Um vereador de Goiânia propôs a adoção de faixas exclusivas para motos no trânsito da capital, com o objetivo de reduzir os acidentes envolvendo os motociclistas e melhorar a fluidez do tráfego. A ideia é polêmica e divide opiniões entre os especialistas e a população.

Um dos argumentos favoráveis à criação das faixas exclusivas para motos é que elas aumentariam a segurança dos motociclistas, que são as principais vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em 2019, mais de 11 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes com motos, representando 33% do total de mortes no trânsito. Além disso, as faixas exclusivas para motos evitariam o chamado “corredor”, que é a prática de circular entre os carros, muitas vezes em alta velocidade e com manobras arriscadas. Essa prática é proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro, mas é comum nas grandes cidades, onde os motociclistas buscam ganhar tempo e escapar dos congestionamentos.

Outro argumento favorável às faixas exclusivas para motos é que elas contribuiriam para melhorar a mobilidade urbana, pois liberariam espaço nas demais faixas para os veículos maiores, como carros, ônibus e caminhões. Isso reduziria o tempo de viagem e o consumo de combustível, gerando benefícios econômicos e ambientais. Além disso, as faixas exclusivas para motos incentivariam o uso desse meio de transporte, que é mais barato e eficiente do que os carros, especialmente nas cidades com problemas de estacionamento e transporte público.

Por outro lado, há também argumentos contrários à implantação das faixas exclusivas para motos. Um deles é que elas reduziriam o espaço disponível para os demais veículos, especialmente nas vias mais estreitas e congestionadas. Isso poderia gerar mais conflitos entre os motoristas e os motociclistas, aumentando o risco de acidentes e a violência no trânsito. Outro argumento contrário às faixas exclusivas para motos é que elas não resolveriam o problema da falta de educação e fiscalização no trânsito, que são as principais causas dos acidentes com motos. Muitos motociclistas não respeitam as leis e as normas de segurança, como usar capacete, manter a distância adequada dos outros veículos e respeitar os semáforos e as placas. Além disso, muitos motoristas não respeitam os direitos dos motociclistas, como dar preferência nas conversões e não invadir as faixas destinadas a eles.

Existem exemplos de aplicações das faixas exclusivas para motos em outros estados brasileiros e em outros países, com resultados variados. Em São Paulo, por exemplo, há faixas exclusivas para motos em algumas avenidas importantes da cidade, como a 23 de Maio e a Marginal Tietê. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), essas faixas reduziram em 37% o número de acidentes com motos nessas vias entre 2011 e 2014. Porém, também houve aumento no número de infrações cometidas pelos motociclistas nessas faixas, como excesso de velocidade e ultrapassagem pela direita.

Em Bogotá, na Colômbia, há faixas exclusivas para motos em algumas das principais vias da cidade desde 2012. Segundo a Secretaria Distrital de Mobilidade (SDM), essas faixas reduziram em 14% o número de acidentes com motos nessas vias entre 2012 e 2016. Porém, também houve aumento no número de infrações cometidas pelos motociclistas nessas faixas, como invadir outras pistas e até calçadas.