Especialista questiona pacote de obras anunciado por Iris e diz que Plano Diretor precisa ser respeitado

 “Do que adianta uma cidade com viadutos e terminais, mas sem mobilidade e transporte público de qualidade. Não estou vendo isso ser discutido”, aponta Anamaria Diniz

Foto: Lívia Barbosa | Jornal Opção

No momento em que a Câmara Municipal de Goiânia está prestes a receber a proposta do novo Plano Diretor para o município, a Casa recebe a visita da Doutora em Arquitetura e Urbanismo e Phd e pós-doutora em História Urbana pela UnB, Anamaria Diniz. O motivo da visita da especialista, que fez uso da Tribuna Livre, foi o pedido de reconhecimento do primeiro Plano Diretor de Goiânia, elaborado pelo arquiteto e urbanista Atílio Correia Lima, e uma explanação sobre a importância de se pensar a cidade de forma responsável.

Na tribuna, Anamaria apresentou como seria a capital do Estado caso o plano inicial tivesse sido respeitado. Segundo a arquiteta e urbanista, neste momento de revisão do Plano Diretor, é importante olhar para o planejamento inicial e entender o que foi pensado para a cidade. Ela aproveitou a oportunidade para questionar o pacote de obras anunciado pelo prefeito Iris Rezende (MDB) para Goiânia e perguntou: “A que preço isso será feito?”.

Anamaria também pontuou que a cidade segue na contramão do que deve ser feito, ao optar pela construção de viadutos e trincheiras. “Do que adianta uma cidade com viadutos e terminais, mas sem mobilidade e transporte público de qualidade. Não estou vendo isso ser discutido”, pontuou.

“Infelizmente, por uma questão política e de interesses de alguns grupos de especulação imobiliária, o primeiro Plano Diretor de Goiânia foi apagado da história. Nós da academia, professores e urbanistas, queremos trazer à tona esse documento que segue desconhecido pela maioria dos legisladores”, explicou Anamaria. Para ela, não é possível planejar uma cidade de forma adequada sem conhecer como ela nasceu. “Esse documento trata não apenas do sítio inicial, mas também da paisagem natural”.

Cidade Verde

A especialista alerta que a paisagem natural de Goiânia vem sendo destruída. “Existem vários mitos como o de que Goiânia é a cidade mais verde do país. Isso não é verdade. Quando fazemos a leitura do primeiro Plano Diretor, então, conseguimos entender que existia uma intenção inicial de que tivéssemos uma cidade sustentável. Isso em 1935, quando não se falava em cidades sustentáveis”, destaca.

No documento, Atílio alertava sobre a importância da preservação dos mananciais e das áreas verdes, diz a arquiteta e urbanista. “Vejo que a Casa está votando um recurso para a cidade e vejo pouca participação da sociedade nesta lista de obras, que são apontadas como essenciais para nosso município. Não vi nada na lista sobre preservação ou sobre mobilidade urbana”.

“Queremos a divulgação do documento que trouxemos à Câmara, para que possamos olhar para o passado e perceber que, no presente, há vários equívocos e aí sim pensarmos no futuro com o novo Plano Diretor”, acentuou a especialista.  Para ela, esse reconhecimento não tem como objetivo cultuar uma visão romântica do que Goiânia poderia ter sido, mas sim perceber, por exemplo, que ainda existem várias áreas verdes que devem ser preservadas.

Qualidade de Vida

Anamaria também questiona a ideia de que Goiânia é uma cidade com boa qualidade de vida. “Se fala tanto nessa qualidade de vida que, sinceramente, eu não vejo mais”. Para a urbanista, o conhecimento sobre a ideia inicial, pensada por Atílio, pode nortear decisões importantes para esse novo plano, “principalmente nas áreas que estão sendo modificadas, adensadas e verticalizadas”, conclui, em alerta à influência da especulação imobiliária e interesses contrários à qualidade de vida da população.  

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