Alunas de Itumbiara são destaque em premiação da Samsung
08 agosto 2026 às 11h46

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Cinco estudantes de Itumbiara encontraram na ciência uma alternativa de baixo custo para enfrentar um problema que atingiu a própria comunidade escolar. A partir do aumento dos casos de dengue registrado no município no início de 2025, as alunas do Colégio Estadual em Tempo Integral Dom Velloso desenvolveram um larvicida natural produzido a partir de extratos vegetais para combater as larvas do Aedes aegypti.
A pesquisa garantiu à escola o segundo lugar nacional no Solve for Tomorrow Brasil 2025, iniciativa promovida pela Samsung que reúne projetos de estudantes da rede pública de ensino voltados à solução de problemas sociais por meio da ciência e da tecnologia.
Participaram do projeto Anna Santos, Anna Tenório, Iris Almeida, Maria Pereira e Núbia da Rocha. A pesquisa foi desenvolvida sob orientação da professora de Biologia Ayanda Ferreira Nascimento Lima.
A ideia surgiu diante do impacto da dengue na rotina da comunidade escolar. Segundo as estudantes, professores e alunos foram afetados pelo aumento dos casos no município, o que motivou a busca por uma solução que pudesse ser acessível e de baixo custo.
Durante a pesquisa, o grupo identificou na saboneteira uma substância chamada saponina. De acordo com o projeto, o composto atua sobre as membranas das larvas do mosquito, provocando sua morte.
Testes alcançaram 100% de mortalidade
Os experimentos foram realizados no ambiente escolar com larvas fornecidas pelo Departamento de Endemias da Prefeitura de Itumbiara. A equipe testou diferentes concentrações dos extratos naturais e observou resultados considerados expressivos já nas primeiras 24 horas.
Segundo a professora responsável pela pesquisa, todas as diluições do extrato de saboneteira utilizadas nos experimentos apresentaram mortalidade total das larvas no período analisado. O extrato de cravo-da-índia também alcançou 100% de mortalidade na concentração mais elevada testada.
A proposta é utilizar os extratos na produção de um gel que será colocado em Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs). Esses dispositivos são instalados em locais utilizados pelo mosquito para reprodução e têm como objetivo contribuir para a disseminação da substância durante o ciclo de vida do inseto.
Ao todo, 26 EDLs foram produzidas e instaladas em diferentes pontos de Itumbiara para acompanhamento dos resultados.
Alternativa de baixo custo
Um dos diferenciais apontados pela equipe é a possibilidade de reprodução do método sem a necessidade de uma estrutura sofisticada. A pesquisa busca justamente oferecer uma alternativa acessível para o controle das larvas do mosquito.
“Nosso protótipo é diferente: criamos um larvicida natural, acessível, sustentável, sem impactos à saúde ou ao meio ambiente e de baixo custo. O larvicida em si é gratuito, e o único gasto fica por conta da construção da EDL”, explica Ayanda.
O projeto propõe substituir o uso do Pyriproxyfen, substância utilizada no controle de larvas do mosquito, por compostos obtidos de plantas. Além da saboneteira, o grupo investigou o potencial do cravo-da-índia.
A professora ressalta que a pesquisa ainda pode ser ampliada, principalmente com novos testes envolvendo diferentes concentrações do extrato de cravo e outras possibilidades de aplicação.
Ciência desenvolvida dentro da escola
A pesquisa também contou com a orientação de pesquisadores do Rio Grande do Sul, que participaram do processo de desenvolvimento do protótipo e auxiliaram na validação dos experimentos.
Para as estudantes, o trabalho começou como uma resposta a um problema que fazia parte do cotidiano da própria cidade e acabou se transformando em uma experiência de iniciação científica com alcance nacional.
O projeto colocou Itumbiara entre os destaques do Solve for Tomorrow Brasil. A edição recebeu mais de 3,6 mil trabalhos, com participação de aproximadamente 14 mil professores e estudantes da rede pública de ensino.
Além do reconhecimento, os primeiros colocados receberam produtos tecnológicos destinados a contribuir com as atividades educacionais das instituições participantes.
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