Fim da gratuidade? Reitor da UFG fala sobre a reforma administrativa nas federais

Ministério da Educação convocou reitores para apresentar programa Future-se e gestores das federais estranham que não houve diálogo antes da apresentação

Professor Edward Madureira Brasil, reitor da UFG | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O MEC irá se reunir com reitores das universidades federais na quinta-feira, 18, para apresentar o programa Future-se, com foco no Ensino Superior. A informação foi dada pelo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, ao jornal Valor Econômico.

Ao Jornal Opção, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, revelou que até o momento apenas houve a chamada para essa reunião e o Governo não lhes adiantou nada sobre o que será discutido ou quais propostas serão apresentadas nessa reforma.

“A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) jamais se negou a dialogar e não fomos chamados para nada. Sempre discutimos em conjunto com os governos e dessa vez só iremos tomar conhecimento no dia da apresentação”, disse.

Segundo o reitor, com isso, a Andifes irá se reunir na terça, 16, para se preparar para o encontro e, também, após a reunião de quinta-feira, 18, no intuito de avaliar o que foi proposto.

Future-se

Ao Valor Econômico, o secretário Arnaldo Barbosa adiantou que um dos focos será a “internacionalização” do ensino superior, que não estará mais subordinado ao regime jurídico de direito público. Segundo Arnaldo, a cobrança de mensalidades ainda será implantada, e as contratações passarão a ocorrer pelo regime celetista ou de contratos temporários.

O projeto tem base uma ação do governo australiano dos anos 80. O ensino do país deixou de ser totalmente gratuito para se tornar híbrido, com o estudante arcando por parte dos custos de sua formação ao longo da vida.

Quanto a essa possibilidade de se cobrar mensalidade, o reitor da UFG disse duvidar que isso seja colocado e que, por enquanto, só se lê isso na imprensa. “Afinal de contas está na Constituição que o ensino federal será gratuito, teria, portanto, que haver uma emenda aprovada no Legislativo para mudar isso. Por ora, nós estamos aqui para resistir até o fim”, pontuou.

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Tiago José

Essas resistências que vcs fazem quase nunca funciona hahahah

Aldo Cardoso

“…Estamos aqui para resistir até o fim” É isso que o povo brasileiro precisa fazer em relação a esse governo desmonte país de Bolsonaro.