Feira Hippie e Cavalhadas podem se tornar patrimônio cultural goiano

Representatividade da luta entre mouros e cristãos são realizadas há mais de 200 anos em 12 municípios goianos

Feira Hippie, em Goiânia, e as Cavalhadas estão em processo de registro para se tornarem Patrimônio Cultural do Estado. Os trâmites para isso são de responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), por meio da Superintendência de Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico. Neste momento, está sendo realizado pesquisas e levantamentos em conjunto com a comunidade sobre os dois legados culturais de Goiás.

A Feira Hippie de Goiânia é considerada a maior feira ao ar livre do Brasil e da América Latina, com cerca de 7 mil bancas. É realizada às sextas, sábados e domingos, na Praça do Trabalhador. A história do início da feira é datada do final da década de 60, quando alguns hippies expunham as peças no Mutirama, posteriormente na Praça Universitária, depois na Praça Cívica até o local que se encontra atualmente.

As cavalhadas são realizadas há mais de 200 anos em Goiás e o calendário do circuito, atualmente, inclui 12 municípios. As festividades acontecem em Corumbá, Crixás, Hidrolina, Jaraguá, Palmeiras de Goiás, Pilar, Pirenópolis, Posse, Santa Cruz de Goiás, Santa Terezinha de Goiás, São Francisco de Goiás e a cidade de Goiás. O evento consiste nas celebrações que une religiosidade, fé, cultura e turismo, quando são encenadas batalhas medievais representando a luta entre mouros e cristãos, quando o exército muçulmano, depois de conquistar Portugal e Espanha, resolve invadir a França. A festa atrai milhares de turistas às cidades e movimentam a economia local.

A execução em patrimônio consiste em documentar e acompanhar a dinâmica das manifestações culturais registradas, bem como fomentar ações de apoio, promoção, divulgação e rentabilização desses bens, por meio de estudos, levantamento de documentação e produção de instrumentos que salvaguardam o bem cultural. “Nosso objetivo é preservar e salvaguardar esses patrimônios, considerados bens imateriais, garantindo legalmente a proteção e manutenção deles”, ressalta o secretário de Estado de Cultura, César Moura.

Toda a ação está sendo feita em conjunto entre o Estado, os estudiosos da cultura e os detentores do bem. Essa medida é para que a força da proteção legal não prejudique o patrimônio. Por enquanto, os processos de registro da Feira Hippie e das Cavalhadas estão em fase de instrução para a produção dos Dossiês Técnicos. Mas a expectativa é que todo esse andamento ocorra nos próximos meses, para que a documentação necessária seja produzida, conferida e anexada ao Dossiê para a aprovação final do Conselho Estadual de Cultura.

Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial e o Programa de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Goiás foram criados pelo Decreto 8.408/15, e regulamentados pela Instrução publicada no Diário Oficial nº 23.141/19. O documento abrange a descrição do processo de produção, circulação e consumo; contexto cultural; informações históricas sobre o bem; documentação histórica disponível (fotografias, documentação audiovisual, materiais informativos de diferentes mídias etc.); referências à formação e continuidade histórica do bem, assim como as transformações ocorridas ao longo do tempo e as proposições de ações para salvaguarda do bem visando sua continuidade.

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