Esqueça o Estreito de Hormuz, a maior disputa do conflito no Oriente Médio ainda está por vir: o controle do Mar Cáspio
13 abril 2026 às 18h50

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A disputa militar que acontece no Estreito de Hormuz, entre os Estados Unidos e Irã, vai parecer uma distração para um atrito geopolítico muito mais perigoso do que estamos assistindo no Golfo: o controle do Mar Cáspio.
Localizado entre a Europa e a Ásia, o Mar Cáspio é o maior lago de água salgada do mundo, e ganhou o nome devido ao tamanho com mais 1200 km de extensão e 450 km de largura. Trata-se de uma bacia endorreica (que não tem saída) com cinco países ao seu redor: Azerbaijão, Irã, Cazaquistão, Rússia e Turcomenistão, situando-se a cerca de 28 metros abaixo do nível do mar.
Os portos importantes do maior lago do mundo ficam ao norte, na Rússia e ao sul, no Irã. Com o estrangulamento do Estreito de Hormuz, agora fechado pelos Estados Unidos após o Irã se recusar a um acordo, o Mar Cáspio torna-se automaticamente a única saída marítima do país persa que ainda não sofreu intervenção americana.
Estrategicamente, o Mar Cáspio é a maior área militar fechada do planeta. Apesar de banhar cinco países, a navegação marítima internacional é proibida. Há anos, que o controle militar naval do Mar Cáspio é restrito apenas à Moscou e Teerã. É por ali que a Rússia e o Irã realizam transações secretas de importação e exportação de armamentos.
Em 2023, o Irã transferiu para a Rússia, através do Mar Cáspio, mais de 300 mil drones, enquanto no mesmo ano, Moscou exportou milhares de sistemas defesa aérea para o regime iraniano através do mesmo caminho. Durante o atual conflito, a Rússia intensificou essa rota marítima abastecendo o Irã com mísseis e drones. Para evitar que o vai e vem dos navios sejam detectado, os aparelhos que indicam a localização das embarcações são desligados, uma prática conhecida como “navegação fantasma”.
Com a provável intensificação do conflito e a redução dos estoques de mísseis e drones no Irã, a rota exclusiva do Mar Cáspio está em atividade máxima. Navios russos estão abastecendo o país vizinho com armamentos que serão usados na nova etapa da guerra. Washington não poderá interromper essa comércio facilmente já que a Rússia e, certamente, a China estão envolvidos. Então, como impedir que o Irã continue a se rearmar sem evitar que qualquer ação militar no mar Cáspio seja o motivo que pode dar início a conflito mundial?
Este é o maior desafio que os Estados Unidos ainda não têm solução à vista e, qualquer que seja ela, uma série de surpresas ainda estão por vir.
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