A fintech Naskar passou a ser investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após interromper pagamentos a clientes e sair do ar no início de maio. A empresa operava por meio de contratos de mútuo e prometia rendimento fixo de 2% ao mês, percentual considerado elevado para padrões do mercado financeiro.

Segundo relatos de investidores, os pagamentos previstos para o dia 4 de maio não foram realizados. Clientes também relataram dificuldades para acessar o aplicativo da plataforma, enquanto os canais de atendimento deixaram de responder.

A operação da empresa era baseada em contratos de mútuo, modalidade prevista no Código Civil em que investidores emprestam dinheiro à empresa em troca de remuneração acordada. Por não se tratar de produto financeiro regulado, o modelo não era supervisionado pelo Banco Central do Brasil nem pela Comissão de Valores Mobiliários.

Entre os sócios da Naskar estão Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, ex-jogador da Seleção Brasileira de vôlei e ex-apresentador da ESPN Brasil.

Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, investidores afirmam ter aplicado milhões de reais na plataforma. Um empresário do Distrito Federal teria investido R$ 3,9 milhões, enquanto outro cliente mantinha R$ 2,3 milhões aplicados.

O Grupo Nexco, que distribuía os contratos da fintech para clientes, ingressou na Justiça após a interrupção dos pagamentos. A empresa estima prejuízo de R$ 288 milhões envolvendo cerca de 1.250 pessoas. Considerando toda a operação da Naskar, a estimativa é de que a fintech tenha cerca de R$ 850 milhões em contratos ativos.

Especialistas apontam que a promessa de rendimento fixo de 2% ao mês é um dos sinais clássicos de possíveis esquemas insustentáveis financeiramente, semelhantes ao chamado esquema Ponzi, modelo em que pagamentos antigos dependem da entrada constante de novos investidores.

Em nota, a Naskar informou apenas que iniciou uma “auditoria interna” após identificar “inconsistências na base de dados”. A empresa não explicou se houve ataque hacker, falha operacional ou previsão para retomada dos pagamentos aos clientes.

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