A ex-esposa do pastor Davi Passamani, Giovanna de Almeida Lovaglio, rebateu as acusações feitas pelo religioso contra a atual gestão da Casa Ministério Cristão e afirmou que o processo movido por ele faz parte de uma “batalha imaginária”. Em vídeo publicado na noite de quinta-feira, 2, ela negou irregularidades na administração da igreja, fez novas acusações contra o ex-marido e afirmou que poderá apresentar novas provas. As declarações ocorreram após Passamani ajuizar ação pedindo o afastamento da diretoria da instituição, alegando desvio de recursos e esvaziamento patrimonial.

Giovanna afirmou que as acusações são graves e classificou o momento da divulgação como estratégico, por coincidir com o mês de seu aniversário e com a recuperação do pai, que havia deixado recentemente a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Talvez essas pessoas que hoje me atacam tenham confundido o meu silêncio com fraqueza ou com medo. Eu fiquei calada porque, para mim, a minha imagem não valia nada perto da dor que esse que me acusa hoje causou para tantas pessoas”, declarou.

Ela também contestou a alegação de que a queda na arrecadação da igreja decorreu de má gestão financeira. Segundo Giovanna, a redução ocorreu após o afastamento de fiéis em razão das denúncias envolvendo o ex-pastor.

“É óbvio que a arrecadação da igreja cairia, porque nos bastidores, nos corredores, as notícias sobre você não paravam de chegar. Sua preocupação não é com a arrecadação. E a gente sabe exatamente o que está por detrás do seu coração”, afirmou.

Durante a gravação, Giovanna voltou a acusar Passamani de provocar sofrimento à família e disse possuir mensagens e outros elementos que poderiam ser apresentados publicamente. Ao final, afirmou que pretende responsabilizá-lo criminalmente. “Muito em breve eu vou te colocar na cadeia”, afirmou.

Ela também afirmou que a Casa Ministério Cristão permanece fortalecida e negou qualquer crise institucional. “A gente está vivendo um tempo maravilhoso, a nossa igreja continua linda, nós estamos como grupo mais unidos do que nunca, mais fortes do que nunca, mais convictos do que nunca.”

Ação judicial

O embate ocorre após Davi Passamani ingressar na Justiça de Goiânia pedindo o afastamento da atual diretoria da Casa Ministério Cristão e sua nomeação como administrador provisório da igreja por 12 meses. Na ação, o pastor afirma que a atual gestão promoveu um esvaziamento financeiro da instituição, desviando receitas milionárias provenientes dos royalties da banda Casa Worship para a empresa CW Produções Ltda., ligada a Giovanna Lovaglio.

Segundo a petição, a receita operacional da igreja caiu de R$ 5,58 milhões em 2023 para R$ 2,02 milhões em 2024 e para R$ 288 mil em 2025. O processo também aponta déficit superior a R$ 1 milhão, dívidas, ações de cobrança e risco de colapso financeiro.

Passamani pede, além do afastamento da diretoria, prestação de contas, restituição de valores e informações sobre contratos e repasses relacionados à exploração econômica da Casa Worship. Até o momento, não há decisão judicial sobre o pedido.

Defesa de Giovanna e da igreja

Em nota, a defesa da Casa Ministério Cristão negou todas as acusações e afirmou que elas têm caráter de vingança pessoal. Segundo os advogados, a redução das receitas decorreu da saída de fiéis após as denúncias envolvendo Passamani, e não de desvios de recursos.

A igreja também informou que realiza auditoria independente sobre as gestões anterior e atual, que negocia a permanência no imóvel onde funciona e que apresentará à Justiça toda a documentação contábil necessária para demonstrar a regularidade da administração.

Sobre os royalties da Casa Worship, a defesa afirma que a questão já é discutida em processo próprio e nega qualquer desvio de recursos.

Defesa de Davi Passamani diz que ação não busca devolvê-lo ao comando da igreja

A defesa do ex-pastor Davi Passamani afirmou que a ação judicial movida contra a Igreja Casa não tem como objetivo recolocá-lo na liderança da instituição. Em nota enviada ao Jornal Opção, o advogado Diogo Procópio disse que o processo trata de supostos casos de esvaziamento patrimonial, desvio de royalties da banda Casa Worship e irregularidades administrativas envolvendo a atual gestão da igreja.

Segundo a defesa, a ação, protocolada em 25 de junho, pede o afastamento da diretoria da instituição e a apuração da destinação de recursos financeiros. Os advogados sustentam que a atual administração teria transferido ativos e a arrecadação de fiéis para um novo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), registrado como Igreja Casa, enquanto a antiga Casa Ministério Cristão permaneceu com as dívidas acumuladas.

Passamani deixou a liderança da igreja após denúncias de assédio sexual feitas por fiéis em 2023. As acusações deram origem a investigações e processos judiciais, culminando em sua prisão preventiva em 2024. O ex-pastor nega as acusações e responde aos processos na Justiça.

Desde o afastamento, a igreja passou a ser liderada pela ex-esposa de Passamani, a pastora Giovanna Lovaglio, que também o acusa de assédio sexual e, recentemente, afirmou nas redes sociais que as ações judiciais representam um ataque estratégico contra ela, além de acusá-lo de inadimplência no pagamento de pensões.

De acordo com a defesa de Passamani, a atual administração é formada por integrantes do antigo núcleo familiar do pastor, entre eles a mãe, a filha e o genro, e teria promovido a criação de um novo CNPJ para concentrar a arrecadação da igreja. “Eles alegam que criaram um CNPJ novo para contornar a dívida da igreja, mas, na verdade, criaram um CNPJ com o mesmo nome, Igreja Casa, e toda a arrecadação passou a ser feita nesse novo documento”, afirmou a advogada Tana Paula.

Os advogados apontam como indício de suposto esvaziamento financeiro a redução da arrecadação da instituição, que, segundo a ação, caiu de R$ 5,5 milhões em 2023 para R$ 288 mil em 2025. Também citam uma ação de despejo movida contra a Casa Ministério Cristão por uma dívida de aproximadamente R$ 730 mil em aluguéis acumulados desde o início de 2024.

A defesa ainda questiona o patrimônio e o padrão de vida dos atuais administradores da igreja. “A administração alega que o endividamento aconteceu por causa do Davi, mas não foi isso que aconteceu. A igreja tinha condições financeiras de continuar funcionando sem estar no vermelho como está hoje”, afirmou Diogo Procópio.

Outro ponto levantado é a venda da banda Casa Worship para a Warner Music, em 2025. Segundo a defesa, a negociação teria superado R$ 10 milhões e não teria sido registrada na contabilidade da igreja. Os advogados também afirmam que cerca de R$ 1,3 milhão em royalties da banda teriam permanecido na empresa CW Produções Ltda., ligada à pastora Giovanna, sem repasse à instituição.

Com base nessas alegações, a defesa pede à Justiça o afastamento imediato da atual diretoria, o bloqueio de bens e ativos da CW Produções Ltda. e dos gestores, além do rastreamento dos valores pagos pela Warner Music e o encaminhamento do caso ao Ministério Público de Goiás.

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