir com algo futuramente, é preciso batalhar o máximo, se não, o ideal é partir para algo que contribua”, aconselha a mentora de carreiras.

Hoje, depois de uma longa trajetória profissional, como ter se formado em psicologia, concluído um mestrado nesta área e ter trabalhado em uma multinacional, Cyndia optou por dar aulas e ser consultora. Segundo ela, esta foi a melhor melhor forma que achou de conciliar a carreira com família (filhas).

Como conselho final, a mentora de carreiras, conta que “quando alguém trabalha com o que gosta, é preciso ficar cada vez melhor naquilo para que possa ser reconhecido nessa área e, assim, ter autonomia e flexibilidade. Agora, quando é preciso aprender a gostar de algo que você faz, é importante ter em mente por que esta passando por isso, o que se espera, e se vale a pena”, conclui.

Lei

É importante lembrar também das questões legais sobre as formas de trabalho quando o profissional opta por não assinar a carteira de trabalho. Seja MEI, autônomo ou freelancer o juiz do trabalho, Rodrigo Dias, lembra que o principal é que “haja a formalização adequada entre o prestador e tomador de serviço, a fim de atender à realidade das leis do país”.

Ou seja, “cabe ao trabalhador controlar e registrar sua atividade de forma que garanta seus direitos, fazer seu recolhimento previdenciário, emitir notas fiscais dos serviços realizados e entregar a declaração do imposto de renda de pessoa física ou jurídica”, explica.

Rodrigo Dias aconselha, também, que um contrato é a melhor forma de garantir direitos. Mesmo afirmando, quando perguntado pela reportagem, que contratos “boca a boca” valham, fica difícil para o trabalhador comprovar o que foi combinado, se o contratante decide não remunerar o profissional, por exemplo.

Reforma Trabalhista

Recentemente o governo informou, novamente, que deve editar um decreto para ajustar pontos polêmicos da reforma trabalhista. Esses trechos já haviam sido alterados pela MP 808/17, em vigor desde novembro do ano passado, mas perderam a validade desde a última terça-feira (24/4), já que o Congresso perdeu o prazo para transformar as modificações definitivamente em Lei.

A MP foi editada, mas sequer começou a tramitar na primeira fase de análise, no caso, uma comissão especial composta por senadores e deputados.

A medida provisória deixava claro que as mudanças da lei se aplicavam, na integralidade, aos contratos de trabalho atuais. Além disso, ela tratava de polêmicas como, por exemplo, contrato intermitente, negociação coletiva, jornada 12 x 36 e atividade insalubre desenvolvida por gestantes e lactantes. Com a perda de validade da MP, voltam a valer as regras anteriores.

O texto definia que valores de indenização por dano moral deveriam ter como referência o teto de benefício do Regime Geral de Previdência Social (hoje em 5,6 mil). Agora, o limite deve ser o último salário contratual do empregado — até três vezes, quando a ofensa é de natureza leve e, nos casos gravíssimos, chega a 50 vezes. Também deixa de ser obrigatória a necessidade de acordo ou convenção coletiva para a jornada 12 x 36 horas: a Lei 13.467/17 permite a prática mediante acordo individual escrito.

Outro ponto diz que quando um profissional autônomo é contratado, deixa de existir impedimento para cláusula de exclusividade. Com a perda de validade da MP, também acaba com a quarentena de 18 meses para o empregado celetista demitido retornar à mesma empresa com outro contrato, na modalidade intermitente.

Em julho de 2017, depois de passar pela Câmara, o texto da Reforma Trabalhista foi aprovado no Senado. À época se o texto fosse modificado pelos senadores, a proposta teria que voltar à Câmara e, para que isso não acontecesse, o senador Romero Jucá (MDB-RR), então líder do governo na Casa, garantiu que os pontos mais polêmicos questionados pelos senadores seriam alterados por meio de medida provisória, porém não foi o que acontece, ainda.

Uma resposta para “Flexibilidade no emprego engaja profissionais e fomenta empresas”

  1. Robson disse:

    Não é regra, mas quase todo trabalho prende o prestador de serviço a uma rotina de atividades e horários a serem rigorosamente cumpridos. Isso acontece porque a cultura evoluiu desta forma, mais focada em sistematizar a grande massa. Porém, muitos profissionais não conseguem se encaixar no modelo e acabam buscando sua própria forma de trabalhar, em lugares e horários diferentes e, também, de maneiras alternativas.

    Pura verdade, sou prova real disso.

    Graças a Deus, tomei umas decisões, e estão dando super certos! Sucesso gente!

    Material grátis que mim ajudou: http://www.euposso.net/2milnanet

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.