Exportações em Goiás podem aumentar em até US$ 218 milhões com acordo entre Mercosul e UE
18 maio 2026 às 10h25

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Estudo da Fieg mostra potencial de até US$ 218 milhões em exportações goianas com a implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, além de apontar a possibilidade de geração de mais de 24 mil empregos diretamente ligados ao setor exportador no estado.
De acordo com o levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), os principais produtos goianos embarcados atualmente para o bloco europeu incluem soja, cobre, minério de ferro e carne bovina, itens que já garantem uma participação de 12,5% nas vendas externas do estado. Na avaliação do analista de desenvolvimento industrial da Fieg, Saulo Nogueira, o tratado representa uma nova janela de oportunidades para o estado.
“O acordo melhora as condições de acesso dos produtos goianos ao mercado europeu e reduz custos comerciais que historicamente dificultavam a competitividade brasileira. Isso cria oportunidades tanto para ampliar exportações já consolidadas quanto para inserir novos produtos industriais de Goiás no mercado europeu”, afirma.
O tratado entrou em vigor em 1º de maio deste ano, após longos 25 anos de negociações. A partir disso, o comércio entre os dois blocos econômicos, que juntos somam 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, começou a ser redesenhado e Goiás é um dos grandes beneficiados. Conforme revela o estudo da Fieg, somente em 2025, o estado já exportou US$ 1,68 bilhão para a União Europeia.
Além disso, a análise aponta que, quando as concessões comerciais estiverem totalmente implementadas em 2036, os dez principais produtos goianos contemplados pela redução tarifária poderão registrar um incremento adicional de US$ 60,1 milhões em exportações. Apenas no primeiro ano de vigência do acordo, a estimativa é de um crescimento de cerca de US$ 13 milhões, montante equivalente a aproximadamente R$ 66 milhões.
Indústria goiana ganha competitividade com tarifa zero para 93% dos itens
Um dos pontos do levantamento envolve a composição dos produtos brasileiros que já tiveram tarifa zerada imediatamente pela União Europeia. Ao todo, 2,9 mil itens foram beneficiados, dos quais 93% pertencem ao setor industrial. Esse contingente abrange principalmente alimentos processados, metalurgia, máquinas, equipamentos, produtos químicos e materiais elétricos, segmentos nos quais Goiás já possui capilaridade produtiva.
A expectativa da Fieg é de ampliação substancial da competitividade dos produtos locais no mercado europeu. Entre os setores mais favorecidos, destacam-se carne bovina, carne de frango, couro, açúcar, gelatinas e produtos químicos. Para se ter uma ideia, o estudo revela que as exportações goianas de carne bovina desossada congelada podem crescer em até US$ 38,7 milhões por ano, enquanto a carne bovina fresca ou refrigerada pode alavancar outros US$ 12,3 milhões anuais.
Brasil pode adicionar R$ 37 bilhões ao PIB
Os impactos positivos do acordo, contudo, não se restringem a Goiás. Estimativas do governo federal projetam um crescimento de 0,34% no PIB nacional, o que representa R$ 37 bilhões adicionais, além de um aumento de R$ 13,6 bilhões em investimentos no país.
As exportações totais brasileiras devem crescer 2,65% (US$ 9,2 bilhões ou cerca de R$ 47 bilhões), enquanto as importações totais avançam 2,46% (US$ 6,9 bilhões ou cerca de R$ 35 bilhões).
Outro dado vem do setor industrial de transformação: a expectativa é de um avanço de até 26% nas exportações brasileiras para o bloco europeu quando o acordo estiver inteiramente implementado em 2038.
Considerando que as exportações brasileiras à União Europeia somaram US$ 49,8 bilhões em 2025, o incremento projetado de 13,6 bilhões. Aliás, quase metade dos produtos já tiveram suas tarifas zeradas no início de maio, o que pode gerar um aumento de US$ 1 bilhão ainda em 2026.
Cronograma gradual protege indústria e abre espaço para modernização
O estudo da Fieg também ressalta a vantagem do cronograma negociado pelo Mercosul. Enquanto a União Europeia zerou 2,9 mil itens tarifários imediatamente, o Brasil terá entre 10 e 15 anos para reduzir as tarifas de 44% dos produtos europeus listados, aproximadamente 4,4 mil itens.
Essa assimetria temporal garante uma transição gradual e previsível para a indústria nacional. Ademais, apenas 0,9% das exportações brasileiras ao bloco europeu terão que esperar uma década para alcançar tarifa zero.
De acordo com Saulo Nogueira, esse período de adaptação reduz impactos bruscos sobre a indústria local. “O acordo foi estruturado com mecanismos de adaptação gradual, permitindo que empresas brasileiras tenham tempo para investir em produtividade, inovação e adequação às novas condições de concorrência”, explica.
Ele acrescenta ainda que a redução das tarifas de importação facilita o acesso a máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias europeias, o que pode modernizar cadeias produtivas e reduzir custos de produção.
Importações europeias também devem crescer em Goiás
Paralelamente ao aumento das exportações, o levantamento da Gedin-Fieg projeta que as importações goianas de produtos europeus também se expandirão, especialmente nos setores farmacêutico e industrial. A estimativa é de um acréscimo de US$ 190 milhões nas compras do estado quando a redução tarifária estiver totalmente concluída em 2041. Entre os itens mais importados atualmente por Goiás, com tendência de crescimento, estão medicamentos, máquinas industriais, equipamentos de compactação e sistemas de empacotamento.
Para Saulo Nogueira, esse movimento exige atenção, mas também oferece ganhos ao setor produtivo goiano. “Existe concorrência maior em alguns segmentos, mas também há oportunidades importantes para a indústria local incorporar tecnologias mais avançadas, melhorar eficiência e elevar a qualidade da produção”, conclui.
O estudo atual integra uma série de quatro análises da Fieg sobre os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para Goiás, e as próximas etapas abordarão potencial de exportação da indústria goiana, questões regulatórias e sustentabilidade.
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