Ex-presidente do Ipasgo contesta situação financeira do instituto apresentada pela nova gestão

José Carlos Siqueira divulgou nota de esclarecimento após declarações de Silvio Fernandes sobre contas que teriam sido deixadas pelo ex-gestor

Nesta sexta-feira, 25, representantes do Comitê das Entidades Médicas do Estado de Goiás (Cemeg) se reuniram com o presidente do Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo), Sílvio Antônio Fernandes Filho, para discutir o cronograma de pagamento das faturas referentes a 2018, já vencidas e ainda não quitadas.

Horas depois, o presidente do Ipasgo anunciou o pagamento da dívida de R$ 122,9 milhões com a rede credenciada para o dia 6 de fevereiro. Os valores devidos aos prestadores de serviços de saúde (pessoas físicas e pessoas jurídicas) credenciados pelo órgão são referentes ao mês de outubro e parte de setembro do ano passado. Fernandes afirmou que os pagamentos deveriam ter sido realizados em dezembro de 2018, mas ficaram como dívidas para a nova gestão do instituto.

Em nota, porém, o ex-presidente do Ipasgo, José Carlos Siqueira, alegou que em março é realizada a revisão das contribuições dos usuários do sistema de saúde do instituto, o que aumentaria a arrecadação a depender dos porcentuais a serem aplicados, o que evitaria um possível déficit de R$ 126 milhões em 2019.

Confira a nota na íntegra: 

Quando o atual presidente do Ipasgo evidencia que, se nada for feito, o Instituto poderá ter um déficit de R$ 126 milhões em 2019, sabe-se que em março são realizadas a revisão das contribuições dos usuários do sistema de saúde do Ipasgo, o que aumentará a sua arrecadação, a depender dos porcentuais a serem aplicados.

Quando o presidente do Ipasgo coloca em evidência dívidas com a rede credenciada, de setembro a outubro, no valor de R$ 122,9 milhões, não deixa claro para a reportagem que recebeu em 2 de janeiro R$ 78,9 milhões em caixa, além de um crédito superior a R$ 40 milhões da folha de pagamento de novembro, cujo recolhimento ao Ipasgo é obrigatória neste mês de janeiro, e mais R$ 16 milhões numa conta do Ipasgo no Banco do Brasil para a conclusão do Hospital do Servidor e outras despesas.

Por força de contrato legal, os prestadores do Ipasgo recebem dois meses após os serviços prestados aos usuários e faturados para o Instituto. Portanto, os valores devidos em novembro devem ser pagos neste mês de janeiro. Os de dezembro, em fevereiro próximo. O presidente do Ipasgo afirma na reportagem que ainda analisa como irá pagar as despesas de novembro com os prestadores de serviço. Só não deixa claro que a receita de janeiro do Instituto permite arcar com estas obrigações.

Quanto às dívidas do Estado com o Ipasgo, referentes aos programas sociais, citadas na reportagem, apenas a relativa ao atendimento de pacientes radioacidentados é efetiva e deve ser paga pela Secretaria Estadual da Saúde. Convém lembrar também que uma emenda à Constituição Estadual, de 1997, isentou os aposentados do Estado do pagamento de contribuição ao Ipasgo, sem transferir para o Tesouro estadual esta obrigação.

Esclareço tais fatos para afirmar que o Ipasgo é viável administrativamente e financeiramente com uma boa gestão. Mas, como qualquer outro plano de saúde ou sistema equivalente no Brasil, necessita o reequilíbrio do valor das contribuições dos usuários, considerando o custo dos serviços prestados pelo Instituto. Enfatizo ainda que o Ipasgo, por sua natureza e missão, não visa lucro.

O cenário administrativo goiano vive momentos em que declarações têm visado mais confundir a sociedade, gerando clima de apreensão e medo, do que esclarecer a real situação do Estado. A população goiana não merece que suas autoridades gerem preocupações e alarmismos desnecessários. Merece e precisa que as mesmas se preocupem em gerir bem o Estado, como foco no bem comum.

José Carlos Siqueira

Em resposta às alegações feitas pelo ex-presidente, o Ipasgo enviou nota com versão diferente da apresentada por José Carlos Siqueira. Leia abaixo o texto encaminhado pelo instituto:

Em resposta à nota divulgada pelo ex-presidente do Ipasgo, a atual gestão do instituto informa que refuta análises baseadas em hipóteses de caixa. A realidade é que o Ipasgo possui um déficit de R$ 10,5 milhões mensais e uma dívida com a rede credenciada referente aos meses de setembro e outubro do ano passado. A proposta simplista de reajuste da alíquota ao servidor feita pelo ex-gestor também não é vista como solução técnica para este momento.

Para agravar a crise do Ipasgo, o governo anterior não repassou, como prevê a legislação estadual, as contribuições recolhidas dos salários dos servidores. Diante da grave situação fiscal financeira do Estado de Goiás, fruto das más-gestões anteriores, o governador Ronaldo Caiado e a atual gestão do Ipasgo estão em força-tarefa para tentar uma organização rápida das contas do instituto para evitar um colapso na rede de atendimento de saúde dos servidores do Estado. Justamente por isso, o Ipasgo conseguiu anunciar hoje o pagamento das faturas em atraso com a rede credenciada para o próximo dia 6 de fevereiro.

Ipasgo

 

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