Explosão de candidaturas deve se repetir em 2022

Fenômeno é restrito às grandes cidades, onde o eleitorado é maior e há mais partidos

Urna eletrônica | Foto: Reprodução

O fim das coligações proporcionais, definido na reforma eleitoral de 2017, buscava reduzir a fragmentação partidária. Entretanto, trouxe uma profusão de candidatos a prefeito em 2020. Em todo o país, são 1.917 candidatos a mais do que na última eleição municipal.

Segundo informações disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TST), em 2016, eram 390 cidades com seis ou mais candidatos a prefeito. Neste ano, esse número subiu para 635 municípios. Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, terá 17 opções na urna. Em Goiânia, o número pode chegar a 16 caso a candidatura da Dra. Cristina (PL) seja confirmada.

Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas, é difícil imaginar outra razão para esse aumento que não o fim das coligações proporcionais. “Sem elas, os grandes partidos não têm nada de valioso para oferecer aos pequenos em troca de apoio ao seu candidato a prefeito”, disse o professor em entrevista à Exame.

Foto: Reprodução | Exame

O cientista destaca também que as candidaturas ao Executivo municipal divulgam os partidos, aumentando o voto de legenda para vereador. “Aquele eleitor que não quer anular o voto de vereador, mas não sabe em quem votar, acaba votando na legenda do candidato dele à prefeitura”, explicou.

Agora os partidos pequenos terão de conquistar cadeiras com suas próprias candidaturas, apoiando prefeitáveis de outro partido apenas nas 95 cidades em que há segundo turno. Esse movimento seria a causa do milagre da multiplicação dos candidatos. No entanto, o fenômeno fica restrito às cidades maiores, que possuem mais diretórios partidários disputando.

Dentre as cidades pequenas, 65% dos municípios terão disputas com, no máximo, três candidatos a prefeito e uma média de 26 mil eleitores. De todas as 5.568 cidades brasileiras, 2.010 terão apenas dois candidatos (o da situação e o da oposição), numa espécie de segundo turno já no primeiro.

Como o tamanho das bancadas e a correlação de forças no Legislativo é o que define uma série de atributos políticos, como distribuição de tempo de TV, o cientista político da consultoria Tendências, Rafael Cortez,  explica que a tendência é que esse fenômeno se torne uma característica estrutural do sistema eleitoral brasileiro, se repetindo também nas eleições de 2022.

O aumento no número de candidaturas a prefeito tende a reduzir só em 2024, quando a cláusula de barreira, que começou a operar em 2018, passe a restringir a participação dos partidos mais nanicos. (Com informações da Exame)

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