“Estamos monitorando o aterro e encontramos várias irregularidades”, diz titular da DEMA

Delegado, no entanto, informou que não foram detectados lançamento de chorume na rede fluvial

Foto: Reprodução

O delegado Luziano Severino de Carvalho, titular da DEMA (Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente), esteve no Aterro Sanitário de Goiânia na manhã desta sexta-feira (30/11) e falou ao Jornal Opção sobre as denúncias de que o chorume produzido no local estaria sendo descartado na rede pluvial.

Ele mostrou as instalações da rede de esgoto e o local de captação do material que recebe tratamento nas lagoas de decantação. “Nós comprovamos, ao longo do tempo, que o tratamento do chorume nas lagoas não é eficiente. Eles fazem a captação do material e lançam na rede coletora de esgoto que, em seguida, segue para a ETE”, explicou.

“No início do ano, verificamos que a tubulação existente não estava conseguindo, no período de chuvas, dar conta de todo o material produzido no aterro. Por isso, os caminhões estavam jogando o chorume diretamente nas instalações, sem passar pela tubulação. Isso me parece uma improbidade administrativa. No entanto a rede está sendo ampliada para comportar uma quantidade maior de chorume”, explicou Luziano.

Para o delegado, o ideal seria tratar o material na parte interna do aterro, o que não está sendo feito. “E, quando é feito não ocorre da maneira adequada, com a adoção das melhores técnicas. No entanto, essa é a melhor solução para o momento”, disse à reportagem.

O titular da DEMA informou que a Comurg foi indiciada em 2015, e em 2018 foi a vez da Saneago ser notificada para a adoção de um sistema de tratamento mais adequado do chorume. Os procedimentos estão em andamento na justiça. O Ministério Público também tem acompanhado as ações adotadas em busca da adequação do sistema.

“Hoje, a Polícia Civil, MP, Poder Judiciário e Administração Pública estão atuando de forma integrada na busca por uma solução. Estamos avançando, a situação atual é bem melhor que há 6 meses”,  afirmou o delegado.

Em relação à denúncia contra o Aterro, Luziano avalia que, “pelo que levantamos não foi lançado chorume na rede fluvial. A pessoa pode ter visto caminhões lançando chorume na rede coletora de esgoto, somente. O tratamento aqui não é ideal, mas está melhorando. Observamos que a Comurg faz um trabalho emergencial. Por isso estamos aqui para cobrar soluções”, explicou. Ele contou que, há 3 anos aconteceu o lançamento acidental de chorume no Córrego Caveirinha. A situação foi encaminhada à Justiça.

De acordo com o delegado Luziano, levantamentos apontam que a rede fluvial está intacta. “Não existe qualquer vestígio de chorume na rede pluvial. Mas caso a população veja qualquer indício de irregularidade deve continuar denunciando pelo telefone 197 com fotos e imagens para a devida averiguação”, pediu.

“Estamos monitorando o aterro e encontramos várias irregularidades, tudo está sendo levado ao Poder Judiciário e informado à sociedade. Nosso intuito é fazer uma polícia de total transparência”, garantiu o delegado.

Moradores estão preocupados com a situação

A presidente da Associação de Educação, Cultura e Cidadania da Região Noroeste, Perciliana Pereira dos Santos, também esteve no aterro nesta manhã, acompanhada de moradores da região. Ela cobrou explicações sobre a destinação do chorume e afirmou que a população está muito preocupada e aguardando esclarecimentos.

“Nosso dever é cobrar total transparência do poder público. Estamos todos assustados, pois estão circulando áudios e fotos com essa denúncia que é muito grave e afeta toda a sociedade e o meio-ambiente”, alegou.

Os funcionários do aterro afirmaram que já disponibilizaram nota esclarecendo os fatos e alegaram não estarem autorizados a falar com a imprensa, Eles, no entanto, classificaram a denúncia como “maldosa”.

Funcionários da Comurg também informaram que foi registrado um boletim de ocorrência na DEMA para apurar a origem da denúncia. Eles relataram que vários órgãos como Delegacia do Meio Ambiente (DEMA), AMMA, Secima, MP e Batalhão Ambiental da Polícia Militar já fizeram averiguações no local e que, em breve, a situação será totalmente elucidada.

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