A esposa do deputado Amilton Filho, Ana Caroline Magalhães de Faria, de 37 anos, será candidata a deputada estadual pelo MDB no lugar do marido, que morreu vítima de um acidente automobilístico na madrugada do último sábado, 26. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, 28, em Anápolis.

Ana Caroline e Amilton estavam juntos havia 21 anos, dos quais 13 foram de casamento. Eles tiveram dois filhos, Samuel e Laura. A definição ocorreu após conversas entre familiares e lideranças que acompanharam a trajetória política do deputado, entre elas o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), a vereadora Andreia Rezende (Avante), irmã de Amilton, e o pai do parlamentar, Amilton Batista.

A escolha de Ana Caroline levou em conta sua ligação com a história de Amilton e com o trabalho que ele vinha desenvolvendo ao longo dos últimos anos. Ela assume a responsabilidade de dar continuidade aos projetos e compromissos do deputado. “Eu perdi meu marido, meu companheiro de 21 anos, o pai dos meus filhos e o grande amor da minha vida. Existe uma dor que ainda é impossível dimensionar. Mas, em meio a tudo isso, Deus nos chama para missões que jamais imaginamos viver. Assumo esse chamado com muita fé e com a certeza de que esse espaço sempre será do Amilton”, afirma.

Para ela, sua missão é preservar aquilo que Amilton construiu e manter a proximidade com os municípios e as pessoas que acompanharam sua trajetória. “Eu não vou substituir o Amilton. Ele é insubstituível na vida de todos. Ninguém substituirá a história e o lugar que ele ocupa em nossas vidas. Ele era um homem de palavra, e vou honrar cada compromisso assumido por ele. Vamos cuidar daquilo que construiu e dar continuidade ao seu trabalho com os mesmos valores que sempre guiaram a nossa família. Onde eu estiver, a história dele estará comigo”, declara.

De acordo com o comunicado encaminhado à imprensa, “no dia da votação, em 4 de outubro, o eleitor continuará encontrando na urna eletrônica o nome, a foto e o número de Amilton Filho. O número permanece 15100. Com a substituição da candidatura devidamente registrada pela Justiça Eleitoral, os votos dados ao 15100 serão atribuídos à nova candidatura. Essa é a regra prevista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para substituições realizadas após a preparação das urnas.”

Decisão vem ao encontro de resolução do TSE

A decisão vem ao encontro com o que prevê o artigo 71 da Resolução nº 23.609/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamenta a escolha e o registro de candidaturas. O texto estabelece que partidos e federações podem substituir candidatos que tenham falecido após o encerramento do prazo para registro.

Segundo o advogado eleitoralista Danúbio Cardoso Remy, o falecimento é a exceção à regra que, nas demais situações, estabelece o limite de 20 dias antes do pleito para que uma substituição seja efetivada.

“Por se tratar de falecimento, o partido pode, sim, realizar a substituição do candidato. Essa é a única exceção à regra daqueles 20 dias antes da eleição para fazer a substituição”, explicou ao Jornal Opção.

Mesmo que com a escolha, o eleitor continuará vendo o nome, o número e a fotografia de Amilton Filho na urna eletrônica no dia 4 de outubro.

Isso ocorre porque as urnas já foram preparadas para a eleição. A própria Resolução nº 23.609 estabelece que, quando a substituição acontece depois da geração das tabelas utilizadas para preparar os equipamentos, o substituto concorre utilizando o nome, o número e a fotografia da pessoa substituída.

“A urna está fechada, não tem como a gente alterar. Então, vai permanecer tanto a foto quanto o número do candidato falecido. E aí os votos que ele receber vão ser atribuídos ao candidato que eventualmente vier a substituí-lo”, explicou Danúbio.

O TSE também determina que, nessa situação, o partido ou a federação deve dar ampla divulgação à substituição para esclarecer os eleitores. A própria Justiça Eleitoral também divulga a alteração.

Quem era Amilton Filho?

Amilton morreu aos 41 anos, na madrugada deste sábado, 26, após um acidente de trânsito na BR-050, na região de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. Natural de Anápolis, o parlamentar construiu a carreira política a partir do município, onde foi vereador e presidente da Câmara Municipal antes de chegar à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

Amilton Batista de Faria Filho nasceu em Anápolis em 27 de julho de 1985. Advogado, formado em Direito pela UniEvangélica, começou a se envolver com política ainda durante a vida universitária, por meio do movimento estudantil. Chegou a presidir o diretório acadêmico do curso e, posteriormente, foi servidor público estadual entre 2007 e 2017.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2012, quando disputou pela primeira vez uma cadeira na Câmara Municipal de Anápolis. Eleito com 2.965 votos, iniciou uma trajetória que o levaria a exercer dois mandatos como vereador e, posteriormente, dois mandatos como deputado estadual.

Na Câmara de Anápolis, Amilton ganhou projeção e foi escolhido por unanimidade para presidir o Legislativo municipal no biênio 2017-2018. Durante o período à frente da Casa, esteve ligado a iniciativas como o Câmara nos Bairros e o Parlamento Jovem, além de coordenar a realização do segundo concurso público da história da Câmara.


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